Pouca dinâmica e falta de rasgo individual: SC Braga suou para garantir playoff da Conference League


O SC Braga empatou a zeros com o Dinamo Minsk, conseguindo assim o apuramento para o playoff de qualificação para a Conference League. Os bracarenses valeram-se de um golo de Ricardo Horta no primeiro jogo, em casa, para carimbar a passagem numa eliminatória que foi mais difícil do que era previsto, muito por culpa própria.

O objetivo principal foi conseguido, mas Carlos Vicens tem motivos para estar preocupado com algumas dinâmicas – ou falta delas – dos arsenalistas.

Flashbacks de 2024/25

O início da temporada 2026/27 está a parecer uma fotocópia do princípio de 2025/26. Elevado volume de jogos, equipa com pouca dinâmica e sem objetividade, com dificuldades a chegar em zonas de finalização e, quando lá chega, definir da melhor forma.

Tudo isto são traços gerais e normais de um início de temporada, porém, este SC Braga está muito mais na linha da primeira metade da temporada transata do que na da segunda, o que deve preocupar Carlos Vicens.

@SC Braga

Diante do Dinamo Minsk, o SC Braga rematou apenas cinco vezes à baliza. Tirando um remate de Ricardo Horta ao poste – no início do segundo tempo -, os arsenalistas pouco ou nada conseguiram criar nos primeiros 75´ minutos da partida. Apesar do Dinamo Minsk estar em competição há mais tempo, os bracarenses tinham a obrigação de dominar a eliminatória, algo que não conseguiram.

Uma equipa passiva, a ter bola, mas sem conseguir ferir o adversário. A partir de uma espécie de 3-5-2 (já é sabido que Vicens olha para o jogo a partir de um princípio de funções e não de sistema), o SC Braga foi demasiado previsível, deixando os bielorrussos à vontade para controlarem os ataques contrários.

Falta a agressividade… de Zalazar

Individualmente, também há muito a melhorar. Os arsenalistas jogaram com quatro reforços no onze inicial: Bernardo Fontes, Sergio Barcia, Adrian Bajrami e Diogo Travassos, todos eles no setor defensivo.

Carlos Vicens continua a apostar num ala esquerdo de pé trocado. Já vimos Gabri Martínez, Zalazar e Gabriel Silva fazer a posição e, desta feita, foi a vez de Diogo Travassos. O jovem lateral polivalente tem a tendência para partir sempre para zonas interiores e, assim, castra a variabilidade do jogo do SC Braga.

Outro fator importante é a falta de um avançado puro. Pau Victor e Ricardo Horta são excelentes jogadores, mas nenhum deles é ponta de lança. Ricardo Horta deambula de um lado para o outro, consoante a bola, enquanto o espanhol também tem essa tendência para procurar muito a bola perto dos colegas. Assim sendo, muitas vezes faltam homens em zonas de finalização e perdem-se jogadas de perigo.

Por último, falta imprevisibilidade. A saída de Zalazar – um jogador diferente dos demais em Braga, pelo ritmo que conseguia impor no jogo, pelo ataque à profundidade e agressividade com bola que impunha – não foi colmatada com nenhum jogador desse estilo, tornando o SC Braga uma equipa muito mais previsível. Gabriel Silva é um agitador, mas tem partida da ala esquerda e não tem o que é preciso para jogar mais por dentro do terreno. Denis Huseinbasic e Diego não têm essas características.

Cada jogo é um jogo e o SC Braga não deve entrar em alarido por conta deste empate, porém, tem de encontrar mais soluções para conseguir colocar-se na fase de liga da Conference League e ser mais competitiva com os grandes no campeonato.



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