Influenciadoras brasileiras e portuguesas impulsionam movimento de mulheres conservadoras em Portugal


O movimento de mulheres conservadoras criado em Portugal tem raízes brasileiras, onde este tipo de iniciativa é comum há vários anos. Influenciadoras brasileiras que defendem o antifeminismo e valores religiosos são embaixadoras do movimento português, que utiliza as redes sociais para se promover. Nas publicações, a repercussão junta mulheres portuguesas e brasileiras, tanto as que estão no Brasil como as que vivem em Portugal.

Do outro lado do oceano, o movimento não é novo e já está consolidado na política. A principal transformação ocorreu a partir de 2013, com as manifestações de rua e o crescimento da nova direita nas redes sociais. O ano de 2018 também foi importante, tendo sido definido por especialistas como um marco político.

Naquele ano, 30 mulheres de direita foram eleitas para a Câmara dos Deputados, sendo 22 de partidos classificados como de extrema-direita, segundo um estudo publicado nos Cadernos CRH. Outro levantamento identificou 43 das 77 deputadas eleitas naquele ano como pertencentes à direita, 55,8% da bancada feminina, contra 31,5% na legislatura anterior. Os dados mostram a consolidação da nova direita feminina no Congresso.

É neste cenário que a tendência chega a Portugal, onde temas defendidos por estes grupos também ganham terreno. O Chega participa na criação do movimento, com as deputadas Cláudia Estevão, Madalena Cordeiro e Rita Matias. São mulheres que defendem uma agenda anti-feminista e religiosa.

Rita Matias foi entrevistada pela influenciadora brasileira Lorena Gato, que vive em Portugal e se define nas redes sociais como “Embaixadora do Reino de Deus – vivendo contra a cultura do mundo. Sabedoria feminina, fé e relacionamento”.

A brasileira esteve em Portugal no evento de pré-lançamento e gravou vários vídeos. “Tudo que a mídia apresenta, o que é apresentado na escola, nos livros, é uma imagem de opressão que não corresponde aquilo que eu e tu vivemos na nossa vida. Nós queremos conservar o amor, as famílias saudáveis, nós queremos conservar a nossa identidade de podermos ser mulheres, de podermos ver homens com orgulho de ser homens”, disse a deputada do Chega à influenciadora.

Outra brasileira que integra o movimento é Juliana Marques, que é “psicanalista, mentora de feminilidade e relacionamentos”, de acordo com a bio no Instagram. Juliana afirmou que “há muito tempo eu não participava de um evento com tanto propósito, com tanta entrega, com tanto transbordo que a gente sentir aquela vontade de querer continuar de quase gritar yes, era isso que tava faltando”, disse.

O evento de pré-lançamento contou ainda com a presença da deputada bolsonarista Priscila Costa e de Débora Luciano, que escreveu um livro sobre “a morte do feminismo”, além de Carolina Resque, candidata a deputada pelo PSB. O DN/DN Brasil apurou que um evento de lançamento está a ser organizado para o outono.

amanda.lima@dn.pt



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