CBF explica novas regras do Brasileiro; entenda medidas que coíbem antijogo


O Campeonato Brasileiro Série A começa, neste fim de semana, uma nova era. A 23ª rodada do Brasileirão terá como grande novidade a implementação do pacote de regras criado para coibir o antijogo e combater a chamada “cera” no futebol.

As mudanças fazem parte das novas regras que foram aplicadas pela primeira vez em uma Copa do Mundo.

Entre as principais novidades estão os limites de tempo para atendimentos médicos, cobranças de laterais e tiros de meta, além de mudanças nos procedimentos de substituições e no protocolo do VAR.

Atendimento médico

Uma das mudanças que mais pode impactar os jogos diz respeito ao atendimento médico. A partir de agora, quando um jogador receber atendimento em campo por uma lesão que interrompa a partida, ele deverá permanecer fora do campo por pelo menos um minuto após o reinício do jogo.

Caso o jogador atendido seja o goleiro, um atleta de linha deverá deixar o campo durante esse período, para que a equipe permaneça temporariamente com um jogador a menos.

A medida busca evitar que atendimentos sejam utilizados para interromper o ritmo da partida ou ganhar tempo. Há exceções previstas no protocolo, como determinadas situações envolvendo goleiros e casos específicos de choque de cabeça.

Cinco segundos para cobrar lateral

Outra novidade é a contagem de cinco segundos para a cobrança de lateral. Quando o árbitro considerar que a equipe está atrasando deliberadamente a reposição, ele poderá apitar e iniciar uma contagem regressiva visual de cinco segundos, feita com a mão levantada.

Se a cobrança não for realizada ao fim da contagem, o lateral será revertido e a posse passará ao adversário, que fará a cobrança do mesmo local.

A regra, portanto, não significa que todo lateral deverá ser cobrado em cinco segundos. A contagem começa quando o árbitro identifica uma demora deliberada na reposição.

Cinco segundos para o tiro de meta

Procedimento semelhante será aplicado aos tiros de meta. Quando o árbitro considerar que a cobrança está sendo deliberadamente atrasada, ele poderá iniciar uma contagem regressiva visual de cinco segundos.

Se a bola não estiver em jogo ao fim desse período, o tiro de meta será revertido em escanteio para a equipe adversária.

Substituições também terão limite

As substituições também passam a ter um limite de tempo. O jogador que será substituído terá dez segundos para deixar o campo depois que o quarto árbitro levantar a placa indicando a alteração.

Nos últimos cinco segundos, o árbitro fará a contagem de forma visual. A exceção vale para jogadores lesionados que claramente não tenham condições de deixar o gramado por conta própria.

Se o atleta que será substituído não deixar o campo dentro dos dez segundos, ele ainda terá de sair, mas o substituto não poderá entrar imediatamente. Nesse caso, a entrada será adiada por um minuto, deixando a equipe temporariamente com um jogador a menos.

“Lei Vini Jr.”

O pacote também inclui uma medida que ficou conhecida como “Lei Vini Jr.”. Pela nova regra, o jogador que utilizar deliberadamente a cobertura da boca durante uma comunicação provocativa ou depreciativa com um adversário poderá ser expulso.

A medida busca coibir comportamentos antidesportivos em que jogadores tentam esconder dos árbitros ou das câmeras o conteúdo de provocações e ofensas.

VAR poderá revisar expulsão por segundo amarelo

O protocolo do VAR também foi ampliado. A partir de agora, em determinadas situações, o árbitro de vídeo poderá auxiliar o árbitro em uma expulsão decorrente de um segundo cartão amarelo claramente aplicado de forma equivocada.

A mudança amplia as possibilidades de intervenção do VAR, que anteriormente não podia revisar uma segunda advertência que resultasse em cartão vermelho.

Caso Embolo gerou confusão na Copa

A nova atuação do VAR ganhou destaque durante a Copa do Mundo de 2026, na expulsão do suíço Breel Embolo contra a Argentina, pelas quartas de final. O atacante foi advertido por simulação e, como já tinha um cartão amarelo, acabou expulso.

O episódio foi relacionado ao novo protocolo de erro de identidade, e não à revisão de um segundo cartão amarelo.

Apenas capitães poderão falar com o árbitro

A CBF também criou uma regra específica para tentar diminuir os grupos de jogadores ao redor do árbitro durante as decisões.

Quando o árbitro cruzar os punhos acima da cabeça, apenas os capitães poderão se aproximar para conversar. Os demais jogadores deverão permanecer afastados.

Revisão de escanteios ficará para 2027

Outra mudança relacionada ao VAR não será aplicada imediatamente no Campeonato Brasileiro. A possibilidade de revisão de um escanteio concedido por engano, quando a decisão resultar diretamente em um gol ou pênalti, foi aprovada para implementação a partir de 2027.

A medida permitirá que o VAR intervenha em determinadas situações de erro claro na marcação de escanteios, desde que sejam atendidos os critérios estabelecidos no protocolo.

Com o novo conjunto de medidas, a CBF pretende reduzir as interrupções e aumentar o tempo efetivo de bola rolando nas partidas do Brasileirão. As mudanças já passam a fazer parte da rotina da Série A a partir da 23ª rodada, que começa neste sábado (15).



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