Polícia marroquina prende mais de 200 pessoas que tentavam cruzar fronteira com Ceuta, diz site


Milhares de migrantes continuam a cruzar a fronteira entre Espanha e Marrocos

Governo espanhol anunciou o envio de soldados para auxiliar a Guarda Civil a ‘manter a segurança’ em Ceuta.

Dezenas de aspirantes a migrantes, a maioria proveniente da África Subsaariana, foram interceptados neste sábado, 15, no norte do Marrocos, perto da fronteira com o enclave espanhol de Ceuta — conforme presenciou um correspondente da AFP —, duas semanas depois de milhares de migrantes terem entrado em massa no pequeno território espanhol.

O veículo de imprensa local Le360 informou que 294 pessoas foram detidas; 46 delas eram marroquinas e as demais, provenientes da África Subsaariana.

“Trata-se de uma operação de rotina destinada a impedir tentativas de migração irregular” em direção a Ceuta, disse à AFP, sob condição de anonimato, uma autoridade a par da intervenção.

Migrantes retornam ao Marrocos após cruzarem a fronteira para entrar no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, em 31 de julho de 2026. Foto: Jorge Guerrero/AFP

Especialmente no verão, as florestas próximas às cidades na fronteira com Ceuta e Melilla — outro enclave espanhol, situado mais a leste — servem como pontos de concentração para migrantes da África Subsaariana que tentam chegar a esses territórios.

Segundo a autoridade, que não informou o número de pessoas detidas, as prisões fizeram parte de “amplas medidas de segurança implementadas” para impedir tais tentativas de travessia.

Medidas de contenção

As autoridades marroquinas haviam anunciado, na quarta-feira, medidas para conter um possível novo fluxo de migrantes em direção a Ceuta, após uma nova onda de desinformação online sugerindo que a fronteira estaria aberta.

O Le360 e o site Hespress noticiaram que, nos últimos dias, as autoridades prenderam mais de 60 pessoas acusadas de incitar ou promover a migração irregular nas redes sociais.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram centenas de policiais com equipamentos de choque posicionados no lado marroquino da fronteira, juntamente com canhões de água e ambulâncias. O site de notícias local Hespress informou que equipamentos para o lançamento de gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral também foram levados para a fronteira.

Um diplomata marroquino de alto escalão havia declarado anteriormente à Associated Press (AP) que mais de 20 mil agentes de segurança marroquinos são mobilizados diariamente ao longo da fronteira com Ceuta, a um custo de centenas de milhões de dólares. O diplomata não estava autorizado a falar com a imprensa e manifestou-se sob condição de anonimato.

Há duas semanas, cerca de 72 mil pessoas — em sua maioria marroquinas — entraram em Ceuta, um território de 84 mil habitantes, no decorrer de poucos dias; no entanto, a grande maioria delas já retornou ao Marrocos.

Migrantes nadam pelas águas próximas à fronteira com o Marrocos para entrar no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, em 31 de julho de 2026. Foto: Jorge Guerrero/AFP

As autoridades marroquinas recuperaram os corpos de 11 pessoas que morreram em meio ao caos, enquanto a Espanha informou que pelo menos 80 pessoas morreram.

Contudo, a Associação Marroquina de Direitos Humanos, uma organização não governamental, estima que o número de mortos seja de pelo menos 141./com AP e AFP



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