“Suspendi os direitos aduaneiros de 50% contra o Canadá por uma duração de três dias, dado que o Canadá e os Estados Unidos, sob reserva da finalização dos documentos, concluíram um acordo!”, escreveu o chefe de Estado norte-americano na sua rede social Truth Social.
A medida punitiva, cuja entrada em vigor estava inicialmente prevista para meados de agosto, abrange cerca de 20 mil milhões de dólares (17,2 mil milhões de euros) em bens canadianos, afetando produtos que vão desde o cimento e o setor automóvel até às bebidas alcoólicas e equipamento desportivo.
A lista de produtos afetados inclui cimento, vinho, cerveja, bens do setor automóvel e tacos de hóquei no gelo, deixando de fora setores como a energia, a potassa, os minerais críticos e o peixe.
A Casa Branca justificou a imposição das tarifas invocando “tratamento discriminatório” e práticas comerciais desleais por parte de Otava em relação a produtos norte-americanos, designadamente nos setores automóvel, lácteo e do álcool, além do boicote das províncias canadianas a bebidas americanas.
Em contrapartida, o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, tinha denunciado a medida como uma “violação direta” do acordo de livre-comércio entre Estados Unidos, México e Canadá (ACEUM) e uma “ameaça à soberania canadiana”.
Entre os pontos centrais associados ao anúncio, Donald Trump vinculou o entendimento à retoma das obras do oleoduto Keystone XL — infraestrutura destinada a ligar a província de Alberta ao estado do Nebraska, cancelada durante o Governo de Joe Biden. “O grande oleoduto Keystone XL, que Joe Biden deixou de construir há muito tempo, poderia ressuscitar!”, celebrou o presidente dos EUA.
Por seu lado, os serviços do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, garantiram na rede X que o pacto prevê “um acesso completo ao mercado canadiano para todos os produtos americanos”.
Em declarações à imprensa, o primeiro-ministro canadiano confirmou a existência de “progressos substanciais” nas negociações diretas mantidas entre Washington e Otava, ressalvando contudo que permanece “trabalho importante a realizar” pelas equipas técnicas até à assinatura de um acordo em boa e devida forma.
Esta trégua temporária surge numa altura de forte tensão diplomática na América do Norte, com Otava e a Cidade do México a enfrentarem a renegociação das cláusulas do ACEUM e a tentarem evitar uma nova escalada da guerra comercial iniciada pela administração norte-americana.
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