Que neste momento de polarização, possamos refletir sobre o que de fato queremos para nós enquanto povo.”Não façam nada por competição e por desejo de receber elogios, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo. Que cada um procure, não o próprio interesse, mas o interesse dos outros.” (Filipenses 2, 3–4)

Era junho de 2013 quando milhares de pessoas saíram as ruas para cobrar mudanças na condução do país. Iniciou com protestos pelo aumento das passagens de ônibus, mas logo se transformou em uma expressão da insatisfação generalizada que todos carregamos com nosso governo.

Naquele período, com tanto clamor popular, poderíamos imaginar que a classe política olharia para o povo e atenderia ao menos, parte do que era pedido, mas na verdade nada ou pouco mudou. Em 2014 veio a Copa do Mundo e o Brasil foi eliminado para a Alemanha naquele infeliz resultado de 7×1. Perdemos em campo e nas urnas ampliamos a nossa derrota, e aqui não digo necessariamente pela escolha da época, mas sim por como se deu o resultado com uma votação extremamente apertada, onde Dilma Roussef venceu com apenas 51% dos votos válidos em segundo turno. Ali o Brasil que parecia estar no caminho da união em 2013, se dividiu profundamente em 2014.

A partir daí, vimos no Brasil a política ganhar contornos diferentes onde ao invés da união do povo pelo bem comum, passou-se a “torcer” para políticos quase como uma paixão futebolística. No futebol é compreensível. Quando se torce para um time, não interessa se ele vai bem ou vai mal, pois ali é paixão. Se o time vence, nos alegramos e se perde, esperamos que haja melhor sorte no futuro. Agora quando essa lógica migra para a política, nos dividimos e nos destruímos, pois agora não importa o projeto que nos é apresentado e sim se o candidato pelo qual torcemos vai ganhar ou não. 

As eleições de 2026 estão próximas. O mundo não espera que nos resolvamos enquanto povo. Guerras se espalham em cada canto do planeta, na Ucrânia invadida pela Rússia, na Palestina invadida por Israel e no mais recente conflito entre EUA e Irã, sem contar os demais que são menos divulgados pela mídia. Recentemente o Papa Leão XIV se pronunciou:

 “Deus não abençoa nenhum conflito. Quem é discípulo de Cristo, príncipe da paz, nunca se coloca ao lado daqueles que ontem empunhavam a espada e hoje lançam bombas. Não serão as ações militares a criar espaços de liberdade ou tempos de paz, mas apenas a promoção paciente da convivência e do diálogo entre os povos.”

Enquanto fora do Brasil a paz entra em colapso, dentro ela já colapsou. Facções criminosas crescem e se expandem, levando terror a cidades inteiras, como no emblemático caso do distrito de Uiraponga, Morada Nova – CE, que ficou deserto em julho de 2025 após as famílias serem obrigadas a sair devido a uma intensa disputa territorial por facções. Essa situação só mudou em 2026, praticamente um ano depois, quando as famílias em fim puderam retornar para seus lares.

Com tantos problemas em segurança, saúde e educação, não cabe a divisão mas a união para que possamos colher resultados melhores. Como em Filipenses 2, 3–4, devemos pensar no próximo mais até do que em nós mesmos, tendo a humildade de reconhecer que só trabalhando pelo coletivo é que construiremos uma nação de paz e prosperidade.