Este fenómeno climático que tem levado o caos a várias regiões do mundo, onde a África Austral está entre as mais fustigadas, é gerado no Oceano Pacífico e resulta do sobreaquecimento das suas águas devido às alterações climáticas.
Esse aumento da temperatura das águas do Pacífico tem um efeito negativo nas correntes marítimas em todo o Planeta, mudando com isso a intensidade e a direcção dos ventos, provocando secas intensas prolongadas ou inundações devastadoras e abruptas.
Ao longo dos anos o El Niño, em África, tem assolado com especial intensidade a sua região Austral e a parte Oriental do Continente, sendo responsável por algumas das mais severas secas no Sul de Angola (ver links em baixo) ou cheias devastadoras em zonas como Moçambique.
Com o agudizar das alterações climáticas, provocadas em grande medida pelas emissões de gases com efeito de estufa, nas últimas décadas são raros os anos em que este fenómeno não acontece com mais ou menos vigor.
E quando não é o El Niño é La Niña, que tem consequências semelhantes, embora menos frequentes, e resulta do arrefecimento abrupto das águas superficiais do Oceano Pacífico, levando o caos climático igualmente a quase todo o Planeta.
Todavia, desta feita, para os últimos três meses deste ano de 2027, os cientistas climáticos estão a anunciar com especial vigor um acontecimento mais raro e muitíssimo muito mais perigoso, que é um “Super El Niño”, que tende a surgir já a partir de finais de Setembro.
Só para se ter uma ideia do que pode ser o resultado deste fenómeno, se se confirmar o pior cenário, da última vez que a história registou algo semelhante ao que agora é esperado, mesmo ainda, naturalmente sem esta designação, morreram mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo com fome ou em inundações catastróficas.
O “Super El Niño” de 1877-1878, como surge descrito nos registos históricos, gerou uma catástrofe humanitária planetária devido a secas severas que destruíram colheitas em vários continentes e uma fome em massa que resultou na morte de mais de 50 milhões de pessoas, o que na época correspondia a cerca de 4% da população global.
Para já, embora várias equipas multidisciplinares estejam a estudar ao minuto a evolução da temperatura das águas do Pacífico, porque um El Nino “normal” aparece quando estas sobem 2º, o que já foi atingido largamente, e o Super El Niño acontecerá com maior probabilidade se estas temperaturas subirem mais de 3º além do esperado.
Perante o que se sabe hoje, e com os dados recolhidos pela agência das Nações Unidas para o Clima, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), que funciona em sintonia com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), mais de 20 milhões de pessoas deverão sofrer com o Super El Niño 2026/2027.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas alertou esta quinta-feira, 06, que pelo menos 24 milhões de pessoas em África podem ser afetadas pelo fenómeno, aconselhando a preparação de condições que permitam a ajuda rápida a estas populações.
Uma análise do PAM mostra que o fenómeno El Niño deverá piorar significativamente a insegurança alimentar em alguns dos países mais vulneráveis do mundo até 2027.
A agência das Nações Unidas explicou que os maiores impactos são esperados em partes da América Central e da África Austral, prevendo-se também efeitos significativos na África Oriental e no Sul e Sudeste Asiático.
Relativamente à África Oriental e Austral, estas regiões enfrentam riscos substanciais, particularmente onde as próximas épocas de chuvas são cruciais para a produção alimentar
“Mais de 18 milhões de pessoas poderão ver a sua segurança alimentar deteriorar-se, o que representa um aumento de 26%, sendo que os países da África Austral estão particularmente expostos porque muitas famílias dependem da agricultura de subsistência, que, por sua vez, está dependente da chuva”, aponta o PAM em comunicado citado pelas agências.











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