Quando Portugal entrar em campo para enfrentar a Croácia nos 16-avos de final da Copa do Mundo, nesta quinta-feira (2), em Toronto, o confronto já acontecerá no dia 3 de julho em solo lusitano.
Para os portugueses, a data carrega um significado que vai muito além do futebol. Terá se passado exatamente um ano desde a morte de Diogo Jota, atacante da seleção nacional e do Liverpool, cujo talento, faro de gol e dedicação ao país fizeram dele um dos jogadores mais queridos do país.
Jota, de 28 anos, e seu irmão, André Silva, morreram em um acidente de carro no noroeste da Espanha, quando a Lamborghini em que estavam saiu da pista e pegou fogo.
O aniversário da tragédia certamente despertará fortes emoções entre companheiros de equipe, torcedores e membros da comissão técnica, que passaram o último mês garantindo que sua memória permanecesse presente ao longo da campanha de Portugal, com homenagens integradas à trajetória da seleção na Copa do Mundo.
Roberto Martínez, técnico da Seleção Portuguesa, que descreveu Jota como “nossa luz”, o nomeou membro honorário da delegação durante a disputa da competição.
Rúben Neves, grande amigo de Jota e meio-campista da equipe, veste a camisa de número 21, usada pelo atacante. O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, presenteou os jogadores com pulseiras estampadas com o nome de Jota.
Seus pais, Isabel e Joaquim Silva, enxugaram as lágrimas nas arquibancadas durante uma emocionante homenagem antes da partida de estreia de Portugal na Copa, contra a República Democrática do Congo, em Houston.
“Há muitas motivações para vencer a partida, e ainda existe esse fator adicional, esse dia tão especial. Temos toda a motivação: por nossas famílias, por Diogo Jota, por todo o país, por todo Portugal”, disse o volante Vitinha na última quarta (1º).
Robertson se emociona
A perda de Jota também foi sentida na seleção da Escócia. O capitão Andy Robertson revelou que, ao garantir a classificação da equipe para a Copa do Mundo, em novembro, seus pensamentos se voltaram imediatamente para o ex-companheiro de Liverpool e grande amigo.
Quando o torneio começou, a viúva de Jota, Rute Cardoso, escreveu uma mensagem para Robertson.
“Quando você entrar em campo, Diogo estará com você em seus pensamentos, em seus passos e em seu coração. Obrigada por não esquecê-lo. Obrigada por levá-lo com você. Obrigada por transformar a dor da perda em força e em algo tão bonito”, escreveu ela.
O horário da partida de quinta acrescenta ainda mais emoção ao momento. Quando a bola rolar em Toronto, o relógio já terá passado da meia-noite em Portugal, marcando o aniversário de um acontecimento que chocou o país e abalou o mundo do futebol.
Para muitos jogadores da Seleção Portuguesa, Jota era mais do que um companheiro de equipe. Ele fazia parte de uma geração que ajudou a manter Portugal entre as potências do futebol, sendo uma figura de confiança no vestiário e autor de gols e atuações decisivas.
Jota marcou 14 gols em 49 partidas pelo país e, depois de perder a Copa de 2018 por causa de uma lesão na panturrilha, muito provavelmente faria parte do elenco que disputa o torneio na América do Norte neste ano.
“Diogo Jota era um jogador muito querido pelo povo português”, afirmou Miguel De Silva, luso-canadense e proprietário do bar esportivo Amigos da Dundas, localizado no bairro Little Portugal, em Toronto. “Acho que ele vai continuar dando algo aos jogadores portugueses. Mais um motivo para vencerem a partida”.











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