A decisão da Fifa de liberar Folarin Balogun para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final da Copa do Mundo despertou comparações imediatas com um episódio recente da Libertadores envolvendo Gonzalo Plata, atacante do Flamengo. Nas redes sociais, muitos torcedores passaram a chamar a medida de “protocolo Plata”. Na prática, porém, os dois casos seguiram caminhos jurídicos completamente diferentes.
Embora ambos tenham terminado com os jogadores aptos para atuar na partida seguinte, a forma como isso aconteceu é justamente o que explica por que o episódio da Copa do Mundo provocou críticas da Bélgica, da Uefa e até da Comissão Europeia.
O que aconteceu com Plata?
Na Libertadores, Gonzalo Plata recebeu cartão vermelho em campo, mas a Comissão Disciplinar da Conmebol concluiu posteriormente que não houve falta suficiente para justificar a expulsão. Após analisar as imagens, a entidade reconheceu o erro da arbitragem e anulou o cartão vermelho. Como consequência, a suspensão automática também foi cancelada.
Na prática, a lógica era simples: se a expulsão foi equivocada, ela não poderia produzir qualquer efeito disciplinar. Ou seja, a infração deixou de existir.
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O que aconteceu com Balogun?
O episódio envolvendo o atacante americano foi bem diferente. Balogun recebeu cartão vermelho contra a Bósnia e Herzegovina por uma entrada em Tarik Muharemovic. A Federação dos Estados Unidos argumentou que o árbitro foi induzido ao erro pelo uso de imagens em câmera lenta e congeladas durante a revisão do VAR e pediu a revisão da punição.
A Fifa, no entanto, não declarou que o cartão vermelho foi incorreto. Pelo contrário: a expulsão permaneceu registrada oficialmente. O que mudou foi apenas sua consequência.
A brecha encontrada pela Fifa
A solução utilizada pela entidade foi recorrer ao artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa, dispositivo que permite ao órgão judicial da entidade suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar.
O comunicado oficial da Fifa explicou que a suspensão automática de um jogo foi colocada em regime probatório por um ano.
“De acordo com o artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa, a suspensão da partida fica suspensa por um período probatório de um ano. Caso Folarin Balogun cometa outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante esse período, a suspensão será restabelecida e aplicada, sem prejuízo de eventual nova sanção.”
Na prática, Balogun continuou oficialmente expulso, mas não precisou cumprir a suspensão imediata e ficou liberado para enfrentar a Bélgica.
Por que a decisão virou uma crise?
A utilização do artigo 27 já existe no regulamento da Fifa, mas sua aplicação em plena Copa do Mundo foi considerada inédita.
A controvérsia aumentou depois que veio à tona que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, pedindo uma revisão da punição. Pouco depois, a entidade anunciou a suspensão dos efeitos do cartão vermelho.
Trump comemorou publicamente a decisão, agradecendo à Fifa por corrigir o que chamou de uma “grande injustiça”.
Desde então, a Federação Belga classificou a medida como uma afronta à integridade da competição. A Uefa afirmou que a Fifa “cruzou uma linha vermelha”, chamando a decisão de “inédita, incompreensível e injustificável”. Já o comissário europeu para o Esporte, Glenn Micallef, declarou que “cabe às entidades esportivas, e não aos políticos, decidir as regras do esporte”.











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