A Copa do Mundo de 2026 prometia ser uma festa de integração. Com um formato ampliado para 48 seleções, o torneio abriu as portas para países que antes só podiam sonhar com a participação. No entanto, essa mudança gerou um efeito inesperado na competição. A ampliação não protegeu os gigantes do futebol, mas expôs suas fraquezas estruturais para o mundo.
Ter 32 equipes classificadas para a fase eliminatória dava uma margem de segurança importante para os favoritos. Apesar dessa vantagem, várias potências históricas tropeçaram de forma impressionante. Algumas voltaram para casa mais cedo e outras mostraram um futebol tão pobre que a eliminação parecia inevitável diante de rivais mais organizados.
Portugal e Alemanha: O peso do passado contra a falta de respostas
Portugal viajou para o torneio com um dos elencos mais completos do planeta. Tinha um banco cheio de opções e estrelas em excelente fase. No entanto, o técnico Roberto Martínez ficou preso em um dilema complexo. O treinador preferiu homenagear a figura de Cristiano Ronaldo em vez de priorizar o futebol coletivo da equipe.
Aos 41 anos, o capitão marcou três gols e quebrou o seu jejum em fases eliminatórias. Apesar disso, a sua presença estática obrigou Portugal a jogar com menos ritmo e mobilidade do que o necessário. Depois de empatar de forma decepcionante com a Colômbia e a República Democrática do Congo, a Espanha eliminou os portugueses por 1 a 0 nas oitavas de final.
Por sua vez, a Alemanha confirmou que os seus problemas não eram passageiros. A goleada inicial de 7 a 1 contra Curaçao foi apenas uma ilusão. A equipe dirigida por Julian Nagelsmann sofreu novamente contra adversários defensivos e dinâmicos que fecharam os caminhos do gol.
A derrota na fase de grupos contra o Equador acendeu o alerta, mas o golpe definitivo veio contra o Paraguai. Os alemães dominaram a posse de bola, mas não criaram perigo durante 120 minutos. Na disputa de pênaltis, a Alemanha perdeu pela primeira vez nas penalidades na história das Copas, prolongando uma crise onde não vencem um jogo de mata-mata desde a final de 2014.
O colapso do Brasil e a queda histórica do Uruguai
O Brasil apostou alto ao contratar Carlo Ancelotti, um técnico acostumado a vencer grandes títulos na Europa. No entanto, o plano não funcionou nos gramados norte-americanos. A seleção brasileira se transformou em um time previsível, que dependia de lances individuais e não tinha uma ideia de jogo clara.
Durante o torneio, as vitórias contra Escócia e Haiti disfarçaram um desempenho ruim. Nas oitavas de final contra a Noruega, as decisões de Ancelotti pesaram contra. Manter em campo um Neymar sem mobilidade física reduziu a pressão do time, enquanto a saída de Bruno Guimarães entregou o controle do meio-campo. O resultado foi uma derrota dolorosa por 2 a 1, com dois gols de Erling Haaland. O Brasil teve uma eficiência de finalizações de apenas 14% em todo o torneio, um número muito baixo para a sua história.
Mas a maior surpresa foi o Uruguai. A Celeste chegou ao torneio com um elenco jovem e consolidado nas melhores ligas europeias. Todos esperavam um futebol de alta intensidade sob o comando de Marcelo Bielsa. O resultado real foi um desastre completo que terminou logo na fase de grupos.
Os uruguaios empataram contra a Arábia Saudita e Cabo Verde mostrando uma lentidão preocupante. No último jogo contra a Espanha, perderam por 1 a 0. Com apenas dois pontos em nove possíveis, o Uruguai se tornou o único campeão do mundo eliminado na primeira fase em 2026, deixando muitas dúvidas sobre a rigidez tática de Bielsa e a transição de gerações.
A inconsistência da tecnologia e o debate infinito do VAR
A tecnologia chegou para trazer respostas definitivas e acabar com as discussões nos jogos. Nesta Copa de 48 seleções, o VAR tinha a missão de garantir um jogo limpo e justo. O resultado, infelizmente, foi o oposto. A ferramenta tecnológica alimentou a polêmica devido à falta de um critério unificado.
Vimos lances em que Lionel Messi escapou de um cartão vermelho direto após uma entrada dura, enquanto seleções como o Egito tiveram gols anulados por faltas duvidosas ocorridas muitos segundos antes da finalização. O problema central não é o software, mas a análise excessiva de cada jogada por meio de repetições em câmera lenta.
O VAR foi criado para corrigir erros claros e óbrios dos árbitros de campo. Quando ele é usado para avaliar contatos mínimos ou quando a mesma ação é punida de forma diferente dependendo do árbitro, o sistema falha. Em vez de resolver os problemas, a tecnologia gerou desconfiança e roubou o protagonismo dos jogadores.
A grande lição da Copa do Mundo de 2026 é que as camisas pesadas já não ganham jogos sozinhas. O prestígio do passado e os nomes das grandes estrelas não funcionam se não houver uma organização coletiva sólida por trás.
O futebol moderno está muito equilibrado na parte física e tática. As seleções menores aprenderam a competir de igual para igual contra as grandes potências. Aqueles que não entenderam essa mudança pagaram um preço alto e terminaram como as maiores decepções do torneio.











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