Incêndios no Canadá provocam nevoeiro nos EUA e atingem preparação da Espanha para a final da Copa do Mundo; entenda


A linha do horizonte de Manhattan ficou encoberta por uma densa névoa, e Chicago fechou suas praias nesta quinta-feira, enquanto incêndios florestais fora de controle no Canadá se espalharam, lançando fumaça sobre os Estados Unidos e expondo milhões de pessoas a um ar perigosamente insalubre. Entre essas pessoas, os jogadores da Espanha, que treinaram em um campo ao ar livre no norte de Nova Jersey, a três dias da grande decisão da Copa do Mundo contra a Argentina.

De acordo com a imprensa local, não ficou claro o ritmo do treino realizado na Espanha e nem se as condições afetaram o rendimento dos jogadore. Isso, porque só é permitido à imprensar observar os primeiros 15 minutos da sessão de treinamentos que toalizava uma hora, em East Hanover, pela manhã.

Jogadores da Espanha participam de um treino no Melanie Lane Training Grounds, em East Hanover, Nova Jersey, em 16 de julho de 2026, antes da final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina — Foto: MAURO PIMENTEL / AFP

A rival Argentina permaneceu na região de Atlanta para se manter nos treinamentos menos de 24 horas depois de vencer a Inglaterra. A seleção chega à segunda final consecutiva. Marietta, na Geórgia, fica suficientemente ao sul para evitar os efeitos do incêndio, que está sendo levado pelo vento para o sudeste a partir do norte de Ontário, o que gerou alertas desde o Meio-Oeste até o Nordeste dos EUA.

Da esquerda para a direita, o atacante argentino Julián Álvarez (nº 9), o meio-campista argentino Leandro Paredes (nº 5), o atacante argentino Lionel Messi (nº 10) e o meio-campista argentino Enzo Fernández (nº 24) participam de um treino no Atlanta United Training Centre, em Marietta, Geórgia, em 16 de julho de 2026, antes da final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina — Foto: JUAN MABROMATA / AFP
Da esquerda para a direita, o atacante argentino Julián Álvarez (nº 9), o meio-campista argentino Leandro Paredes (nº 5), o atacante argentino Lionel Messi (nº 10) e o meio-campista argentino Enzo Fernández (nº 24) participam de um treino no Atlanta United Training Centre, em Marietta, Geórgia, em 16 de julho de 2026, antes da final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina — Foto: JUAN MABROMATA / AFP

Estados americanos próximos à fronteira com o Canadá, como Minnesota, Wisconsin, Michigan e Illinois, foram os mais afetados, enquanto o Nordeste, incluindo Nova York, também registrava piora na qualidade do ar.

Na noite de quinta-feira, a plataforma IQAir informou que Chicago e Detroit eram as cidades mais poluídas do mundo, com Nova York aparecendo logo atrás.

A cidade mais populosa dos Estados Unidos foi coberta pela fumaça, que, segundo as autoridades do estado, continha partículas finas consideradas prejudiciais à saúde de toda a população da região metropolitana de Nova York e de Long Island.

Um homem olha para o céu tomado pela fumaça dos incêndios florestais no Canadá, às margens do Rio Detroit, próximo à Ponte Ambassador, que liga os Estados Unidos ao Canadá, em Detroit, na quinta-feira, 16 de julho de 2026. A qualidade do ar em várias cidades atingiu níveis perigosos na manhã de quinta-feira, enquanto a fumaça deve se deslocar por toda a América do Norte — Foto: Nic Antaya/The New York Times
Um homem olha para o céu tomado pela fumaça dos incêndios florestais no Canadá, às margens do Rio Detroit, próximo à Ponte Ambassador, que liga os Estados Unidos ao Canadá, em Detroit, na quinta-feira, 16 de julho de 2026. A qualidade do ar em várias cidades atingiu níveis perigosos na manhã de quinta-feira, enquanto a fumaça deve se deslocar por toda a América do Norte — Foto: Nic Antaya/The New York Times

No centro e no oeste do estado, a qualidade do ar era ainda pior. As autoridades recomendaram que os moradores de Nova York passassem o mínimo de tempo possível ao ar livre. O prefeito Zohran Mamdani alertou para a “grave ameaça” representada pela combinação de calor intenso e ar inseguro para respirar.

NOVA YORK, NOVA YORK – 16 de julho: A fumaça dos incêndios florestais no Canadá encobre o horizonte de Manhattan, incluindo o Empire State Building, vista do mirante Top of the Rock, em 16 de julho de 2026, na cidade de Nova York. Grande parte da Costa Leste dos Estados Unidos e do Canadá está sob alerta de saúde devido à qualidade do ar, enquanto a fumaça dos incêndios no Canadá e na região dos Grandes Lagos avança lentamente pela área, formando uma densa névoa em meio ao calor. A região enfrenta mais uma onda de calor, com índices de sensação térmica superiores a 38°C — Foto: David Ramos / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
NOVA YORK, NOVA YORK – 16 de julho: A fumaça dos incêndios florestais no Canadá encobre o horizonte de Manhattan, incluindo o Empire State Building, vista do mirante Top of the Rock, em 16 de julho de 2026, na cidade de Nova York. Grande parte da Costa Leste dos Estados Unidos e do Canadá está sob alerta de saúde devido à qualidade do ar, enquanto a fumaça dos incêndios no Canadá e na região dos Grandes Lagos avança lentamente pela área, formando uma densa névoa em meio ao calor. A região enfrenta mais uma onda de calor, com índices de sensação térmica superiores a 38°C — Foto: David Ramos / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

Bibliotecas e estações de trem passaram a distribuir máscaras gratuitamente, enquanto centenas de centros de resfriamento foram abertos pela cidade para atender pessoas sem acesso a ar-condicionado.

NOVA YORK, NOVA YORK – 16 de julho: Um soldado da Guarda Nacional entrega uma máscara facial a um passageiro no Grand Central Terminal enquanto a fumaça dos incêndios florestais no Canadá encobre Manhattan, em 16 de julho de 2026, na cidade de Nova York. A cidade de Nova York está sob alerta de saúde devido à qualidade do ar, enquanto a fumaça dos incêndios no Canadá e na região dos Grandes Lagos avança lentamente pela área, formando uma densa névoa em meio ao calor. Nova York e grande parte da Costa Leste enfrentam temperaturas com sensação térmica superior a 38°C, enquanto a região passa por mais uma onda de calor — Foto: SPENCER PLATT / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
NOVA YORK, NOVA YORK – 16 de julho: Um soldado da Guarda Nacional entrega uma máscara facial a um passageiro no Grand Central Terminal enquanto a fumaça dos incêndios florestais no Canadá encobre Manhattan, em 16 de julho de 2026, na cidade de Nova York. A cidade de Nova York está sob alerta de saúde devido à qualidade do ar, enquanto a fumaça dos incêndios no Canadá e na região dos Grandes Lagos avança lentamente pela área, formando uma densa névoa em meio ao calor. Nova York e grande parte da Costa Leste enfrentam temperaturas com sensação térmica superior a 38°C, enquanto a região passa por mais uma onda de calor — Foto: SPENCER PLATT / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

Pessoas usam máscaras enquanto a fumaça dos incêndios florestais encobre Nova York, na quinta-feira, 16 de julho de 2026. A qualidade do ar em várias cidades atingiu níveis perigosos na manhã de quinta-feira, enquanto a fumaça deve se deslocar por toda a América do Norte — Foto: Angelina Katsanis/The New York Times
Pessoas usam máscaras enquanto a fumaça dos incêndios florestais encobre Nova York, na quinta-feira, 16 de julho de 2026. A qualidade do ar em várias cidades atingiu níveis perigosos na manhã de quinta-feira, enquanto a fumaça deve se deslocar por toda a América do Norte — Foto: Angelina Katsanis/The New York Times

“Este pode se tornar o episódio de fumaça mais significativo em Nova York desde 2023, e as condições serão monitoradas de perto caso haja piora”, informou o Departamento de Gerenciamento de Emergências da cidade.

Naquele ano, o céu da cidade adquiriu uma coloração alaranjada incomum, e o índice de qualidade do ar atingiu o perigoso nível de 465.

Nossos peitos estão apertados

No Meio-Oeste, os índices registrados nesta quinta-feira ultrapassaram esse nível, segundo o monitor da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).

TOPSHOT – Uma pessoa sentada em um banco lê um jornal enquanto a fumaça dos incêndios florestais no Canadá provoca condições de neblina em 16 de julho de 2026, em Nova York. Incêndios florestais fora de controle avançavam na quinta-feira na província canadense de Ontário, provocando evacuações e enviando uma densa fumaça perigosa para os Estados Unidos, onde milhões de pessoas foram expostas a uma qualidade do ar prejudicial à saúde. Estados americanos próximos à fronteira com o Canadá, incluindo Minnesota, Wisconsin, Michigan e Illinois, foram particularmente afetados, enquanto as previsões indicavam que o Nordeste, incluindo Nova York, também continuaria registrando piora na qualidade do ar — Foto: ANGELA WEISS / AFP
TOPSHOT – Uma pessoa sentada em um banco lê um jornal enquanto a fumaça dos incêndios florestais no Canadá provoca condições de neblina em 16 de julho de 2026, em Nova York. Incêndios florestais fora de controle avançavam na quinta-feira na província canadense de Ontário, provocando evacuações e enviando uma densa fumaça perigosa para os Estados Unidos, onde milhões de pessoas foram expostas a uma qualidade do ar prejudicial à saúde. Estados americanos próximos à fronteira com o Canadá, incluindo Minnesota, Wisconsin, Michigan e Illinois, foram particularmente afetados, enquanto as previsões indicavam que o Nordeste, incluindo Nova York, também continuaria registrando piora na qualidade do ar — Foto: ANGELA WEISS / AFP

Chicago, Toledo (Ohio) e áreas de Minnesota relativamente próximas aos incêndios registraram índices superiores a 700 durante a tarde. Grande parte do restante da região do Alto Meio-Oeste também apresentou níveis classificados na pior categoria possível: “perigoso”.

Uma partida da Major League Soccer em Chicago foi adiada, enquanto diversas cidades da região cancelaram eventos ao ar livre.

Erin Lucey, de 38 anos, trabalha na fazenda orgânica de hortaliças da família, no centro-sul de Wisconsin, e passou a manhã colhendo abobrinhas, feijões e pepinos, entre outras atividades. Os trabalhadores usavam máscaras sob o calor abafado para tentar filtrar a fumaça que cobria a região.

— Sentimos o peito apertado — disse ela à AFP, afirmando que a fumaça, somada às recentes ondas de calor intenso e aos campos ressecados, criava um cenário “assustador”.

— Todos nós pensamos no delicado equilíbrio necessário para produzir alimentos em um futuro como esse e comentamos que não conseguimos imaginar como será viver aqui daqui a 100 anos — afirmou.

— Se as pessoas estivessem do lado de fora trabalhando como nós e vissem como tudo está, se não tivessem o conforto do ar-condicionado, faríamos mudanças muito mais rápidas para enfrentar a crise climática — acrescentou.

O Departamento de Meio Ambiente, Grandes Lagos e Energia de Michigan informou que esperava a continuidade das condições perigosas até sexta-feira e destacou que “o melhor modelo disponível para previsão da fumaça alcança apenas 48 horas”.

“Esse modelo atualmente indica melhora no sábado, mas é provável que a fumaça permaneça e volte a circular por algum tempo”, informou o órgão.

Toronto também enfrentava a má qualidade do ar, enquanto os dados mais recentes mostravam mais de 130 incêndios ativos na região noroeste da província de Ontário, sendo pelo menos 60 considerados fora de controle.

Pessoas observam a paisagem a partir da CN Tower enquanto a fumaça dos incêndios florestais no norte de Ontário encobre a cidade, causando má qualidade do ar, em Toronto, Ontário, Canadá, em 15 de julho de 2026. Toronto registrou a pior qualidade do ar entre as grandes cidades do mundo na quarta-feira, segundo a empresa suíça IQAir, enquanto as autoridades canadenses recomendaram que a população permanecesse em locais fechados. Toronto superou Nova Délhi e Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, à medida que a fumaça dos incêndios florestais deixou o céu da maior cidade do Canadá com uma coloração amarelada-acinzentada e aspecto nebuloso — Foto: Cole BURSTON / AFP
Pessoas observam a paisagem a partir da CN Tower enquanto a fumaça dos incêndios florestais no norte de Ontário encobre a cidade, causando má qualidade do ar, em Toronto, Ontário, Canadá, em 15 de julho de 2026. Toronto registrou a pior qualidade do ar entre as grandes cidades do mundo na quarta-feira, segundo a empresa suíça IQAir, enquanto as autoridades canadenses recomendaram que a população permanecesse em locais fechados. Toronto superou Nova Délhi e Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, à medida que a fumaça dos incêndios florestais deixou o céu da maior cidade do Canadá com uma coloração amarelada-acinzentada e aspecto nebuloso — Foto: Cole BURSTON / AFP

As autoridades provinciais solicitaram oficialmente apoio adicional ao governo federal, especialmente suporte aéreo para evacuar comunidades remotas.

A Polícia Provincial de Ontário informou que 15 comunidades e suas áreas vizinhas já haviam sido evacuadas.

“Mais de 150 equipes de combate a incêndios e quase 50 aeronaves de combate ao fogo trabalham ininterruptamente para proteger as comunidades dos incêndios no norte de Ontário”, escreveu o primeiro-ministro da província, Doug Ford, na rede X.

Neste ano, os incêndios florestais no Canadá já destruíram pelo menos 1,9 milhão de hectares — uma área equivalente a quase todo o território da Eslovênia.

Apesar da gravidade da situação, o número ainda está muito abaixo do registrado em 2023, a pior temporada de incêndios da história do país, quando quase 18 milhões de hectares foram queimados.



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