Messi supera Maradona? Veja como os números comparam as carreiras dos dois camisas 10


Quando Diego Maradona ergueu a Copa do Mundo de 1986, consolidou uma imagem que atravessou gerações. Durante décadas, foi consenso na Argentina que nenhum jogador conseguiria ocupar seu lugar. Quarenta anos depois, Lionel Messi não apenas conduziu o país ao tricampeonato mundial, em 2022, como chega à final da Copa de 2026 com uma carreira que supera a do antecessor em praticamente todos os indicadores disponíveis.

Os números ajudam a explicar a mudança de perspectiva. Até a semifinal da Copa do Mundo de 2026, Messi soma 1.160 partidas oficiais, 919 gols, 455 assistências e 48 títulos entre Barcelona, Paris Saint-Germain, Inter Miami e seleção argentina. Maradona encerrou a carreira com 679 jogos, 345 gols, cerca de 240 assistências e 13 títulos oficiais. A diferença também aparece na longevidade: enquanto o camisa 10 do Napoli disputou pouco mais de duas décadas como profissional, Messi chega aos 39 anos ainda sendo protagonista da seleção argentina.

Na Copa do Mundo, o domínio estatístico também mudou de mãos. Maradona foi o grande nome do Mundial de 1986, torneio em que marcou cinco gols e distribuiu cinco assistências, levando praticamente sozinho uma equipe considerada inferior às principais seleções da época. Ao longo da carreira, disputou quatro Copas, fez oito gols e chegou a duas finais.

Messi, por sua vez, disputa sua sexta Copa do Mundo e chega à decisão de 2026 com 39 partidas no torneio, recorde absoluto, além de 21 gols e 12 assistências — ambos recordes históricos da competição. Também alcançou sua terceira final de Mundial, depois do vice em 2014 e do título conquistado no Catar, em 2022.

A diferença também aparece no futebol de clubes. Maradona viveu seu auge no Napoli, onde conquistou dois Campeonatos Italianos e transformou uma equipe de menor tradição em potência nacional. Messi, por outro lado, construiu uma carreira de quase duas décadas no Barcelona, tornando-se o maior artilheiro da história do clube, com 672 gols, além de conquistar quatro Ligas dos Campeões, dez Campeonatos Espanhóis e sete Copas do Rei. Ao todo, são 35 títulos pelo clube catalão.

Individualmente, a distância é ainda maior. Messi conquistou oito Bolas de Ouro, prêmio entregue pela revista France Football ao melhor jogador do mundo. Maradona nunca recebeu a honraria, mas há uma explicação histórica: até 1995, apenas jogadores europeus podiam concorrer ao prêmio, o que excluiu sul-americanos durante boa parte de suas carreiras. Em 1995, o regulamento passou a incluir atletas de qualquer nacionalidade que atuassem na Europa, e apenas em 2007 tornou-se aberto a jogadores de qualquer liga do mundo.

Ainda assim, reduzir a comparação entre os dois aos números seria ignorar o contexto em que cada um construiu sua história. Maradona atuou em uma época com menos partidas por temporada, menor produção ofensiva e sem o registro sistemático de estatísticas como assistências, desarmes ou participações em gols. Além disso, foi o símbolo de uma geração que devolveu autoestima à Argentina poucos anos após a Guerra das Malvinas, transformando o título de 1986 em um marco que extrapolou o esporte.

Messi percorreu um caminho diferente. Durante anos conviveu com a comparação permanente com Maradona e com críticas por não conquistar títulos pela seleção. A partir da Copa América de 2021, porém, venceu duas edições do torneio continental, a Finalíssima, a Copa do Mundo de 2022 e agora tenta levar a Argentina ao bicampeonato consecutivo — feito que o país não alcança desde a década de 1980.

Caso levante novamente a taça no domingo, Messi acrescentará mais um capítulo a uma carreira que já é a mais vitoriosa da história do futebol.



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