Scaloni x De la Fuente: qual o segredo dos técnicos que levam trajetórias semelhantes à final da Copa do Mundo


A final da Copa do Mundo, disputada entre Espanha e Argentina neste domingo, coloca frente a frente dois técnicos com trajetórias parecidas. Lionel Scaloni e Luis de la Fuente construíram suas carreiras dentro das seleções nacionais, passaram pelas categorias de base antes de assumirem as equipes principais e transformaram apostas cercadas por desconfiança em projetos vencedores. O caminho dos dois ainda se cruzou em 2017, quando o espanhol foi um dos professores do argentino em um curso para treinadores.

Embora ambos tenham sido jogadores profissionais, nenhum deles chegou ao comando de uma seleção impulsionado pelo sucesso como treinador de clubes. O crescimento de Scaloni e De la Fuente aconteceu dentro das estruturas de Argentina e Espanha, acompanhando diferentes gerações de atletas até alcançarem o cargo mais alto de suas respectivas federações.

Scaloni encerrou a carreira como jogador em 2015. No ano seguinte, tornou-se auxiliar de Jorge Sampaoli no Sevilla e acompanhou o treinador na seleção argentina durante a Copa do Mundo da Rússia, em 2018. Após a eliminação nas oitavas de final e a saída de Sampaoli, recebeu a missão de dirigir a seleção sub-20 e, poucos meses depois, assumiu interinamente a equipe principal. A escolha surpreendeu parte da imprensa e dos torcedores, já que ele praticamente não tinha experiência como treinador.

De la Fuente iniciou esse processo alguns anos antes. Em 2013, assumiu a seleção espanhola sub-19 e iniciou uma trajetória inteiramente construída dentro da Real Federação Espanhola de Futebol. Depois passou pela equipe sub-21 e pela seleção olímpica, conquistando o Campeonato Europeu Sub-19, o Europeu Sub-21 e a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio. O desempenho fez com que fosse escolhido para substituir Luis Enrique após a Copa do Mundo de 2022, apesar das críticas por nunca ter treinado um clube de elite.

Da desconfiança aos títulos

As semelhanças não se limitam ao percurso profissional. Os dois assumiram seleções em momentos de reconstrução e precisaram convencer um ambiente inicialmente desconfiado. Scaloni reorganizou uma Argentina que vivia o fim do ciclo de uma geração marcada por sucessivos vice-campeonatos e pela eliminação precoce na Copa de 2018. Sob seu comando, a equipe voltou a conquistar a Copa América, venceu a Finalíssima e levantou a Copa do Mundo de 2022, consolidando um dos períodos mais vitoriosos da história da Albiceleste.

Na Espanha, De la Fuente também apostou na continuidade de um trabalho desenvolvido desde as categorias inferiores. Muitos dos jogadores que hoje formam a espinha dorsal da seleção principal passaram por suas mãos na base. O resultado foi uma equipe renovada, campeã da Liga das Nações e da Eurocopa, recolocando os espanhóis entre os favoritos nas principais competições internacionais.

A trajetória paralela ganhou um capítulo curioso em 2017. Enquanto buscava a licença UEFA Pro na Cidade do Futebol de Las Rozas, sede da Federação Espanhola, Scaloni teve aulas ministradas por De la Fuente, então um dos responsáveis pela formação de treinadores e pelas seleções de base da Espanha. Desde então, o argentino nunca escondeu a admiração pelo colega.

— Luis foi uma ajuda enorme para todos nós que fizemos o curso em Las Rozas. Converso com ele e desejo sempre o melhor — afirmou Scaloni durante a Eurocopa de 2024, quando voltou a chamar o espanhol de “mentor”.

A admiração é recíproca. Antes da decisão da Copa do Mundo, De la Fuente disse sentir orgulho ao ver um antigo aluno chegar à final e destacou a evolução de Scaloni desde os tempos de formação como treinador.

Neste domingo, a amizade ficará de lado por 90 minutos — ou mais. À beira do campo, Argentina e Espanha serão comandadas por dois treinadores que seguiram um caminho pouco convencional até o maior palco do futebol. Mais do que uma coincidência, a final coloca frente a frente dois projetos construídos de dentro para fora: primeiro nas categorias de base, depois nas seleções principais e, agora, na disputa pelo título mundial.



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