O alargamento do Mundial de 2026 para 48 seleções, mais do que uma expansão de formato, permitiu que este ano o continente americano seja o palco de consagração para quatro nações que, pela primeira vez na história, garantiram uma vaga na fase final da competição mais prestigiada do planeta.
Jordânia, Uzbequistão, Cabo Verde e Curaçau superaram eliminatórias longas e desafiantes para inscreverem os nomes na elite do futebol mundial.
Jordânia: do início negativo ao final feliz
Depois de se sagrar vice-campeã da Taça da Ásia, a seleção da Jordânia entrou nas eliminatórias com o pé esquerdo, após um empate a uma bola frente ao Tadjiquistão e uma derrota por 2-0 contra a Arábia Saudita, em Amã.
A resposta foi imediata, com quatro vitórias consecutivas, incluindo uma goleada de 7-0 sobre o Paquistão e uma desforra por 2-1 diante dos sauditas, levando que a Jordânia assumisse a liderança do Grupo G na segunda fase.
Na terceira fase, a consistência manteve-se, com quatro vitórias, quatro empates e duas derrotas, garantindo o segundo lugar do grupo, atrás da Coreia do Sul e à frente do Iraque.
Integrada no Grupo J, a Jordânia terá pela frente uma missão complicada. A estreia absoluta em Mundiais acontece a 17 de junho, à 05h00, frente à Áustria. Segue-se o duelo contra a Argélia, a 23 de junho (04h00), fechando a fase de grupos com o teste máximo contra a atual campeã do mundo, a Argentina, no dia 28 de junho, às 03h00.
Al-Tamari: ‘Messi da Jordânia’ espalha magia em França
Moussa Al-Tamari é considerado a maior figura da Jordânia e foi o primeiro jordano a assinar por um clube das cinco melhores ligas da Europa. Chegou ao Montpellier em 2023, como jogador livre, e no seu segundo jogo marcou logo dois golos na vitória, por 4-1, frente ao Lyon.
Atualmente atua ao serviço do Rennes, tendo nesta temporada sido o autor de sete golos e oito assistências com a camisola do emblema francês.
O futebolista asiático estreou-se na Jordânia na seleção sub-23 e, com apenas 19 anos, cumpriu a sua primeira internacionalização pela equipa sénior, em 2016. Já leva 88 internacionalizações pela equipa principal, com 24 golos pela sua nação, sendo o quinto melhor marcador da história.
Uzbequistão: uma evolução que culminou numa estreia histórica
O Uzbequistão foi a primeira das estreantes a carimbar o passaporte para o Mundial. A caminhada da nação asiática começou sob a liderança de Timur Kapadze e ganhou contornos de elite quando o histórico italiano Fabio Cannavaro assumiu o comando técnico em outubro de 2025.
Os uzbeques bateram-se de igual para igual com o Irão, seleção com a qual empataram os quatro jogos disputados ao longo das eliminatórias.
Na terceira fase, com uma campanha quase irrepreensível, seis vitórias, três empates e apenas uma derrota (3-2 contra o Catar), a equipa liderada pelo defesa do Manchester City, Abdukodir Khusanov, garantiu o segundo lugar do Grupo A, deixando para trás seleções experientes como os Emirados Árabes Unidos e o próprio Catar.
No Grupo K, o Uzbequistão terá um calendário bastante complicado, sendo o primeiro jogo da história em Mundiais contra a Colômbia, no dia 18 de junho, às 03h00. Na segunda jornada, defrontam Portugal, a 23 de junho, às 18h00, encerrando a participação na primeira fase contra a República Democrática do Congo, no dia 28 de junho, às 00h30.
Khusanov: jovem patrão da defesa já convenceu Guardiola
Abdukodir Khusanov é o novo ‘menino de ouro’ do futebol do Uzbequistão e um dos defesas-centrais jovens mais promissores do futebol mundial.
Despertou a atenção do futebol europeu ao serviço dos franceses do Lens e o enorme potencial levou a que, no início de 2025, o Manchester City de Pep Guardiola avançasse para a sua contratação numa transferência histórica, a rondar os 35 milhões de euros.
Com esta mudança, Khusanov tornou-se o primeiro futebolista uzbeque a assinar por um gigante da Premier League. Ao serviço da seleção uzbeque já cumpriu 25 jogos, tendo feito a sua estreia em junho de 2023.
Cabo Verde: consolidação dos ‘Tubarões Azuis’ no futebol mundial
Com pouco mais de 500 mil habitantes, Cabo Verde tornou-se uma das mais pequenas nações da história a alcançar um Mundial, confirmando a ascensão meteórica que o arquipélago tem registado no futebol africano.
A campanha da seleção liderada por Bubista foi exemplar, com sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota (4-1 frente aos Camarões). Contudo, a grande demonstração de força dos ‘Tubarões Azuis’ aconteceu em setembro de 2025, na Praia, ao vencerem a equipa dos Camarões por 1-0.
A qualificação histórica ficou selada em casa, com uma vitória por 3-0 sobre Essuatíni, fechando uma caminhada onde Cabo Verde transformou o próprio território numa fortaleza, com quatro vitórias, um empate e zero golos sofridos.
O grande destaque individual foi Dailon Livramento, avançado do Casa Pia, que terminou como melhor marcador do grupo com quatro golos.
Cabo Verde ficou inserido no Grupo H e começará logo com um confronto contra um dos favoritos, a Espanha, no dia 15 de junho, às 17h00. O segundo desafio será contra o Uruguai, a 21 de junho, às 23h00, fechando o grupo diante da Arábia Saudita, no dia 27 de junho, às 01h00.
Ryan Mendes: capitão persegue o jogo 100 na seleção
Ryan Mendes é uma lenda viva e o maior símbolo do futebol do país. Nascido em Mindelo, na Ilha de São Vicente, em 1990, o extremo de 36 anos carrega o estatuto de capitão, jogador com mais internacionalizações e melhor marcador de sempre da história da seleção.
Formado no Batuque FC, saltou muito jovem para França, onde se destacou no Le Havre e mereceu uma transferência milionária para o Lille, para para ocupar a vaga deixada por Eden Hazard. Passou ainda pelo Nottingham Forest, e atualmente continua a espalhar magia na Turquia, ao serviço do Iğdır FK.
Já esteve presente em quatro edições da CAN (2013, 2015, 2021 e 2023), e em 2026 prepara-se para liderar, no topo da maturidade, os ‘Tubarões Azuis’ na fase final de um Mundial. Ryan Mendes é o jogador mais internacional da seleção, com 97 jogos, sendo ainda o atleta com mais golos da história, tendo 22 golos.
Curaçau: projeto caribenho culminou numa seleção mundialista
Curaçau tem apenas 444 quilómetros quadrados e cerca de 158 mil habitantes, sendo a pequena ilha das Caraíbas oficialmente a menor nação de sempre a disputar a fase final de um Mundial.
Com Dick Advocaat no leme, Curaçau assinou uma verdadeira campanha de sonho, alcançando uma sequência de dez partidas sem qualquer derrota. Na segunda fase, alcançaram vitórias expressivas frente a Barbados (4-1), Aruba (2-0), Santa Lúcia (4-0) e Haiti (5-1).
Na decisiva terceira fase da CONCACAF, a equipa garantiu a liderança do Grupo B após vencer a Jamaica por 2-0 e aplicar uma goleada por 7-0 às Bermudas, selando o apuramento histórico.
O conto de fadas de Curaçau vai desenrolar-se no Grupo E, fazendo a estreia absoluta contra a Alemanha, a 14 de junho, às 18h00. O segundo compromisso está marcado para dia 21 de junho, às 01h00, contra o Equador, terminando a fase de grupos frente à Costa do Marfim, a 25 de junho, às 21h00.
Armando Obispo: jovem central comanda a nova geração do Curaçau
Nascido em 1999 nos Países Baixos, o defesa-central tomou a decisão de representar o país das suas raízes, sendo a referência do setor recuado e um dos rostos mais mediáticos da equipa.
Obispo fez todo o seu percurso de formação no PSV Eindhoven, clube onde chegou a envergar a braçadeira de capitão nas camadas jovens. Já leva dezenas de jogos na Eredivisie e nas competições europeias pela equipa principal.
Depois de ter representado os Países Baixos nas seleções jovens (dos sub-19 aos sub-21), Obispo optou por abraçar o projeto de Curaçau, sendo um ‘reforço de peso’ da equipa. Fez a estreia em 2025 e já soma cinco aparições na equipa principal.
Nota: os horários dos jogos correspondem à hora de Portugal Continental. Conheça aqui o calendário completo do Mundial.










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