COI não deve punir Infantino por caso Balogun, diz jornal


O presidente da Fifa, Gianni Infantino, deve escapar de qualquer sanção por parte do Comitê Olímpico Internacional (COI), apesar de uma denúncia formal apresentada contra ele por suposta violação das regras de neutralidade política. A informação é do jornal britânico The Guardian.

A polêmica teve início após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelar que conversou com Infantino para pedir uma revisão da punição aplicada ao atacante Folarin Balogun. O jogador estava suspenso e não poderia atuar pelos Estados Unidos nas oitavas de final da Copa do Mundo contra a Bélgica.

Pouco depois da conversa, o Comitê Disciplinar da Fifa suspendeu a punição por 12 meses, permitindo que Balogun voltasse a jogar. A decisão foi considerada inédita e gerou forte repercussão no futebol internacional.

Em resposta ao episódio, a organização de direitos humanos FairSquare apresentou uma queixa ao COI. A entidade argumenta que Infantino violou a Carta Olímpica, que determina que membros do Comitê atuem de forma independente, sem aceitar orientações ou interferências de governos ou interesses políticos.

Segundo o The Guardian, no entanto, a tendência é que o caso não avance para uma investigação formal. O COI costuma evitar interferir em decisões de federações esportivas internacionais, especialmente quando ainda existem mecanismos internos de recurso disponíveis.

Outro fator apontado pelo jornal é a relação cada vez mais próxima entre o COI e a Fifa. A entidade olímpica tem ampliado sua dependência do futebol para atrair audiência e receitas comerciais, sobretudo às vésperas dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.

Além disso, nem a Uefa nem a Federação Belga de Futebol, que inicialmente criticaram a decisão envolvendo Balogun, formalizaram uma denúncia junto ao COI. A federação belga, que chegou a cogitar recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), não voltou a se manifestar sobre o caso desde a eliminação da Bélgica para a Espanha nas quartas de final da Copa.

A Uefa também optou por não dar prosseguimento ao tema, apesar de ter divulgado anteriormente uma nota afirmando que a decisão da Fifa comprometia a credibilidade das competições.

Mesmo diante da controvérsia, Infantino mantém forte apoio político dentro da entidade. De acordo com o jornal britânico, mais de 200 das 211 federações filiadas à Fifa enviaram cartas de apoio ao dirigente antes da próxima eleição para a presidência da organização.

Infantino admitiu que conversou com Donald Trump sobre Balogun, mas afirmou, por meio de comunicado divulgado pela Fifa, que mantém contato frequente com diversos chefes de Estado e que a suspensão da punição foi decidida de forma independente pelo Comitê Disciplinar da entidade. Até o momento, a Fifa não divulgou a fundamentação completa da decisão, limitando-se a afirmar que ela levou em consideração “as circunstâncias específicas do caso e as provas disponíveis”.



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