
Grandes feitos: Campeã Invicta da Copa do Mundo da FIFA (2026), Campeã Invicta da Eurocopa (2024), Campeã da Liga das Nações da UEFA (2022-2023) e Vice-campeã da Liga das Nações da UEFA (2024-2025). Fez da Espanha a primeira tetracampeã da história da Eurocopa, reconquistou o mundo após 16 anos de jejum e se tornou a campeã mundial com a melhor defesa da história – um gol sofrido em oito jogos.
Time-base: Unai Simón; Pedro Porro (Carvajal / Jesús Navas), Cubarsí (Le Normand / Nacho), Laporte (Eric García) e Cucurella (Jordi Alba); Rodri (Zubimendi), Dani Olmo (Pedri) e Fabián Ruiz; Lamine Yamal (Asensio), Oyarzabal (Morata / Merino / Joselu) e Álex Baena (Nico Williams / Gavi / Ferran Torres / Pino). Técnico: Luis de la Fuente.
“A Soberania dos Reis da Europa. E do mundo também!”
Por Guilherme Diniz
Fim de jogo em Kiev. Com uma goleada espetacular de 4 a 0 sobre a Itália, a Espanha conquista pela terceira vez a Eurocopa, a segunda de maneira consecutiva, e se iguala à Alemanha como maior campeã europeia. De quebra, ainda alcança um feito impressionante ao levantar, entre 2008 e 2012, duas Euros e uma Copa do Mundo. Mas, após esse período marcante, a seleção espanhola viveu tempos conturbados. Na Copa de 2014, deu vexame e caiu na primeira fase, com direito a uma goleada sofrida de 5 a 1 para a Holanda. Nas Euros de 2016 e 2020, foi eliminada pela Itália nas duas edições. Nas Copas do Mundo de 2018 e 2022, caiu nas oitavas de final em ambos os torneios, nos pênaltis, para Rússia e Marrocos, respectivamente. E amargou ainda o vice-campeonato da Liga das Nações da UEFA de 2020-2021, quando perdeu de virada para a França.
Mas aquela derrota na Liga das Nações foi uma espécie de mudança de chave. Desde 2020 que a seleção vivia uma transição. Deixava de lado um estilo de jogo e passava a jogar de outra maneira, mais incisiva, porém, sem deixar de tratar bem a bola. A Espanha já tinha criado a cultura de vencer naqueles anos de ouro. A renovação, claro, custou boas campanhas nos torneios posteriores a 2012, mas quando uma nova geração chegou, eis que a roja foi “para as cabeças” novamente. Os jovens presentes na campanha de prata nas Olimpíadas de Tóquio-2020 (disputada em 2021) aprenderam a mentalidade vencedora. E, comandados por Luis de la Fuente, venceram a Liga das Nações da UEFA de 2022-2023, troféu inédito que recolocou a equipe entre as favoritas para a Eurocopa de 2024.
Em solo alemão, eles praticaram o melhor futebol do torneio com uma campanha incontestável: sete jogos, sete vitórias, melhor ataque, dona do melhor jogador (Rodri), do melhor jogador jovem (Lamine Yamal, que completou 17 anos durante a competição) e da melhor linha ofensiva. Derrubaram quatro campeões do mundo pelo caminho. E, na final, venceram a Inglaterra com autoridade para levantarem a Euro pela quarta vez, o terceiro troféu nas últimas cinco edições. Na Europa, pelo menos até 2028, eles são os reis hegemônicos. Os maiores campeões. Dois anos depois, foi a vez de expandir tal domínio para o maior dos palcos: a Copa do Mundo. E, com a melhor defesa da história e um novo tiki-taka, os espanhóis venceram o título derrotando favoritos com autoridade e sem qualquer susto. Foi o bicampeonato mundial da supremacia roja. É hora de relembrar a Espanha 2022-2026.
A nova geração
Após perder para a França na final da Liga das Nações de 2021, a Espanha deu uma última chance ao técnico Luis Enrique na Copa do Mundo da FIFA de 2022. O treinador, que tinha no currículo títulos marcantes pelo Barcelona, era admirado por gostar do futebol de toque de bola e ofensivo e já havia mudado a faceta do time ao apostar em novos nomes como Laporte, Gavi, Sarabia, Ferran Torres e Oyarzabal, além de manter na equipe atletas experientes como Azpilicueta, Koke e Busquets. No Mundial do Catar, a Espanha começou com tudo ao aplicar um 7 a 0 na Costa Rica, uma das maiores goleadas da história da competição. Na sequência, empatou em 1 a 1 com a Alemanha, mas perdeu para o Japão no último jogo do grupo por 2 a 1 e se classificou na segunda colocação, atrás da própria seleção asiática, o que gerou dúvidas quanto ao desempenho do time na etapa seguinte.

Nas oitavas de final, a Espanha entrou como favorita para o duelo contra Marrocos e Luis Enrique deixava claro que sua equipe era candidata ao título pelos jovens talentos que tinha – sobretudo Pedri e Gavi – e alguns veteranos, como Jordi Alba e Sergio Busquets. Porém, quando a bola rolou, a Espanha mostrou um futebol insosso e sem qualquer objetivo, enquanto Marrocos foi soberano na marcação e levou perigo com seus ataques rápidos e o elo entre defesa e ataque muito bem feito por Hakimi, Mazraoui e Ziyech.

No meio, Amrabat e Ounahi jogavam absurdamente bem e eram os grandes senhores do setor de Marrocos, roubando bolas, dando passes e demonstrando uma aplicação tática digna das maiores estrelas do futebol mundial. Embora a Espanha tenha tido 68% de posse de bola, 1041 passes e 13 finalizações, apenas uma delas foi ao gol. Já Marrocos teve seis finalizações, com três ao gol. O tão falado meio de campo espanhol nada fez e foi engolido pelo marroquino, em especial Amrabat, que parecia se multiplicar em campo tamanha vitalidade e consciência tática.
O jogo ficou 0 a 0 tanto no tempo regulamentar quanto na prorrogação. E, na decisão por pênaltis, brilhou a estrela do goleiro Bono, que defendeu três pênaltis – Sarabia, Soler e Busquets -, enquanto Marrocos converteu três chutes, perdeu apenas um e o placar de 3 a 0 classificou os Leões do Atlas às quartas de final. Na cobrança final, Hakimi fez de cavadinha e foi a prova maior da ironia, pois o lateral nasceu na Espanha, em Madri, chegou inclusive a jogar nas categorias de base do Real Madrid e no time principal, mas preferiu defender a seleção de seus pais, oriundos do Marrocos.
A queda precoce no Mundial fez Luis Enrique pedir demissão do comando técnico da seleção e rapidamente a RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol) promoveu Luis de la Fuente, então técnico da seleção sub-23, à comandante da equipe principal com contrato até a Eurocopa de 2024. A escolha surpreendeu, mas foi muito bem feita. O espanhol vinha comandando as seleções de base do país desde 2013, quando assumiu a equipe sub-13, até dirigir a seleção sub-21 entre 2018 e 2022 e chegar à sub-23 em 2021. Nesse período, De la Fuente pôde garimpar os melhores jogadores do país e criou uma das mais fortes equipes juniores do continente. Em 2015, por exemplo, ele venceu o campeonato europeu sub-19. Em 2019, venceu o campeonato europeu sub-21. E, em 2021, conduziu a Espanha à final das Olimpíadas de Tóquio, quando acabou perdendo para o Brasil por 2 a 1, na prorrogação.

Com essa experiência de quase 10 anos nas equipes de base, Luis de la Fuente tinha a confiança da federação e o apoio dos atletas, afinal, a grande maioria já conhecia o treinador. E ele iria formar um time baseado exatamente nos atletas que havia comandado nos Jogos Olímpicos e uma mescla de outros jogadores já consagrados em seus clubes. Na apresentação do novo treinador, o então presidente da RFEF, Luis Rubiales, exaltou De la Fuente.
“Com toda a humildade e modéstia, se há alguém que conhece o presente e o futuro do futebol espanhol é este homem que está sentado diante de vocês”.
Luis de la Fuente deixou claro que todos teriam chances naquele novo ciclo. “É uma nova etapa. Todos os jogadores selecionáveis têm as mesmas oportunidades. Existem bons futebolistas e todos têm as portas abertas. Sou um defensor do talento. Tentarei extrair o melhor de cada futebolista em prol do grupo”. Desde o início, De la Fuente mostrou que os jovens teriam espaço, assim como os mais experientes. Ele sempre dizia que “o compromisso com as pessoas em quem confiamos no sistema juvenil não é uma pose, é uma convicção” e que precisava de tempo para formar um time competitivo. Mas aquela nova Espanha ficaria “pronta” bem antes do esperado…
O caminho é pelas pontas
No dia-a-dia, Luis de la Fuente alternou sua equipe em um 4-3-2-1 e 4-2-3-1, com foco na posse de bola, como sempre, mas uma força incisiva no ataque pelas pontas. Com jovens velocistas e muito talentosos surgindo no país, De la Fuente conseguiu construir uma equipe rápida e letal nos cruzamentos para a área, principalmente por baixo, com os atacantes e meias finalizando de primeira, sem aquela morosidade tão característica em muitas equipes, que ciscam, ciscam e ciscam perto e dentro da área, mas não concluem ao gol. A Espanha seria uma equipe de ataque pelas pontas, em velocidade, usando bastante a qualidade de seus laterais e também de seus meias.

No gol, Unai Simón era absoluto na posição desde a Euro de 2020 e seguiu como preferido de Luis de la Fuente. Na lateral-direita, o veterano Jesús Navas era o escolhido na época, enquanto Carvajal teria mais espaço após a Liga das Nações. Na esquerda, Jordi Alba, em seus últimos momentos pela seleção, foi o capitão da equipe em diversas ocasiões, incluindo na final da Liga das Nações. No miolo de zaga, Le Normand e Laporte já faziam uma dupla muito segura, com velocidade para sair jogando e técnica para começar as jogadas lá de trás. No meio de campo, Rodri e Fabián Ruiz eram as opções de contenção, enquanto Gavi, Pino e Asensio tinham características mais de criação e ataque na linha de três.
No centro do ataque, Morata era a escolha comum, embora o atacante nunca tenha estado à altura de seus antecessores na seleção como Diego Costa, Fernando Torres, David Villa e Raúl, por exemplo, e sofresse bastante com as críticas pelo baixíssimo número de gols. Além desse 11 utilizado por De la Fuente naquele início de trabalho, ele ainda dava espaço para Mikel Merino e Dani Olmo durante as partidas.

O primeiro jogo da roja sob o comando de Luis de la Fuente foi em março de 2023, na vitória por 3 a 0 sobre a Noruega, na fase de qualificação da Eurocopa, com dois gols de Joselu e um de Dani Olmo. Três dias depois, a equipe acabou perdendo para a Escócia por 2 a 0 em Hampden Park, mas ainda tinha uma posição favorável à classificação. Em junho, a equipe encarou a Itália na semifinal da Liga das Nações da UEFA e estava disposta a acabar com a sina de maus resultados diante da Azzurra em competições continentais nos últimos anos.
Antes da semi, a Espanha superou Portugal (1 a 1 e 1 a 0), República Tcheca (2 a 2 e 2 a 0) e Suíça (1 a 0 e 1 a 2) para terminar em primeiro lugar no Grupo A2, com 11 pontos em seis jogos, e se garantir no “Final Four”. Para aquele jogo, De la Fuente apostou na experiência dos laterais Navas e Alba, escalou Rodri e Merino no meio de campo e compôs o sistema ofensivo com Rodrigo Moreno, Gavi, Yeremy Pino e Morata. Com apenas três minutos, os espanhóis abriram o placar com Pino. Aos 11’, Immobile, de pênalti, empatou. A Espanha não se abateu e, aos 88’, Joselu fez o gol da vitória que classificou a equipe ibérica para outra decisão de Liga das Nações.
Enfim, campeões!
O adversário da equipe espanhola na decisão foi a Croácia, que havia eliminado a Holanda nas semis e queria uma taça para coroar uma geração que vinha em ascensão desde o vice-campeonato na Copa do Mundo de 2018 e que havia ficado com o 3º lugar no Mundial de 2022. A partida seria muito complicada, com poucos espaços e sem grandes chances de gol. O zero não saiu do placar nem no tempo regulamentar nem na prorrogação. Com isso, a disputa foi para os pênaltis.

Os primeiros três batedores de cada lado converteram suas cobranças até Lovro Majer chutar o quarto da Croácia e o goleiro Unai Simón defender. Na última cobrança da Espanha, Laporte teve a chance de selar a vitória, mas chutou na trave. Nas cobranças alternadas, Petkovic chutou e Simón defendeu mais uma. Carvajal cobrou o último chute da Espanha e fez o gol que fechou o placar de 5 a 4 e o inédito título da Liga das Nações da UEFA dos espanhóis! A equipe se tornou naquele dia o segundo país a ter no currículo Copa do Mundo, Eurocopa e Liga das Nações em sua galeria, a exemplo da França.
“Essa geração promete muito. Somos muito fortes mentalmente. Temos coisas a melhorar, mas vencer é sempre bom. Temos que celebrar”, comentou o meio-campista Rodri após a partida.
O craque, aliás, viveu um ano mágico em 2023, pois venceu o Treble com o Manchester City e marcou o gol do título europeu dos Citizens na decisão diante da Internazionale. A conquista foi a primeira da Espanha desde o título europeu de 2012, encerrando um jejum que já passava de uma década. De quebra, deu à equipe muita confiança para o ciclo das Eliminatórias da Eurocopa.
Hora da garotada
Apesar do título da Nations, o ano de 2023 foi conturbado no futebol espanhol. Primeiro, o defensor Sergio Ramos, ao anunciar sua aposentadoria da seleção em junho, detonou a federação e a falta de prestígio que recebeu. Na sequência, o presidente Luis Rubiales deixou o cargo de presidente da RFEF após a polêmica na final da Copa do Mundo Feminina, quando deu um beijo sem consentimento na jogadora Jenni Hermoso durante a comemoração do título – a federação viveu tempos terríveis e ficou sob fiscalização inclusive do governo espanhol no começo de 2024. Dentro de campo, a seleção viu o meio-campista Gavi se lesionar em uma partida das Eliminatórias da Euro e perder o restante da temporada. E um possível reforço para a seleção, o meia Brahim Díaz, optou por se naturalizar marroquino e passar a defender a seleção de Marrocos.

Diante de tanta turbulência, Luis de la Fuente conseguiu blindar seu grupo e começou a dar mais espaço aos jovens. No primeiro jogo após o título da Liga das Nações, em setembro de 2023, contra a Geórgia, Nico Williams, de 21 anos, e Lamine Yamal, de apenas 16 anos (!), foram convocados e entraram no segundo tempo da goleada de 7 a 1 da Espanha pra cima da rival, com um gol de cada jovem, além de um de Olmo, três de Morata (que desencantou) e um contra de Kvirkvelia. O gol de Yamal fez dele o mais jovem jogador a marcar um gol em uma fase de qualificação da Euro na história! Era apenas o primeiros dos vários recordes que a revelação do Barcelona iria quebrar.

Conhecido de Luis de la Fuente das seleções de base, Yamal era o jogador que mais inspirava o futuro da seleção. Habilidoso, inteligente, rápido, destemido e com um talento impressionante para a pouca idade, ele já aguentava jogos bem complicados pelo Barcelona e demonstrou muita personalidade naquele início na seleção principal.
“Lamine é um talento natural do futebol numa escala excepcional. Existem muito poucos como ele. A sua grandeza será medida pelo quanto ele consegue manter-se ainda mais humilde a cada dia. Ele tem de manter o equilíbrio e a maturidade que lhe permitam evitar os grandes altos e baixos. Porque esta é a história do futebol, isso sempre acontecerá. O que há de especial agora é como é difícil fazer o que ele faz aos 16 anos e com tanta naturalidade.
Mas a nossa responsabilidade é ajudá-lo a manter os seus valores, humildade, responsabilidade e profissionalismo. Essas coisas farão dele uma pessoa ainda melhor à medida que crescer e um jogador de futebol ainda melhor. Para nossa grande sorte, é espanhol e esperamos que possamos desfrutar de um grande jogador de futebol, se tiver sorte, por muito tempo no topo do futebol mundial”. – comentou Luis de la Fuente, em entrevista ao site da UEFA.

Ver Yamal e outros jovens na seleção só reforçavam o trabalho de base da seleção espanhola e que tanto De la Fuente queria ver na equipe principal. “Estou na Federação Espanhola de Futebol há 11 anos e, desde o dia em que cheguei, vi que havia um modelo e uma ideia muito claros. Todos nós, treinadores, reforçamos esse conceito com as nossas próprias ideias para continuar a crescer. O mais importante é que a filosofia está completamente integrada no modelo da federação, de modo a que todas as selecções tenham a mesma ideia. O mais importante é que todos nós estamos empenhados e continuamos a acreditar neste estilo.
Mas isso de nada serve se não tivermos futebolistas excepcionalmente talentosos que são muito bem desenvolvidos nos seus clubes desde a mais tenra idade. Os clubes são os verdadeiros líderes neste domínio. Os jogadores atingem este nível com uma formação muito boa. Temos muito pouco tempo, mas temos uma vantagem, que é o grande talento e a continuidade de jogar nos escalões mais jovens durante 14 ou 15 anos, até chegarem à selecção principal. Aprenderam num percurso muito claro, o que lhes facilita a aprendizagem dos conceitos que cada treinador lhes ensina à medida que vão subindo de escalão”, explicou Luis de la Fuente, ao site da UEFA, em 2024.
Ainda pelas Eliminatórias, a Espanha goleou Chipre por 6 a 0, se vingou da Escócia e venceu por 2 a 0, bateu a Noruega em Oslo por 1 a 0, venceu Chipre, fora de casa, por 3 a 1 (com mais um gol de Yamal) e selou sua classificação com uma vitória por 3 a 1 sobre a Geórgia, em casa. A Espanha se classificou com 21 pontos, sete vitórias, uma derrota, 25 gols marcados e apenas cinco gols sofridos em oito jogos. Joselu e Morata, com 4 gols cada, foram os artilheiros da equipe no grupo.
Preparação
Já em 2024, Luis de la Fuente passou a escalar de maneira mais regular o 11 titular que planejava para a disputa da Eurocopa, na Alemanha. Além disso, estudou com cuidado os suplentes para que sua equipe não sofresse com queda técnica se um ou outro atleta tivesse que deixar o time por causa de lesão ou cartão acumulado. E esse planejamento foi essencial para a Espanha ter um dos elencos mais equilibrados entre todas as seleções da Eurocopa. Tudo bem que os dois primeiros desafios da temporada foram abaixo da média: derrota por 1 a 0 para a Colômbia, em amistoso disputado em Londres, e empate em 3 a 3 diante do Brasil, no Santiago Bernabéu, mas o time melhorou nos jogos seguintes e venceu bem a seleção de Andorra (5 a 0) e a Irlanda do Norte (5 a 1).

Nesses jogos, o time já era bem diferente do que venceu a Liga das Nações e tinha na lateral-esquerda o incansável Cucurella, Pedri ao lado de Rodri e Fabián Ruiz no meio de campo e o ataque com os imparáveis Nico Williams e Yamal pelas pontas e Morata como centroavante. Na convocação final, De la Fuente levou:
- Goleiros: Unai Simón (Athletic Bilbao), Raya (Arsenal-ING), Remiro (Real Sociedad);
- Defensores: Carvajal (Real Madrid), Jesús Navas (Sevilla), Laporte (Al Nassr-ARS), Le Normand (Real Sociedad), Nacho (Real Madrid), Vivian (Athletic Bilbao), Cubarsi (Barcelona), Grimaldo (Bayer Leverkusen-ALE) e Cucurella (Chelsea-ING);
- Meio-campistas: Rodri (Manchester City-ING), Zubimendi (Real Sociedad), Mikel Merino (Real Sociedad), Fabián Ruiz (PSG-FRA), Pedri (Barcelona), Marcos Llorente (Atlético de Madrid), Aleix García (Girona), Alex Baena (Girona) e Fermín (Barcelona);
- Atacantes: Ferran Torres (Barcelona), Dani Olmo (RB Leipzig-ALE), Nico Williams (Athletic Bilbao), Morata (Atlético de Madrid), Joselu (Real Madrid), Oyarzabal (Real Sociedad), Lamine Yamal (Barcelona) e Ayoze (Betis).
Chamava a atenção a variedade dos clubes pelos quais os convocados jogavam, acabando com o excesso de atletas de Barcelona e Real Madrid que tanto foram comuns na seleção nas temporadas passadas. Era uma mostra da nítida evolução do futebol no país e a importância que os clubes davam aos seus atletas, mantendo-os ao máximo em seus planteis. Outro ponto em destaque era que sete titulares da final olímpica de 2021 foram convocados: Unai Simón (titular), Marc Cucurella (titular), Martín Zubimendi, Mikel Merino, Pedri (titular), Mikel Oyarzabal e Dani Olmo (titular em boa parte dos jogos). A Espanha era, de fato, uma das favoritas ao título. E, em campo, provou que era a melhor do Velho Continente.
100%!

A Espanha entrou na Euro 2024 em um dos grupos mais complicados da primeira fase, pois teria pela frente a Itália – campeã da edição anterior – a Croácia – rival dos espanhóis na final da Liga das Nações de 2023 – e a Albânia, revelação da etapa de qualificação e comandada pelo técnico brasileiro Sylvinho. O primeiro desafio foi diante da Croácia, no belíssimo estádio Olímpico de Berlim, palco da decisão e onde os espanhóis queriam estar no dia 14 de julho. E, quando a bola rolou, a roja deu show e construiu a vitória apenas no primeiro tempo. Aos 29’, Morata recebeu de Fabián Ruiz e chutou na saída do goleiro para fazer 1 a 0. Minuto depois, Fabián Ruiz fez bela jogada na entrada da área e marcou um golaço: 2 a 0. Já nos acréscimos, Yamal cruzou e Carvajal, vivendo notável fase artilheira, marcou o terceiro gol.

Na segunda etapa, a Espanha mostrou que não era ótima apenas no ataque, mas também na defesa, e conseguiu segurar o ímpeto croata. De quebra, o goleiro Unai Simón ainda defendeu um pênalti de Petkovic e selou a vitória espanhola na estreia. No duelo seguinte, a equipe encarou a Itália e dominou a Azzurra. Com muita criatividade e chances criadas, os ibéricos só não abriram o placar cedo porque o goleiro Donnarumma fez um punhado de defesas que evitaram gols certos – foram nove chutes a gol no primeiro tempo, quatro em direção ao goleirão italiano.
Depois de tanto insistir, a Espanha foi premiada no começo do segundo tempo, quando Nico Williams fez jogada pela ponta e cruzou. Donnarumma espalmou, mas bola bateu em Calafiori, que marcou contra. O placar de 1 a 0 classificou a Espanha, que só cumpriu tabela na última rodada diante da Albânia e venceu por 1 a 0, gol de Ferran Torres. Com 100% de aproveitamento, nenhum gol sofrido e líder do grupo, a roja confirmou a boa fase e a condição de favorita. Era hora da fase final.
Passeio e a vitória sobre os “velhos fregueses”
Nas oitavas, a Espanha encarou a Geórgia, 3ª colocada no Grupo F e conhecida da equipe lá das Eliminatórias. Mesmo favorita, a roja sofreu um bocado até conseguir a vitória. Os georgianos foram pra cima no início do jogo e, aos 18’, Le Normand tentou cortar um cruzamento e acabou jogando contra o próprio gol, abrindo o placar para a Geórgia: 1 a 0. Atrás do placar pela primeira vez naquela Eurocopa, a Espanha experimentou um cenário novo, de ter que correr atrás da virada e enfrentar um rival bem postado no campo de defesa. Sem conseguir penetrar na zaga rival, o jeito foi começar a arriscar de longe. E, aos 39’, o meio-campista Rodri chutou da meia-lua e empatou o jogo: 1 a 1.

Com a bola sob seu domínio e dona do jogo, a Espanha teve mais tranquilidade no segundo tempo e começou a encontrar as lacunas que precisava para a virada. Logo aos 51’, Lamine Yamal fez boa jogada pela ponta e tocou para Fabián Ruiz anotar o segundo gol. Aos 75’, Nico Williams recebeu, entortou o zagueiro e fuzilou para marcar um golaço: 3 a 1. Oito minutos depois, foi a vez de Dani Olmo receber na entrada da área, ajeitar para a perna esquerda e fechar o placar: 4 a 1. A Espanha estava nas quartas de final! E o adversário seguinte foi simplesmente a Alemanha, dona da casa e rival da Espanha na final europeia de 2008.
Enfrentar a Nationalelf sempre foi um problema para qualquer equipe do planeta, mas a Espanha é uma das poucas – a outra é a Itália – a não temer os alemães. Nos grandes confrontos na história entre as duas seleções, a Espanha sempre saiu vitoriosa. Foi assim na Eurocopa de 1984, na fase de grupos, quando a roja venceu por 1 a 0. Foi assim na já citada final da Euro de 2008, em Viena. Foi assim na semifinal da Copa do Mundo da FIFA de 2010, quando a Espanha venceu por 1 a 0 e seguiu rumo ao título. E foi assim no histórico 6 a 0 válido pela Liga das Nações da UEFA de 2020-2021. Além disso, a Alemanha não vencia a Espanha em uma competição oficial desde os 2 a 0 válido pela Eurocopa de 1988, ou seja, há 36 anos.

Contando com a imensa maioria da torcida, a Alemanha esperava romper com aquela escrita na Mercedes-Benz Arena, em Stuttgart, mas a velocidade e posse de bola da Espanha foram predominantes em boa parte do jogo. Toni Kroos, que disputava sua última competição da carreira, impôs uma baixa no time ibérico ao chegar muito forte em Pedri e contundir o rival, que teve que ser substituído logo aos 8’ por Dani Olmo. E, após um primeiro tempo sem gols, foi justamente de Olmo o primeiro gol do jogo, aos 51’, quando Yamal fez a jogada e o camisa 10 completou para as redes. A Alemanha tentou empatar a todo custo e Füllkrug acertou a trave de Unai Simón, aos 32’. Até que, aos 89’, Wirtz, estrela do Bayer Leverkusen campeão da Bundesliga de 2024, aproveitou uma bola escorada por Kimmich e marcou o gol de empate.
O jogo foi para a prorrogação e ambas as equipes demonstraram respeito nos primeiros minutos e receio de levar gol. Mas, aos 13’ do segundo tempo, Olmo, grande nome espanhol naquela partida, apareceu bem no campo de ataque e tocou para Merino, que cabeceou e fez o gol da classificação para a semifinal! Mais uma vitória marcante da Espanha! E aumento da freguesia alemã diante dos espanhóis. Após o jogo, o herói Merino comentou sobre a vaga e a união do grupo, à Reuters. “Nos conhecemos há muito tempo. Esse é provavelmente no grupo mais unido em que já estive, e acredito que essa é a nossa maior força. A irmandade e o espírito de equipe”.
Fim da escrita e vaga na final
O rival da Espanha na semi foi a França, adversário que não trazia boas lembranças aos espanhóis, afinal, os franceses derrotaram a Espanha na final da Eurocopa de 1984, eliminaram a roja nas quartas de final da Euro 2000 e nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2006 e na final da Liga das Nações da UEFA de 2021. A única grande vitória da Espanha em um torneio de peso havia sido nas quartas de final da Euro de 2012, quando Xabi Alonso fez uma partidaça e garantiu a vitória da roja ao anotar os dois gols da vitória por 2 a 0.

Os titãs europeus se enfrentaram na Allianz Arena, em Munique (ALE) e a França, com um grupo acostumado aos grandes jogos, abriu o placar aos 8′, com Kolo Muani. Sem se abater, a Fúria foi pra cima e empatou em um golaço de Lamine Yamal, de fora da área, aos 21′, o que fez dele o jogador mais jovem a marcar um gol na história da Eurocopa. Apenas quatro minutos depois, a Espanha virou em gol de Dani Olmo, em bela jogada dentro da área. Na segunda etapa, o cansaço físico pesou, a França não conseguiu ser objetiva, Mbappé não foi decisivo e a Espanha ficou com a vitória por 2 a 1 e a vaga na decisão. E que momento de Yamal, melhor jogador da partida e autor do golaço que recolocou a Espanha na partida.

“Antes de tudo, estou muito feliz pela vitória e por avançar para a final. Não sei se é o melhor gol do torneio, mas para mim foi o mais especial por ser o primeiro pela seleção principal na Euro, então é muito especial e estou feliz pela classificação à final. A partir dos 60 minutos, só pensei em chegar à final. E quando o juiz apitou, fiquei muito feliz, porque na última Eurocopa estava com meus amigos e é um sonho estar com o time adulto nesta decisão. Farei o que for preciso para auxiliar a equipe”, resumiu Yamal após o jogo.
Os Reis da Europa!
A Espanha começou sua trajetória na Euro em Berlim. E para Berlim ela voltou para encerrar sua campanha impecável, até então com seis vitórias em seis jogos. O último desafio era a Inglaterra, presente pela segunda vez seguida em uma final de Euro e querendo acabar com o interminável jejum de quase 60 anos sem um grande troféu. O problema era que o time inglês não estava jogando nada e vinha superando seus rivais em jogos sofridos e sem justificar o elenco estrelado que tinha – muito por culpa do técnico Southgate e da falta de “apetite” dos jogadores do English Team. Já a roja foi com sua gana para vencer intacta e completa, com a volta de Carvajal na lateral-direita (após cumprir suspensão diante da França) e Olmo já consolidado no meio de campo desde a saída de Pedri.

Quando a bola rolou, os times demonstraram muito nervosismo e pouca objetividade, com um mísero chute real a gol na primeira etapa, da Inglaterra. No segundo tempo, logo aos 2’, a Espanha ligou o modo turbo e, em uma jogada que começou na direita, do campo de defesa, Lamine Yamal avançou em diagonal e trouxe a marcação consigo. Ele viu a brecha pela esquerda e só tocou para Nico Williams, como um foguete, chutar de primeira e fazer 1 a 0.

O gol desnorteou a Inglaterra, e a Espanha teve mais chances para fazer o segundo e perdeu grandes oportunidades, em especial uma com Lamine Yamal, que chutou e exigiu enorme defesa de Pickford. Parecia mesmo que o título ia ficar com a Espanha, mas o técnico Southgate mexeu no time e colocou Watkins no lugar de Kane e Palmer no lugar de Mainoo. E, em um ataque pela direita puxado por Saka, a Inglaterra saiu da lona. O meia invadiu a área, tocou no meio para Bellingham, que escorou para trás e Palmer, em seu primeiro toque na bola, mandou a redonda pra dentro: 1 a 1.

O jogo ficou dramático e a Espanha teve outra chance aos 81’, com Yamal, que mais uma vez chutou e Pickford fez uma defesa impressionante. Mas a Espanha seguiu querendo definir no tempo regulamentar e, aos 86’, Cucurella apareceu pela esquerda, cruzou rasteiro e Oyarzabal, que havia entrado no lugar de Morata, tocou de primeira, se antecipando ao zagueiro, para fazer 2 a 1. Três minutos depois, a Inglaterra teve uma chance absurda dentro da área, mas Dani Olmo tirou de cabeça, em cima da linha, uma cabeçada inglesa, e praticamente “marcou um gol”.
O jogo foi para os acréscimos, mas a Espanha foi absoluta e controlou o placar. Ao apito do árbitro, o Olímpico de Berlim viu a consolidação de mais um tetra no futebol. Depois da Itália em 2006 na Copa do Mundo, era a vez da Espanha ser tetracampeã da Eurocopa e se isolar como recordista em troféus na história do torneio, superando as três taças da Alemanha. Após a vitória, a emoção tomou conta de todos, em especial do técnico Luis de la Fuente. “Continuamos a ser quem somos. Estes jogadores sabem interpretar todas as ações do jogo. São os melhores do mundo. Somos uma família e assim conquistamos o título. Muito orgulhoso por eles e por mim”, disse o treinador.


A Espanha terminou a Eurocopa com 100% de aproveitamento e uma campanha histórica:
- 7 jogos
- 7 vitórias
- 15 gols marcados (melhor ataque em uma só edição de Euro, superando os 14 gols da França-1984)
- 4 gols sofridos
- Média de 17 chutes a gol por jogo
- Média de 6 chutes no gol por jogo
Rodri foi eleito o Melhor Jogador da competição e Lamine Yamal ganhou o prêmio de Melhor Jogador Jovem. Na seleção do torneio, seis atletas foram eleitos para o All-Star Team: Cucurella, Rodri, Fabián Ruiz, Dani Olmo, Nico Williams e Lamine Yamal. Campeã da Liga das Nações e da Euro, a Espanha repetiu Portugal de 2016-2019 e garantiu os dois principais troféus da UEFA em um mesmo período. A equipe ibérica também se classificou para a Finalíssima, quando deveria enfrentar a Argentina, campeã da Copa América de 2024. Porém, o confronto foi cancelado por causa dos conflitos no Oriente Médio e falta de consenso de datas entre as federações (no entanto, tal duelo iria acontecer em uma ocasião muito especial…).

Decepção na Nations League
Após o título continental, a equipe do técnico De La Fuente voltou seu foco para a disputa da Nations League de 2024-2025, cujos primeiros compromissos começaram já no mês de setembro de 2024. No Grupo A, a Espanha enfrentou a Sérvia, fora de casa, e empatou sem gols, resultado que encerrou a série de 9 jogos seguidos com vitórias de La Roja. O time, porém, se recuperou e venceu os cinco jogos seguintes: 4 a 1 na Suíça (fora), 1 a 0 na Dinamarca (em casa), 3 a 0 na Sérvia (em casa), 2 a 1 na Dinamarca (fora) e 3 a 2 na Suíça (em casa).
Classificada, a Espanha enfrentou a Holanda nas quartas de final e fez um jogo bastante disputado na ida, em Roterdã, no estádio De Kuip. Nico Williams abriu o placar aos 9’ e Gakpo empatou para os anfitriões, aos 28’. No segundo tempo, Reijnders virou para a Holanda no primeiro minuto e a Espanha aproveitou uma expulsão de Jorrel Hato, as 81’, para sufocar os laranjas e arrancar um empate aos 90’+3’, quando Nico Williams bateu colocado, Verbruggen espalmou e Mikel Merino aproveitou o rebote para completar para o gol.

Na partida de volta, no Mestalla (Valência), a Espanha saiu na frente em gol de pênalti de Oyarzabal, mas a Holanda empatou também de pênalti, com Memphis Depay. Oyarzabal fez mais um e Maatsen empatou, levando o duelo para a prorrogação. Com times bastante ofensivos, o jogo seguiu eletrizante e Lamine Yamal deixou a Espanha na frente, aos 103’. Só que a Holanda não desistiu e fez o gol de empate, aos 109’. O 3 a 3 forçou as penalidades e a Espanha venceu por 5 a 4, garantindo seu lugar na semifinal.
Jogando em Stuttgart (ALE), a Espanha teve pela frente a poderosa França, em um duelo que reuniu as duas seleções com as melhores safras de craques da atualidade. E o jogo foi histórico, frenético, repleto de belos lances e, claro, muitos e muitos gols, parecendo até que havíamos entrado em uma máquina do tempo e voltado aos anos 1940 ou 1950, tempos em que placares elásticos e pirotécnicos eram comuns.

Nico Williams abriu o placar aos 22’ do primeiro tempo e Merino ampliou apenas três minutos depois. A Roja ainda poderia ter feito 3 a 0, mas o VAR anulou. A França tentou descontar no primeiro tempo, mas o goleiro Unai Simón fez grandes defesas. No segundo tempo, Lamine Yamal invadiu a área e, antes de tentar marcar, foi derrubado. Pênalti, cobrado por ele mesmo: 3 a 0. A França parecia na lona e ficou mais ainda um minuto depois, quando Pedri começou a jogada com um domínio estupendo, avançou, tocou na esquerda para Nico Williams, este devolveu para Pedri, na área, que chutou no canto e marcou um golaço: 4 a 0. Espanha na final, certo? Com certeza! Minutos depois, a França teve um pênalti a seu favor, convertido por Mbappé. Mas Lamine Yamal, aos 67’, invadiu a área francesa e tocou de biquinho para fazer 5 a 1.
Era um passeio da Espanha, o maior desde os 4 a 0 em um amistoso de 1942. Só que aí, após algumas mexidas em ambos os lados, a França acordou. Aos 79’, Mbappé tocou no meio para Cherki, estreante da noite, que dominou e, da meia-lua, marcou um golaço. Cinco minutos depois, Cherki tocou na direita para Malo Gusto, que cruzou e Vivian mandou para a rede, contra. E, já nos acréscimos, Cherki (de novo!) cruzou para a área e Kolo Muani cabeceou para fazer outro: 5 a 4. A goleada da Espanha virou um jogo maluco e equilibrado! Só que não havia mais tempo. Com apenas dois minutos de acréscimos restantes dos cinco dados pelo árbitro, os Bleus tiveram que ficar apenas sonhando com o “e se tivesse mais tempo”… A Espanha foi para a final. No susto, mas foi.
Na decisão, a Roja teve pela frente o vizinho ibérico Portugal, em uma partida gigante que honrou a história recente de ambas as seleções e os tantos craques em campo. A Espanha abriu o placar aos 21’, com Zubimendi, após aproveitar passe de Lamine Yamal. Portugal não se abateu, e, com seu formidável meio de campo formado por Vitinha, Bruno Fernandes e Bernardo Silva, mostrou ao rival que estava em igualdade. E que tinha um extra: o lateral Nuno Mendes, simplesmente colossal naquele jogo. E foi dele o gol de empate, apenas cinco minutos depois.

Mas, no último minuto do primeiro tempo, Oyarzabal aproveitou bela jogada de Pedri e deixou a Espanha em vantagem novamente. No segundo tempo, o jogo perdeu ritmo, com a Espanha administrando o placar e Portugal atacando menos. Isso até Nuno Mendes aparecer aos 61’ e mandar a bola na área. Adivinhe quem estava lá? Cristiano Ronaldo, decisivo, pleno, assim como na semifinal. O capitão só tocou a bola pro gol e empatou: 2 a 2. O jogo ficou dramático e a partida foi para a prorrogação.
No tempo extra, ninguém marcou e a decisão acabou indo para os pênaltis, que não teriam CR7, Lamine ou Nico Williams, todos substituídos. Os batedores foram convertendo seus chutes um a um até Morata chutar mal a quarta cobrança espanhola e o goleiro Diogo Costa defender. No último chute português, Rúben Neves fez, fechou o 5 a 3 e deu o bicampeonato a Portugal, vencedor da primeira final ibérica na história do futebol europeu. O revés foi um duro golpe no mar calmo que a seleção espanhola navegava na época e uma lição para as Eliminatórias para a Copa do Mundo que se aproximavam. O técnico De La Fuente comentou sobre a partida.
“Quando terminou a partida, falei com os rapazes e todos disseram que Portugal foi a melhor seleção que defrontaram. O que se pode melhorar contra uma equipe assim? Nada. Estivemos bem. Defrontámos uma grandíssima seleção. Se não tivessem feito o 2º gol, agora estaríamos a falar de outra forma. Devíamos ter finalizado melhor as nossas chances, mas o futebol é assim. Portugal é um justo vencedor”.
Classificados e os últimos preparativos para o Mundial
O vice-campeonato da Nations League fez o técnico Luis de la Fuente rever algumas coisas em seu time. Apesar de o ataque funcionar muito bem, mais até do que na Eurocopa, a zaga se mostrou vulnerável e levou uma quantidade de gols que não era normal para o padrão espanhol. O treinador precisava encontrar um equilíbrio entre ataque e defesa que não deixasse a equipe tão exposta. E, para isso, a posse de bola e o controle das partidas deveriam ser retomados como na Espanha de 2008-2012. O Tiki Taka seria “religado” na trajetória das Eliminatórias, com um time mais dominador e igualmente competitivo.
E isso foi visto na tranquila campanha que garantiu a vaga na Copa do Mundo de 2026. Entre setembro e novembro, a Roja derrotou facilmente seus rivais do Grupo Q das Eliminatórias Europeias e carimbou seu lugar no Mundial. Tudo começou com triunfo por 3 a 0 sobre a Bulgária, em Sofia, com gols de Oyarzabal, Cucurella e Merino. Depois, goleada de 6 a 0 sobre a Turquia, com três gols de Merino, dois de Pedri e um de Ferran Torres.

Na terceira rodada, vitória em casa sobre a Geórgia por 2 a 0 (gols de Pino e Oyarzabal), seguida de uma goleada de 4 a 0 sobre a Bulgária, em casa, com gols de Merino (2), Oyarzabal e Chernev (contra). Na quinta rodada, mais uma goleada – 4 a 0 sobre a Geórgia, fora, com dois gols de Oyarzabal, um de Zubimendi e outro de Ferran Torres – e empate com a Turquia em 2 a 2, em casa, com gols de Olmo e Oyarzabal.
Com 16 pontos, cinco vitórias, um empate, 21 gols marcados e apenas dois sofridos em seis jogos, a Espanha teve uma das melhores campanhas das Eliminatórias Europeias e mostrou que era uma das grandes favoritas ao título. Oyarzabal e Merino, com 6 gols cada, foram os artilheiros da equipe e do grupo no geral. Já em 2026, a equipe disputou quatro amistosos, com duas vitórias – 3 a 0 na Sérvia e 3 a 1 no Peru – e dois empates – 0 a 0 com o Egito e 1 a 1 com o Iraque. De La Fuente anunciou os convocados no final de maio e fez história por não levar nenhum jogador do Real Madrid, algo inédito nas participações da equipe em Mundiais.
- Goleiros: Unai Simón (Athletic Bilbao), David Raya (Arsenal-ING) e Joan García (Barcelona);
- Defensores: Cucurella (Chelsea-ING), Grimaldo (Bayer Leverkusen-ALE), Cubarsí (Barcelona), Laporte (Athletic Bilbao), Pubill (Atlético de Madrid), Eric García (Barcelona), Marcos Llorente (Atlético de Madrid) e Pedro Porro (Tottenham Hotspur-ING);
- Meias: Pedri (Barcelona), Fabián Ruiz (PSG-FRA), Martín Zubimendi (Arsenal-ING), Gavi (Barcelona), Rodri (Manchester City-ING), Álex Baena (Atlético de Madrid) e Mikel Merino (Arsenal-ING);
- Atacantes: Mikel Oyarzabal (Real Sociedad), Dani Olmo (Barcelona), Nico Williams (Athletic Club), Yeremy Pino (Crystal Palace-ING), Ferran Torres (Barcelona), Borja Iglesias (Celta de Vigo), Víctor Muñoz (Osasuna) e Lamine Yamal (Barcelona).

Antes da Copa, o treinador não quis falar muito sobre favoritismo e jogou o peso para os rivais. “O que significa ser favorito? Esses comentários vêm do exterior. E, em segundo lugar, o que significa ser favorito? Ter chances de ganhar a Copa do Mundo? Mas, honestamente e com base no que sabemos, somos realmente mais favoritos que a França ou a Argentina? Mesmo sendo melhor que os rivais, você pode perder. Nos sentimos fortes e capazes. É positivo ser o favorito, mas o futebol pode te levar para o alto ou para o fundo do poço”.
No Grupo H da Copa, ao lado de Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai, a Espanha era favorita para avançar em primeiro lugar, mas o técnico De La Fuente pregou cautela com o adversário africano, ainda pouco conhecido do grande público, na conferência de imprensa pré-jogo.
“Se alguém pensa que o jogo com Cabo Verde vai ser fácil, está equivocado com certeza. É uma equipe veloz, com conceitos táticos muito bem definidos. Conseguiram deixar Camarões de fora da Copa do Mundo [nas eliminatórias africanas], e muitos jogadores atuam nas ligas europeias. Pode ser uma das surpresas do Mundial. O grande público descobrirá amanhã o que pode ser Cabo Verde”, destacou o técnico.
O mais assustador é que o espanhol parecia ter o dom da premonição, pois Cabo Verde seria, de fato, a grande surpresa e sensação do Mundial. Como bem sentiu a Espanha em sua estreia.
Barrados por Vozinha
Na estreia da Copa, De La Fuente não pôde contar durante os 90 minutos com Lamine Yamal, que se recuperava de lesão e seria baixa naqueles jogos da fase de grupos. O jovem, aliás, não poderia jogar o Mundial com suas melhores condições físicas e isso seria uma baixa considerável no poder de fogo do time. Apesar disso, Oyarzabal, Ferran Torres, Olmo e Merino estavam bem e eram nomes que poderiam fazer a diferença. De La Fuente apostou em um 4-3-3 na estreia contra Cabo Verde, com Torres, Oyarzabal e Gavi mais à frente e Fabián Ruiz, Rodri e Pedri no meio de campo, com Llorente e Cucurella nas laterais e a dupla de zaga formada por Cubarsí e Laporte, com Unai Simón no gol.

Quando a bola rolou, todos esperavam uma vitória fácil da Roja, mas o que se viu foi uma equipe sem criatividade e que esbarrou no forte esquema defensivo de Cabo Verde, em especial no goleiro Vozinha, de 40 anos, que fez grandes defesas e virou o melhor jogador da partida. A Espanha teve 65% de posse de bola, chutou 27 vezes ao gol contra apenas seis de Cabo Verde, teve 11 escanteios, mas nada disso foi suficiente para a equipe balançar as redes do goleiro africano.
No segundo tempo, De La Fuente até colocou Yamal e Nico Williams nos minutos finais, mas a dupla, voltando de lesão, não pôde fazer nada. O resultado foi decepcionante e lembrou em muito a equipe sem poder de fogo da Copa de 2018, como no fatídico jogo contra a Rússia, nas oitavas de final, quando a Espanha trocou mais de 1000 passes e não fez um gol sequer, sendo eliminada nos pênaltis. A imprensa espanhola não poupou críticas ao time.

“Uma seleção irreconhecível, sem futebol nem recursos, foi incapaz de ganhar de Cabo Verde, protagonista de um milagre. Lamine Yamal e Nico Williams entraram tarde demais e nem conseguiram ajudar. […] A Espanha colocou Cabo Verde no mapa, uma decepção colossal na estreia que serve de lição. De La Fuente pareceu ter esquecido o relógio em casa O estilo de jogo espanhol, baseado na posse de bola, acabou se transformando em uma série de jogadas confusas e cruzamentos imprecisos, enquanto o rival ainda deu sustos em Unai Simón”, estampou o jornal Marca (ESP).
O técnico espanhol não escondeu a frustração com o empate e fez um mea culpa no pós-jogo. “Você pode fazer muito, mas às vezes não é o suficiente para vencer. E mais, mesmo quando você faz muito, pode perder para times claramente inferiores. Todos nós temos que melhorar. Eu, em primeiro lugar”.
De volta aos trilhos e classificados
Precisando de uma resposta rápida, a Espanha foi para o duelo contra a Arábia Saudita sedenta pela vitória. E Lamine Yamal, mesmo sem estar 100%, começou o jogo desde o início, formando o trio de ataque com Oyarzabal e Álex Baena. No meio, Rodri, Pedri e Olmo seguiram no time titular, assim como o quarteto defensivo. E o jogo foi totalmente outro. Claro que o adversário ajudou, mas o time ibérico foi soberano desde os primeiros minutos e abriu o placar aos 10’, com Lamine Yamal aproveitando passe rasteiro de Oyarzabal e marcando seu primeiro gol em Copas. Aos 21’, Oyarzabal fez o segundo gol e anotou mais um três minutos depois, após toque de cabeça de Dani Olmo.

Só na etapa inicial, foram 17 chutes a gol contra apenas dois do time saudita. Muito confortável no jogo, a equipe se poupou na etapa final, com Yamal e Oyarzabal substituídos já no intervalo, para evitar o desgaste físico. E, aos 49’, após cobrança de escanteio, Cucurella finalizou, o goleiro defendeu e a bola bateu em Al-Tambakti, que anotou contra: 4 a 0. No final do jogo, Ferran Torres até fez o quinto gol, mas o tento foi anulado por impedimento. O triunfo animou a torcida e deixou a equipe mais tranquila em busca da vaga, principalmente após o empate de Cabo Verde diante do Uruguai.
Destaque da vitória, Oyarzabal comentou sobre a volta por cima. “Como atacante, você não pode esperar tocar na bola a cada minuto; você precisa ser preciso com os poucos toques que tiver. Há momentos em que você pode ajudar a equipe mesmo sem tocar na bola. Desde pequeno, tive a oportunidade de interpretar o jogo da melhor maneira possível”, disse o atacante, que foi muito criticado na estreia por quase não ter tocado na bola durante o jogo contra Cabo Verde.
No último jogo do grupo, contra o tradicional Uruguai, a Espanha enfrentou um adversário desesperado e que precisava da vitória para se classificar. O time europeu foi paciente e, aos 42’, Baena chutou e contou com uma incrível e bisonha falha do goleiro Muslera para fazer 1 a 0. O Uruguai trocou de goleiro no intervalo (!) e jogou sua vida na etapa final. Só que os sul-americanos não conseguiam levar perigo real ao gol de Unai Simón.

Por outro lado, a Espanha pecou no último toque e não liquidou o jogo quando podia, principalmente faltando cinco minutos para o fim, quando Ferran Torres chutou cara a cara com o goleiro Rochet e acertou o travessão. O 1 a 0 classificou a Espanha em primeiro lugar com 7 pontos em três jogos e eliminou o Uruguai, que viu Cabo Verde, com três pontos, ficar com o segundo lugar e uma inédita vaga na etapa de 16 avos de final.
Fim da zica e a defesa intransponível
No primeiro jogo eliminatório, a Espanha teve pela frente a Áustria e uma escrita: desde o título de 2010 que o país não conseguia vencer um jogo de mata-mata de Copa. Em 2014, a Roja nem sequer se classificou. Em 2018, caiu nos pênaltis diante da Rússia. E, em 2022, também caiu nos pênaltis contra Marrocos. Era um jejum que incomodava e que precisava ser destruído de vez. E os espanhóis provaram que os tempos eram outros. Com mais uma partida dominante e muitas chances de gol criadas – foram 23 chutes contra míseros cinco dos austríacos -, a Espanha abriu o placar aos 36’, quando Pedri conduziu até a intermediária e tocou para Cucurella, que cruzou rasteiro e Oyarzabal bateu de primeira para fazer 1 a 0.

No segundo tempo, Cucurella ganhou dividida e tocou para Baena, que cruzou e Pedro Porro cabeceou para ampliar. O terceiro gol saiu perto do final do jogo, quando Cucurella, em partidaça, deu um lindo lançamento para Oyarzabal fazer seu quarto gol na Copa: 3 a 0. A vitória classificou a Espanha, enfim, para a próxima etapa e rendeu ainda um feito histórico. Como o goleiro Unai Simón não levou gols da Áustria, ele atingiu a marca de 519 minutos sem ser vazado, o novo recorde na história dos Mundiais!

A façanha de Simón teve início lá nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2022. Naquela ocasião, a Espanha enfrentou a surpreendente seleção de Marrocos e o placar de 0 a 0 permaneceu tanto no tempo regulamentar quanto na prorrogação. Com isso, Unai Simón entrou no Mundial de 2026 com sua paliza zerada desde aquele fatídico duelo, que terminou com vitória marroquina nos pênaltis.
Na fase de grupos, Simón não levou gols nos três jogos da Roja e entrou na fase 16 avos de final com o recorde de Walter Zenga perto de ser superado. E, com o fácil triunfo espanhol por 3 a 0, Simón atingiu os incríveis 519 minutos sem levar gols e superou a marca de Walter Zenga, detentor do recorde durante 36 anos, ao permanecer 517 minutos sem levar gols na Copa de 1990.
A revanche no clássico ibérico
Nas oitavas de final, a Espanha teve pela frente um velho conhecido: Portugal, que ainda não tinha convencido na Copa e havia sofrido bastante no duelo contra a Croácia. Era o terceiro duelo entre os vizinhos em Copas, que se enfrentaram nas oitavas de 2010, com vitória espanhola por 1 a 0, e na fase de grupos de 2018, com empate eletrizante em 3 a 3. A Espanha ainda tinha na memória a derrota nos pênaltis da Liga das Nações de 2025 e queria a revanche. O jogo, como esperado, foi muito brigado e com equilíbrio na posse de bola – praticamente metade para cada equipe, com ligeira vantagem espanhola – 50% a 41%. Os dois times tiveram boas chances no primeiro tempo, sendo a principal delas com o português Nuno Mendes, que mandou uma bola na trave de Unai Simón.
Na segunda etapa, Yamal foi mais incisivo no ataque e levou perigo ao gol de Diogo Costa, enquanto Portugal tentava furar a retaguarda espanhola em jogadas com Bruno Fernandes e Rafael Leão, que entrou no lugar de João Félix, aos 71’. De La Fuente apostou em Mikel Merino, aos 85’, e queria decidir ainda no tempo normal. Uma prorrogação àquela altura seria angustiante e com grande risco de pênaltis. Até que, nos acréscimos, Ferran Torres deu belo passe nas costas da zaga portuguesa e Merino apareceu para finalizar: 1 a 0.


Assim como 2010, o placar mínimo deu a vitória à Espanha no clássico e eliminou Portugal, em mais uma decepção de um time que brilha nos torneios europeus desde 2016, mas não consegue ir além em Copas. O lateral Pedro Porro comentou sobre a vitória no pós-jogo. “A diferença esteve nos detalhes. Fiquei muito feliz com a vitória. No jogo anterior foi nos pênaltis e agora nos detalhes, pois Portugal tem grandes jogadores como Vitinha e Bruno Fernandes. É trabalhar e pensar no próximo jogo”. Já o autor do gol, Mikel Merino, definiu que “foi uma loucura” anotar o tento da vitória nos minutos finais da partida. E o técnico De La Fuente rasgou elogios ao atacante e aos seus jogadores.
“Mikel Merino nunca falha, é uma aposta segura. Foi decisivo na Eurocopa contra a Alemanha e sempre aparece nos momentos cruciais. É um dos melhores do mundo na posição. Meus jogadores de banco seriam titulares em qualquer seleção; decido pelo melhor para a equipe, nunca por oportunismo”.
O 5º jogo seguido sem levar gol fez a Espanha igualar o feito da Itália de 1990, até então a única equipe a permanecer cinco partidas seguidas em uma só Copa sem ter sua meta vazada. E Unai Simón aumentou ainda mais seu recorde de minutos com paliza zero: 609 minutos.
O único gol sofrido e vaga na semi
Nas quartas de final, a Espanha encarou a Bélgica, que vinha embalada após uma classificação épica diante de Senegal na fase 16 avos de Final e de goleada por 4 a 1 sobre os EUA nas oitavas. Espanhois e belgas já haviam se enfrentado em outras duas Copas: nas quartas de final de 1986, com empate em 1 a 1 e vitória belga nos pênaltis por 5 a 4, e na fase de grupos do Mundial de 1990, com vitória espanhola por 2 a 1. De La Fuente mudou o time pela primeira vez naquela etapa eliminatória e deixou Oyarzabal sozinho no ataque, montando uma linha de três na intermediária com Yamal na direita, Olmo no meio e Álex Baena à esquerda.
No meio de campo, Fabián Ruiz e Rodri jogariam mais fixos a fim de evitar os avanços rápidos do time belga, que apostava na boa fase do atacante De Ketelaere e nos meias Trossard, De Bruyne e Doku. Quando a bola rolou, a Espanha dominou as ações como nas outras partidas, tocando a bola de pé em pé até encontrar o espaço necessário para o gol. Em alguns momentos, o time ibérico colocava todos os seus jogadores no campo belga e os diabos vermelhos não tinham alternativa a não ser se defender.

Até que, aos 29’, Pedro Porro conduziu a bola pela direita, tabelou com Yamal e ganhou na corrida de Jérémy Doku. O camisa 12 cruzou rasteiro, Olmo finalizou de primeira e Courtois defendeu. No rebote, Fabián Ruiz apareceu livre para fazer 1 a 0. Cinco minutos depois, Yamal quase fez o segundo em cobrança de falta que Courtois espalmou. Só dava Espanha, que agredia pelos lados e em boas chegadas de Yamal, mas faltava o camisa 19 calibrar o pé. Depois de tanto se defender, a Bélgica conseguiu um ataque aos 41’, quando Castagne recebeu nas costas de Baena e Cucurella e cruzou. De Ketelaere ganhou de Cubarsí e tocou de cabeça para empatar: 1 a 1.
Depois de 650 minutos, Unai Simón foi vazado em uma Copa do Mundo. E a Espanha, enfim, levou seu primeiro gol naquele Mundial. Na segunda etapa, a partida ganhou mais equilíbrio e a Bélgica teve mais oportunidades para virar, como aos 9’, quando Doku e De Bruyne tabelaram e a bola sobrou para De Cuyper, que chutou na rede pelo lado de fora. A Espanha tomou as rédeas da partida após os 60’, e dois chutes de Yamal levaram bastante perigo para o goleiro Courtois, que fez lindas defesas e evitou o segundo gol espanhol. Mas a Espanha ganhou um reforço inesperado aos 71’, quando o camisa 1 belga sentiu uma lesão e teve que ser substituído pelo goleiro reserva Lammens. E seria o camisa 22 o “responsável” pela classificação espanhola.
Aos 88’, Cubarsí chutou de fora da área sem grande perigo, mas Lammens defendeu com rebote ao invés de espalmar. A bola sobrou na pequena área e Mikel Merino, muito atento, completou para o gol, fechando a vitória da Roja: 2 a 1. No exato momento do gol, as câmeras mostraram a imagem de Courtois, no banco de reservas, em profundo lamento. Se fosse ele, jamais aquele gol teria saído. Azar belga, sorte da Espanha, classificada para a semifinal depois de 16 anos! Só que o próximo adversário iria exigir ainda mais dos espanhóis: a França, invicta e com o temido trio de ataque formado por Dembélé, Mbappé e Olise.
Olé nos favoritos!
O duelo entre Espanha e França era tido como uma “final antecipada” da Copa de 2026, pois ambos eram favoritos desde o início da competição e provaram, jogo a jogo, que não estavam entre os quatro melhores times do Mundial por acaso. De La Fuente valorizou seu time no pré-jogo e disse que não temia a equipe de Deschamps. “É lógico que vamos dar o nosso melhor para vencê-los; acho que eles estão tão preocupados quanto nós. Somos o único time que os derrotou em duas partidas consecutivas. Um grande time enfrentará outro grande time.” De fato, as duas últimas semifinais foram vencidas pela Espanha, tanto na Euro de 2024 quanto na Nations League de 2025. E o treinador sabia como neutralizar as armas francesas: tendo a bola e não deixando a França controlar o ataque como estava acostumada.

Muito mais organizada e com um toque de bola envolvente e irrepreensível, a equipe do técnico De La Fuente simplesmente anulou o temido ataque francês comandado por Mbappé, Olise e Dembélé e não sofreu qualquer susto durante os 90 minutos – apenas um contra-ataque no primeiro tempo, que não foi devidamente aproveitado. Mais incisiva, a Espanha tomou conta da partida e, aos 22’, Digne cometeu pênalti em Lamine Yamal que Oyarzabal bateu e fez: 1 a 0.
No segundo tempo, logo aos 13’, Pedro Porro fez tabela com Dani Olmo e tocou na saída do goleiro Maignan para ampliar. O terceiro quase saiu minutos depois, mas Yamal estava impedido. Dali em diante, o time ibérico só esperou o tempo passar, viu uma França inoperante e conseguiu a vingança pela eliminação na Copa de 2006. O triunfo por 2 a 0 colocou a Espanha na final do Mundial exatos 16 anos depois do título de 2010. Já o apagão francês provou que a Espanha atual é, de fato, a “kriptonita” dos Bleus, que não venceram nenhum título desde a Nations League de 2021, levantada justamente diante da Espanha. O triplete espanhol sobre os franceses ficou completo: vitória na semi da Euro de 2024, vitória na semi da Nations de 2025 e vitória na semi da Copa de 2026. Um verdadeiro Olé!

O mais impressionante foi o time ficar mais um jogo sem levar gols, principalmente da França. “Acho que não sofrer gols é uma das coisas mais importantes no futebol; faz uma diferença enorme. Talvez houvesse comentários de que a defesa e o goleiro não estavam no seu melhor nível, mas acho que calamos muita gente. Sofremos apenas um gol e estamos na final. Acho que estamos fazendo um trabalho incrível, e isso é mérito de todos, tanto de quem joga quanto de quem está no banco”, destacou o zagueiro Pau Cubarsí, no pós-jogo.
O técnico De La Fuente também celebrou a vitória com entusiasmo. “Hoje nós enfrentamos uma das grandes seleções do mundo, que tem os melhores jogadores do mundo, mas temos também o melhor time do mundo. Esses jogadores sempre deixam tudo em campo e mostram dia após dia esse compromisso, com sua generosidade, sua solidariedade e seu talento. É maravilhoso vê-los jogar, é um espetáculo. Eles fazem tudo ser mais difícil para o adversário. Estou bastante orgulhoso e feliz”. Ele ainda relembrou a mentalidade vencedora do elenco.
“Eu vejo um vestiário feliz e uma nação nos apoiando. Recuperamos o espírito de 2010. O caráter desta equipe fica evidente no fato de que aqueles que não jogaram permaneceram para treinar após a partida”.

De fato, aquela Espanha não era apenas uma boa equipe. Era um time formado por atletas vencedores e com mentalidade vencedora não só na seleção, mas em seus clubes. Todos vinham de grandes títulos recentes por Arsenal, Athletic Bilbao, Barcelona, Chelsea e Real Sociedad, por exemplo, com a maioria deles como protagonistas. Sabiam como se portar em jogos grandes, tinham confiança e não se abalavam por nada. E as falas do técnico De La Fuente só reforçavam essa confiança excessiva. Ele não falava como alguém petulante. Falava como alguém convicto do que era capaz e com o foco necessário para vencer.
Na final, a Espanha era a favorita plena. Chegava sem prorrogações nem desgastes físicos. Invicta. Com apenas um gol sofrido. E o adversário final era simplesmente a Argentina, que vinha superando jogos épicos no embalo do craque Messi e de um time que não desistia nunca.
O “amasso” do bi
A final entre Espanha e Argentina gerou enorme expectativa por ser um duelo raro de acontecer em grandes competições – era apenas um jogo válido por Copas, na fase de grupos de 1966, com triunfo argentino por 2 a 1, o resto apenas amistosos – e por reunir duas nações apaixonadas por futebol, com respeito mútuo e jogadores emblemáticos com identificação tanto na Argentina quanto na Espanha. Além disso, era a segunda final da história com os dois países falantes da mesma lingua – espanhol, a exemplo da final de 1930 entre Argentina e Uruguai. O jogo era a provável despedida de Messi das Copas e de um jogador que foi o alter ego da própria Espanha, que construiu seu estilo de jogo baseado na genialidade do argentino em seus tempos de Barcelona. Era um jogo muito simbólico. Só que se desenrolou de maneira totalmente diferente do esperado.

Ao invés de enfrentar uma equipe aguerrida e competitiva, a Espanha se deparou com uma Argentina travada e que não ofereceu perigo. E isso aconteceu muito por causa da proatividade espanhola desde o início da partida. Os espanhois tiveram a bola sob seu domínio e não deixaram a Argentina jogar. O problema foi, de novo, a falta de decisão nas tantas chances criadas. Yamal acabou tendo uma partida discreta, assim como Oyarzabal. A Roja insistiu demais nos passes rasteiros e o gol não saía. Dibu Martínez, apesar dos rebotes, era o personagem argentino com boas defesas. Os sulamericanos faziam muitas faltas para parar o jogo e ganhar tempo, deixando claro que a ideia era levar o duelo para a prorrogação e talvez pênaltis.
Era um claro jogo de um time só, com o outro agindo como mero espectador e praticando o antijogo. A Espanha tinha a bola em todo momento e, quando não tinha, fechava os espaços e não permitia qualquer criação argentina. Tanto é que, durante os 90 minutos, a equipe sul-americana não deu nenhum chute a gol! Para piorar, a Argentina teve um jogador expulso nos acréscimos do segundo tempo – Enzo Fernández – e teve que jogar o tempo extra com um a menos. A Espanha continuou a pressionar e, aos 106’, Pedro Porro cruzou, Nico Williams cabeceou para trás, e Ferran Torres finalizou livre. Ele bateu forte, no alto, e a Espanha conseguiu superar o goleiro Dibu Martínez: 1 a 0.


Era um roteiro parecido com o de 2010: jogo difícil, mais posse de bola e gol na prorrogação. Se Iniesta foi o herói naquela decisão no Soccer City, Ferran Torres era o protagonista de 2026. A Argentina tentou fazer nos minutos seguintes tudo o que não fez nos outros 106, mas não teve forças para empatar, em um nítido cansaço e esgotamento depois de tantos épicos nas fases anteriores. E, ao apito do árbitro Slavko Vincic, o sonhado bicampeonato mundial se tornou realidade. Apesar do jogo fraco (e bem chato, para dizer a verdade), o título foi justo e premiou a equipe que protagonizou o futebol mais coletivo da Copa e que teve o melhor desempenho defensivo da história: apenas um gol sofrido em oito jogos. A Espanha venceu sete jogos, empatou um e marcou 14 gols.


Na decisão, os espanhóis tiveram 65% de posse de bola contra 35% da Argentina e chutaram 20 vezes ao gol contra apenas duas da Argentina. Cubarsí ganhou o prêmio de Melhor Jogador Jovem, Unai Simón levou a Luva de Ouro e Rodri a Bola de Ouro.
“Muito orgulho por essa geração de jogadores que foram crescendo com essa ideia, dando exemplo de grupo, de família. Grandes jogadores com um talento excepcional. Sinto orgulho por ter acompanhado isso. Me sinto muito feliz, feliz pelos nossos jogadores extraordinários. Alguns estão trabalhando conosco há muitos anos, 12 anos. Passamos por toda essa trajetória juntos, é um orgulho para mim, somos quase uma família”, comentou De La Fuente após a conquista.

O atacante Ferran também comentou sobre o título. “Bom, no final, este gol não foi só eu que marquei, foram 46 milhões de espanhóis, foram os 26 jogadores que formamos aqui. É pela Espanha. Hoje o destino estava escrito, era para que ganhássemos”. A imprensa internacional foi unânime ao enaltecer o título espanhol e a justiça pela conquista, principalmente pela forma incontestável de como foi vencido. E o título mundial ainda veio com um bônus: a Espanha chegou aos 38 jogos sem perder e se tornou a dona do recorde mundial de invencibilidade de seleções!
Os influentes do século
O bicampeonato mundial confirmou o sucesso espanhol no século XXI. Com duas Copas do Mundo e três Eurocopas, além de uma Nations League, a seleção é a mais vencedora dentre todas as grandes equipes e expandiu seu domínio para as seleções de base (a Espanha é a atual campeã olímpica no futebol masculino) e até para o futebol feminino, no qual também é a atual campeã mundial. Apesar de não ter tido um desempenho ofensivo brilhante ao longo da Copa se comparado com equipes como França, Inglaterra e Argentina, donas dos melhores ataques com 20, 20 e 19 gols, respectivamente, e dos artilheiros – Mbappé-FRA (10 gols), Messi-ARG (8 gols) e Bellingham-ING (7 gols) -, a Espanha criou um estilo próprio de jogo que é influente e reconhecido em todo mundo.


É uma seleção com desempenho semelhante ao de um clube multicampeão que consegue manter seu time-base por um longo tempo, renovando determinados jogadores e desenvolvendo outros tantos talentos. Ter a bola virou um mantra seguido à risca desde 2008 e, apesar da saturação em tal sistema entre 2014 e 2022, quando a posse de bola não tinha criatividade nem gerava gols, a seleção voltou a ser competitiva com Luis de la Fuente, que deixou o time mais versátil, mais profundo, sereno nas transições, mais imprevisível no ataque e mais sólido na defesa. É a seleção mais fácil de se identificar, mas também a mais difícil de ser vencida. Afinal, correr atrás da bola dá muito trabalho. Ter ela é mais fácil. E é o que a Espanha voltou a fazer e continuará fazendo por um bom tempo.
Os personagens:
Unai Simón: titular absoluto do Athletic Bilbao e no clube desde 2018, Unai Simón começou a ser convocado para a seleção principal em 2020, quando desbancou vários concorrentes na época e ganhou a confiança de Luis Enrique, que levou o jovem para a Eurocopa de 2020. Aos poucos, ele foi tomando conta da meta espanhola e cresceu bastante de produção principalmente após a chegada de Luis de la Fuente, que conhecia Simón desde as categorias de base. Muito seguro e com 1,90m de altura, fez grande defesas ao longo da Euro de 2024 e também na campanha do título da Liga das Nações, quando defendeu dois pênaltis na final contra a Croácia. Na Copa do Mundo, fez história com o novo recorde de minutos sem sofrer gols e se destacou por jogar avançado, quase como um líbero, interceptando contra-ataques e surpreendendo os atacantes rivais.
Pedro Porro: com a saída iminente de Carvajal, o lateral ganhou espaço a partir de 2024 nas convocações de Luis de la Fuente e virou um dos principais nomes do setor direito da defesa espanhola. Com um fôlego invejável, força na marcação e maciço apoio ao ataque, Pedro Porro brilhou na Copa de 2026, marcou dois gols e iniciou a jogada do gol do título mundial diante da Argentina, além de ser eleito para o All-Star Team da competição. Vivendo a melhor fase da carreira, o lateral deve seguir na equipe nos próximos anos.
Carvajal: um dos mais experientes do grupo, o lateral-direito sofreu com algumas lesões antes do período da Euro – principalmente entre 2020 e 2021 -, mas deu a volta por cima e estendeu sua grande fase pelo Real Madrid para a roja. Com a regularidade de sempre, precisão nos desarmes, muita raça e boa chegada ao ataque, virou uma peça importante no esquema tático do técnico De la Fuente e teve estrela na final da Liga das Nações, quando bateu o pênalti de cavadinha para selar o título inédito. Na Euro, foi impecável, marcou gol nos 3 a 0 sobre a Croácia, na fase de grupos, e foi fundamental para o equilíbrio defensivo do time. Foi expulso no final do jogo contra a Alemanha, nas quartas de final, mas retornou na decisão e fez uma grande partida diante da Inglaterra.
Jesús Navas: veteraníssimo, o lateral de 38 anos marcou seu nome como um dos mais vencedores atletas da Espanha neste século, seja no âmbito de clubes, seja pela própria seleção. Ele esteve no grupo campeão do mundo em 2010 e também no time campeão da Eurocopa de 2012 e da Liga das Nações de 2023, esta como titular. Na Euro, foi reserva de Carvajal, mas entrou como titular no duelo contra a Albânia, como capitão, e deu conta do recado no difícil duelo contra a França, na semifinal, quando substituiu o companheiro, suspenso, e conseguiu conter Mbappé e companhia com muita leitura de jogo e eficiência tática.
Cubarsí: cria do Barcelona, o jovem zagueiro de 19 anos começou a vestir a camisa da Espanha a partir de 2024, em especial após a conquista da medalha de Ouro nos Jogos de Paris, e ganhou a confiança do técnico De La Fuente para integrar o elenco titular. Com uma maturidade impressionante, enorme senso de colocação e facilidade para iniciar contra-ataques e até arriscar chutes de fora da área, Cubarsí fez uma dupla impecável de zaga ao lado de Laporte na Copa do Mundo e seu esforço foi recompensado no final: levou o prêmio de Melhor Jogador Jovem do Mundial. O defensor tem tudo para se tornar um dos melhores zagueiros de sua geração.
Le Normand: o zagueiro nasceu na França, mas optou por jogar pela Espanha após se consolidar na Real Sociedad e ser um dos destaques do time campeão da Copa do Rei de 2019-2020, quando a equipe basca bateu o rival Athletic Bilbao na decisão por 1 a 0. Le Normand começou a jogar pela seleção em 2023 e rapidamente virou a primeira escolha do técnico Luis de la Fuente, assim como Laporte, graças à sua qualidade para sair jogando e grande senso de colocação e antecipação. Acabou perdendo espaço com a ascenção de Cubarsí.
Nacho: apto para jogar na zaga e também na lateral-direita e na lateral-esquerda, o defensor foi outro veterano que cumpriu seu papel quando entrou, embora nunca tenha sido uma unanimidade na seleção – foram apenas 29 jogos entre 2013 e 2024, por exemplo. Muito bom marcador e com técnica para lançamentos e passes, Nacho colecionou títulos no Real Madrid, onde jogou de 2011 até 2024.
Laporte: é o responsável pela força e presença física na zaga espanhola. Marcador implacável, muito bom nas jogadas aéreas, nos passes e com enorme senso de posicionamento, foi um gigante nas conquistas da Liga das Nações, da Eurocopa e da Copa do Mundo, jogando todas como titular absoluto.
Eric García: polivalente, capaz de atuar como zagueiro, lateral ou volante, foi outro jogador que ganhou a confiança de Luis de la Fuente após integrar a seleção campeã olímpica nos Jogos de Paris-2024 e foi convocado para a Copa de 2026 mesmo com poucas partidas na equipe titular.
Cucurella: o lateral-esquerdo foi um dos principais destaques da Eurocopa de 2024 não só por sua cabeleira, mas também pelas partidas extremamente eficientes que desempenhou. Com uma notável aplicação tática, lançamentos precisos e muito bom nos cruzamentos, foi uma arma importante tanto na parte defensiva quanto na ofensiva. Após começar a ser vaiado nas semifinais e na final pela torcida alemã por conta de um toque de mão não marcado pela arbitragem no duelo contra os anfitriões, nas quartas de final, Cucurella respondeu aos críticos com bom futebol e passe para o gol do título diante da Inglaterra. Uma bela resposta! Após a conquista, o lateral seguiu em alta, manteve a titularidade e foi um porto seguro na campanha do título mundial, participando ativamente das jogadas ofensivas e com sua tradicional raça nas disputas de bola. Depois de brilhar no Chelsea, foi contratado pelo Real Madrid e vestirá o manto merengue a partir da temporada 2026-2027.
Jordi Alba: o veterano esteve no grupo campeão da Liga das Nações e, como já havia integrado a equipe desde os tempos de Luis Enrique, foi mantido por Luis de la Fuente para as partidas do Final Four. Com a qualidade de sempre, foi bem e ajudou a Espanha na conquista do título inédito, tendo a honra de erguer a taça como capitão. Acabou se aposentando da equipe logo após a conquista, em 2023. Foram 93 jogos e 9 gols marcados pela Fúria entre 2011 e 2023, além dos títulos da Eurocopa de 2012 e da já citada Liga das Nações da UEFA de 2022-2023.
Rodri: um dos melhores meio-campistas do mundo nos últimos anos, Rodri provou que não desfilava suas virtudes apenas pelo Manchester City e também fez partidas espetaculares pela Espanha. Com uma visão de jogo assombrosa, passes perfeitos e presença de ataque, esteve em todos os grandes momentos da seleção nesse período. Na Eurocopa, foi simplesmente incontestável ao acertar uma média de 94% dos passes e recuperar quase sete bolas por jogo, além de ter marcado um gol no duelo contra a Geórgia. Não por acaso, Rodri foi eleito o melhor jogador da Eurocopa de 2024. No mesmo ano, ganhou o Ballon d’Or e, em 2026, foi capitão e referência do meio de campo da Espanha campeã do mundo. Não por acaso, o craque levou a Bola de Ouro de melhor jogador do Mundial e entrou para o grupo dos Seletos, os craques que venceram na carreira Copa do Mundo, Liga dos Campeões e Ballon d’Or. Já é uma lenda espanhola.
Zubimendi: um dos destaques da Real Sociedad entre 2019 e 2025, o meio-campista se tornou uma das maiores revelações espanholas dos últimos anos e já foi comparado a Sergio Busquets por causa da enorme qualidade nos passes, visão de jogo e controle de bola, além de ajudar a criar oportunidades de gol. O jovem foi titular no duelo contra a Albânia, na primeira fase da Euro de 2024, e jogou também as partidas contra Croácia, França e Inglaterra, essas vindo do banco de reservas. Após o título continental, foi jogar no Arsenal, onde se transformou em um dos destaques do time campeão inglês de 2025-2026. Na Copa, acabou perdendo espaço e só jogou alguns minutos da final.
Fabián Ruiz: outro conhecido do técnico Luis de la Fuente desde as categorias de base, o meio-campista gastou a bola pelas seleções sub-19 e sub-21 até começar a ser convocado para a equipe principal em 2019, por Luis Enrique. Aos poucos, foi ganhando mais oportunidades e virou o principal companheiro de Rodri no meio de campo da roja, ajudando na marcação, na recuperação e no início de contra-ataques, além de poder jogar tanto mais à frente quando na contenção. Fez uma grande Eurocopa e marcou dois gols, um diante da Croácia e outro diante da Geórgia. Na Copa, seguiu como peça importantíssima do time e marcou o gol que abriu o caminho da vitória por 2 a 1 sobre a Bélgica, nas quartas de final.
Dani Olmo: polivalente, capaz de jogar centralizado, como meia, ou como ponta, Olmo foi um dos jogadores mais decisivos dessa Espanha nos últimos anos, daqueles que parece jogar melhor na seleção do que em seu próprio clube. Rápido, oportunista e com enorme senso de posicionamento, marcou um gol na vitória contra a Geórgia, nas oitavas, e substituiu Pedri em uma fogueira, nas quartas de final diante da Alemanha. Pois ele não só assumiu a responsabilidade como marcou um gol e deu passe para outro na vitória por 2 a 1! Olmo seguiu no time titular, marcou outro gol, na semifinal, contra a França, e fez uma partidaça diante da Inglaterra na final. Ele foi um dos artilheiros da Eurocopa com 3 gols. No Mundial, atuou em várias posições no setor ofensivo e deu uma assistência na vitória por 2 a 0 sobre a França, na semifinal.
Pedri: outro grande meio-campista de sua geração, Pedri começou a ser convocado para a seleção principal em 2021 e jogou a Copa do Mundo de 2022 como titular no time de Luis Enrique. Após o Mundial, seguiu na equipe como um dos muitos conhecidos de Luis de la Fuente e virou uma das peças principais do setor de criação ofensiva da Espanha. Na Euro, de uma assistência na vitória sobre a Croácia e jogou as partidas contra a Itália e Geórgia. No duelo contra a Alemanha, porém, o jovem sofreu uma entrada de Toni Kroos logo aos 8’ do primeiro tempo que acabou lesionando seu joelho e encerrando sua participação no torneio. Na Copa, foi titular na fase de grupos e nos primeiros jogos do mata-mata, até perder espaço a partir das quartas de final.
Nico Williams: o atacante já havia provado seu valor na histórica conquista do título da Copa do Rei do Athletic Bilbao em 2024 e continuou a mostrar sua estrela pela Espanha. Quando Luis de la Fuente assumiu, o técnico não pensou duas vezes e criou um esquema de jogo que privilegiasse o estilo incisivo, rápido e driblador de Williams pela ponta-esquerda. E, com ele em campo, a Espanha levou os adversários à loucura com as jogadas de efeito que o craque criou. Nico Williams marcou dois gols na Euro: um na partida contra a Geórgia (no qual ele também deu uma assistência e teve 100% de precisão nos passes!) e outro na decisão diante da Inglaterra. Aliás, Nico Williams foi o melhor jogador da final e entrou de vez para o rol de heróis da Fúria na história da competição. Na Copa, não foi titular por causa de uma lesão, mas teve tempo de retornar na reta final e deu o passe para o gol do título de Ferran Torres.
Gavi: o meia era um dos principais jogadores da Espanha entre 2022 e 2023 até sofrer uma grave lesão que encerrou sua trajetória na temporada 2023-2024. Com isso, ele acabou perdendo a chance de disputar a Eurocopa. Antes, Gavi foi titular e essencial na conquista da Liga das Nações da UEFA de 2022-2023. Por conta disso, perdeu espaço na equipe titular e acabou no banco durante a Copa.
Pino: foi o ponta-esquerda titular da Espanha em 10 jogos no período 2022-2023 e no Final Four da Liga das Nações que terminou com o título espanhol. Fez bons jogos, mas perdeu a posição para o fenômeno Lamine Yamal e não foi mais convocado. Retornou em 2026 por conta da ótima fase vestindo a camisa do Crystal Palace-ING e foi levado para a Copa, integrando o elenco campeão.
Lamine Yamal: ele entrou na Eurocopa com 16 anos. Quebrou recordes como o mais jovem a disputar uma partida oficial no torneio e também a marcar gol – aliás um golaço, diante da França. Teve que entregar trabalho de escola enquanto estava na concentração. E, mesmo com toda sua juventude, foi um jogador que parecia ter anos e anos de experiência. Lamine Yamal fez da Eurocopa de 2024 sua porta de entrada para o estrelato no futebol. A competição serviu para mostrar, a quem ainda não o conhecia, exemplos de suas qualidades – que deverão melhorar ainda mais ao longo do tempo: ele tem velocidade, visão de jogo, não teme adversário algum, sabe ajudar na marcação, chuta bem de dentro e fora da área, cria oportunidades de gol, dá passes precisos, dribla e gosta de jogo grande. Yamal foi eleito o melhor jogador jovem da Eurocopa e virou um xodó instantâneo do torcedor espanhol. E tudo com apenas 17 anos, completados durante a Euro! Um assombro!
Na Copa, Yamal tinha tudo para ser um dos melhores jogadores da competição, mas uma lesão antes do início do torneio acabou prejudicando seu desempenho e ele não conseguiu ser o atacante incisivo e matador de antes. Mesmo assim, marcou um gol e deu trabalho para as zagas rivais ao longo da Copa. Se estiver bem, deve viver seu auge no Mundial de 2030.
Merino: o meia esteve no grupo campeão europeu sub-19 em 2015 e, claro, foi um dos jogadores escolhidos por De la Fuente para compor o elenco desse ciclo vitorioso. Com boa presença física, imposição nas jogadas aéreas e qualidade nos passes, Merino foi campeão da Liga das Nações e herói na Eurocopa ao marcar o gol da vitória por 2 a 1 sobre a Alemanha, nas quartas de final. Mas foi na Copa que o espanhol provou ser mesmo decisivo ao marcar o gol da classificação diante de Portugal, nas oitavas de final, e também diante da Bélgica, nas quartas.
Asensio: outro que teve a confiança do técnico De la Fuente naquele início de trabalho, Asensio ajudou o time ibérico a vencer a Liga das Nações da UEFA atuando como titular, mais à frente do meio de campo, e integrou também o elenco vice-campeão olímpico em Tóquio. Com a ascensão dos jovens e muita concorrência no setor, acabou de fora das convocações posteriores.
Morata: o atacante nunca foi uma unanimidade na equipe, mas sempre teve voz no elenco e muita confiança, tanto é que assumiu a braçadeira de capitão. Em campo, ficou devendo bastante em alguns jogos e só marcou gol na estreia, diante da Croácia. Na reta final do torneio, deu uma assistência para o gol de Lamine Yamal diante da França, na semifinal. O fato é que Morata não conseguiu ser a referência como outros centroavantes espanhóis foram no passado e parou de ser chamado em meados de 2025.
Oyarzabal: capitão da Real Sociedad há anos, inclusive nas campanhas dos títulos das Copas do Rei de 2020 e 2026, o atacante fez grandes jogos pela Espanha no período e esteve em todas as seleções de base, além de brilhar na campanha olímpica de 2020 com três gols e marcar um gol na final da Liga das Nações de 2021, quando a Espanha perdeu para a França. Após perder duas finais seguidas pela seleção e sofrer uma lesão que o tirou do grupo campeão da Liga das Nações de 2023, Oyarzabal deu a volta por cima na Eurocopa, quando foi titular em uma partida e entrou em todas as outras seis. Na última, a grande final, Oyarzabal recebeu um passe de Cucurella e marcou o gol do título europeu da Espanha diante da Inglaterra. Enfim, ele conseguiu sua redenção. E aumentou ainda mais na Copa, quando anotou cinco gols e foi o artilheiro da Espanha na trajetória do título mundial.
Joselu: o atacante talismã do Real Madrid campeão europeu de 2023-2024 não teve muitas chances no time titular, mas entrou em algumas oportunidades em 2023 e 2024 e marcou gols – foram 5 em 13 jogos, um deles na semifinal da Liga das Nações, diante da Itália.
Álex Baena: outro campeão olímpico com a seleção em 2024, ganhou espaço no time do técnico de La Fuente e virou titular em vários jogos da Copa do Mundo, brilhando na vitória sobre o Uruguai por 1 a 0, na fase de grupos, quando marcou o gol da vitória. Capaz de jogar mais aberto pela esquerda e também como meia de ligação, mostrou boa polivalência no ataque e fez uma Copa eficiente. Com o título mundial, ele se tornou o primeiro jogador europeu a vencer Copa do Mundo, Eurocopa e Ouro Olímpico.
Ferran Torres: convocado desde 2020, o atacante viveu grande fase no Barcelona a partir de 2024 e virou um dos principais atletas do elenco do técnico De La Fuente. Apesar da concorrência com Oyarzabal e Yamal, esperou o momento certo para brilhar. E foi justamente na final da Copa, quando marcou o gol do título diante da Argentina e celebrou o momento mais icônico de sua carreira.
Luis De La Fuente (Técnico): com o conhecimento das categorias de base, dos jogadores e do estilo de jogo incorporado na Espanha há anos, De la Fuente criou um dos times que apresenta o melhor futebol no mundo atualmente. Avesso ao toque de bola sem propósito, ele fez a Espanha tocar a bola, mas ir pra cima, criar chances e chutar, algo que faltou durante muitos anos após 2014. Em 49 jogos no comando da equipe – entre dezembro de 2022 e julho de 2026 – De La Fuente acumulou 37 vitórias, 10 empates e apenas duas derrotas, com 126 gols marcados e 35 sofridos, um aproveitamento de 75,5%. Tem tudo para continuar com um grande trabalho e conduzir a Espanha a um raro bicampeonato seguido da Copa do Mundo da FIFA em 2030.

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