Uefa intensifica críticas à Fifa contra venda de fatia da Copa do Mundo e alerta sobre ganância no esporte – Brasil 247


247 – A Uefa emitiu um novo posicionamento oficial nesta quarta-feira (29) reforçando sua firme oposição aos planos da Fifa de comercializar uma fatia dos direitos econômicos da Copa do Mundo para investidores privados. Em tom contundente, a entidade europeia declarou que a organização máxima do futebol mundial “não pode usar nosso esporte para continuar enriquecendo a si própria e seus aliados”, ressaltando que o objetivo central da modalidade deve ser o desenvolvimento do esporte da “maneira correta”.

No comunicado mais recente, a federação europeia expôs a insatisfação do meio esportivo e criticou abertamente os métodos de pressão adotados pela entidade global. “Hoje tomamos conhecimento do prazo estabelecido pela Fifa para que as associações apoiem suas propostas ou tenham retirada a oferta de um pagamento único. Isso diz tudo o que é preciso saber sobre esse plano”, revelou a Uefa.

A nota acrescenta ainda a dimensão da rejeição à medida no cenário mundial: “Após conversar com diversos envolvidos no futebol, a Uefa sabe que há uma oposição significativa e crescente ao projeto da Fifa. A Fifa não pode continuar usando o nosso esporte para enriquecer a si própria e aos seus aliados. Podemos desenvolver o futebol da maneira correta. É hora de priorizar as associações, os clubes, as ligas, os jogadores e os torcedores”, publicou a entidade.

A escalada da crise ocorre após uma primeira manifestação da Uefa, divulgada na terça-feira (28), na qual afirmou que o projeto “ultrapassa uma linha que as instituições do futebol jamais deveriam cruzar”. Na ocasião, a federação destacou que “a alma e a governança do futebol não são ativos para negociação. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo”. A reação ganhou ainda mais força nesta quarta-feira, quando a Federação Inglesa, a Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) se juntaram publicamente à Uefa, aumentando consideravelmente a pressão política sobre a gestão da Fifa.

O projeto de US$ 20 bilhões e a presença de investidores americanos

O plano da Fifa consiste na criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma empresa subsidiária que passará a administrar toda a gestão comercial de grandes competições da entidade, como a Copa do Mundo, o Mundial de Clubes e os torneios de base. A nova estrutura é avaliada com um valor de mercado estimado em US$ 20 bilhões (cerca de R$ 102,6 bilhões). A intenção da gestão da Fifa é vender até 20% dessa participação para agentes privados, buscando captar cerca de US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,5 bilhões).

Entre os potenciais compradores interessados em fatias comerciais do torneio está um grupo de investidores liderado por Joshua Kushner, CEO da firma de capital Thrive Eternal e irmão de Jared Kushner, ex-conselheiro sênior e genro de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. A Fifa esclareceu que Jared não integra o grupo financeiro em questão. A estruturação do projeto conta ainda com o assessoramento financeiro do banco JP Morgan e com a participação de Greg Maffei, CEO da BANN Ventures e ex-presidente e CEO da Liberty Media, grupo responsável pela Fórmula 1.

A aproximação entre o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o entorno político de Trump intensificou-se ao longo da Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, período em que o cartola foi visto com frequência ao lado do líder norte-americano. Reportagens indicam que o projeto comercial também serve de pano de fundo para o futuro pessoal de Infantino: favorito à reeleição em 2027, o dirigente poderá assumir o comando da nova subsidiária ao encerrar seu mandato na presidência da Fifa, em 2031.

Para sair do papel, a proposta precisa passar pelo crivo do Conselho da Fifa e obter a aprovação da maioria das 211 associações-membro da entidade. O plano foi apresentado por Infantino aos conselheiros na véspera da final da Copa do Mundo, em Nova York. Tentando conter as objeções, a Fifa garantiu que a fatia dos investidores privados será rigorosamente minoritária — entre 20% e 30% das ações — e que manterá controle exclusivo sobre a FFE, preservando a organização, o calendário internacional e todas as decisões regulatórias e esportivas das competições.

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