Hermès fatura mais no primeiro semestre apesar de França e do Médio Oriente – ECO


A Hermès registou 8,2 mil milhões de receitas no primeiro semestre de 2026, mais de metade do que tinha conseguido no total de 2025 e quando ainda falta o período de vendas mais importante do ano, as épocas festivas.

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Segundo os dados da casa francesa, divulgados esta quarta-feira, a empresa aumentou as receitas em 6,1% (a câmbios constantes) e fechou junho com uma margem operacional recorrente de 41%.

A Hermès registou receitas consolidadas de 8.163 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, mais 6,1% a taxas de câmbio constantes e 1,6 % em valores publicados, segundo os resultados divulgados esta quarta pela casa francesa de luxo. A faturação atingiu 4 094 milhões de euros no segundo trimestre, o equivalente a um crescimento de 6,7% a câmbios constantes e de 4,8% em termos reportados, numa aceleração face aos 5,6 % registados a câmbios constantes nos primeiros três meses do ano.

O resultado operacional recorrente aumentou de 3.327 milhões para 3 351 milhões de euros. O lucro líquido atribuível aos acionistas da empresa ficou praticamente estável em 2.238 milhões de euros, contra 2.246 milhões no período homólogo, e subiu para 2.500 milhões quando excluída a contribuição excecional aplicada em França aos lucros das grandes empresas.

Os artigos de pele e selaria mantiveram-se como a mais importante área de negócio da Hermès, com receitas de 3.761 milhões de euros, mais 9,8% do que no mesmo período em 2025. O crescimento é de 10,2% no segundo trimestre de 2026, suportado por um aumento da capacidade de produção e, acredita a companhia, pela procura de itens como as malas Birkin e Kelly.

A divisão de seda e têxteis cresceram 9,7% no primeiro semestre, para 469 milhões de euros, e os outros negócios da Hermès, que incluem joalharia e artigos para a casa, avançaram 5,4% para 1.065 milhões.

Menos exuberante foi o crescimento das divisões de vestuário e acessórios, com um crescimento de 2% para 2 198 milhões, relógios, que ficaram praticamente estáveis (aumento de 0,2%). Perfumes e beleza contrariam os resultados globais da Hermès: recuaram 4,5%, para 233 milhões de euros de receita, apesar dos novos lançamentos. “Beleza está a ir bem, perfumes estão a ir bem nas nossas lojas, mas não fora”, resumiu Axel Dumas.

Por regiões:

  • As Américas apresentaram o maior crescimento do semestre, com as vendas a aumentarem 15,3% para 1 585 milhões de euros
  • O Japão teve uma subida de 11%
  • Na Europa, sem França, o avanço foi de 8,8% e a faturação chegou aos 1 165 milhões de euros.
  • A Ásia sem o Japão, o maior mercado da empresa em valor, cresceu 2,4 % a câmbios constantes, para 3 533 milhões de euros, apesar de ter recuado 1,2 % em termos publicados.
  • O Médio Oriente caiu 4,2%. “Temos vendas ligeiramente piores, onde crescíamos dois dígitos, mas o que devem ver é a resiliência”, reforçou Axel Dumas na apresentação dos resultados.
  • França avançou apenas 1,8%.

Os resultados em França motivaram perguntas ao CEO da empresa durante a apresentação de resultados. Axel Dumas confessou preocupação com o que se passa no país, onde a Hermès detém o maior número de lojas. “Os turistas continuam a vir a França, mas menos. Continuamos a ter clientes franceses, mas temos menos turistas vindos do Médio Oriente, por razões óbvias, e isso afetou as nossas lojas francesas, sobretudo as parisienses”, admitiu, acrescentando que será necessário acelerar no segundo semestre e lembrando que é uma “particularidade” da marca querer vender nos mercados locais, o que explica que as vendas no Japão, China e Coreia sejam sobretudo nestes países.

No primeiro semestre do ano, a Hermès abriu lojas em Hanói e Pequim, inaugurou espaços em Nagoya e Londres e reabriu unidades renovadas em Hong Kong, Taipé, Osaka e Berlim.

Axel Dumas insistiu que os materiais e produção estão no centro do trabalho da Hermès. “A nossa maior garantia é que produziremos com qualidade”, afirmou. “Qualidade antes de crescimento”, disse, reforçando várias vezes o caráter artesanal da marca e o crescimento “muito orgânico”. “Não temos departamento de marketing, gerimos o nosso inventário com grande flexibilidade”.



“Continuamos a ter a nossa ambição de crescer na pele. Teremos em 2030 mais um local de produção em Frnaça e continuamos o nosso plano baseado em três aspetos : a produção artesanal, manter a formação e não ceder e a capacidade de encontrar pele ao nosso nível. E isso preocupa-me porque com a industrialização temos pele de pior qualidade. Por isso, investimos muito no seu tratamento. Estamos a produzir o máximo que conseguimos na qualidade que consideramos adequada”, disse.

A estratégia de abertura e remodelação de lojas vem de 2025 e acompanha a estratégia de abertura de novas oficinas de artigos em pele, em Loupes. Mantém-se para os próximo semetre. A empresa prevê inaugurar outras três unidades em França até 2030, em Charleville Mézières, Colombelles e Les Andelys, além de concluir em 2028 a expansão da fábrica de relógios em Le Noirmont, na Suíça.



A Hermès investiu 344 milhões de euros nas operações durante o semestre, distribuiu 1,9 mil milhões em dividendos, recomprou 94 846 ações por 160 milhões e contratou mais de 600 pessoas, elevando para 27 107 o número de trabalhadores.

Para 2027, estão previstas aberturas de lojas em Brooklyn e Chicago, nos EUA, e também no Rio de Janeiro.





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