Trump renova ameaça de ataque contra o Irã e acusa país de ‘quebrar a palavra’ com frequência | Mundo


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, renovou ameaças de ataque contra o Irã nesta sexta-feira ao ser questionado por jornalistas sobre a guerra no Oriente Médio. “Nós vamos atacá-los. Vamos atacá-los com muita força. Em algum momento, eles vão dizer: ‘Simplesmente não aguentamos mais’”, afirmou o chefe da Casa Branca em Camp David.

“Eles sempre querem conversar, mas quebram a palavra com muita frequência… Temos pessoas excelentes negociando… mas eles fazem um acordo – por exemplo, vamos falar sobre a questão nuclear, e passamos sete horas discutindo o programa nuclear… então eles saem da reunião e dizem: ‘Nunca discutimos a questão nuclear’”, acrescentou.

Trump também disse que os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner estão participando das negociações mais recentes com Teerã, além do secretário de Estado, Marco Rubio, e do vice-presidente, J.D. Vance.

Mais cedo nesta sexta-feira, o Irã afirmou ter lançado ataques com drones contra alvos militares dos Estados Unidos no Kuwait, em resposta aos recentes bombardeios americanos contra seu território, em uma nova escalada da guerra entre os dois países.

Segundo o Exército iraniano, os drones tiveram como alvo ativos americanos na Base Aérea Ahmad al-Jaber. As Forças Armadas do Kuwait, por sua vez, disseram ter detectado e destruído diversos drones em seu espaço aéreo desde o amanhecer, evitando um ataque a “instalações vitais e militares”. A operação provocou apenas danos materiais causados pela queda de destroços, sem deixar feridos. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) não confirmou imediatamente qualquer ataque.

A troca de ataques encerra um período de relativa pausa nas hostilidades diretas entre Washington e Teerã. Na quinta-feira, os EUA anunciaram bombardeios contra centros de comando militar e instalações de mísseis e drones no Irã, em resposta ao lançamento de

Trump reuniu seu gabinete nesta sexta-feira em seu retiro de Camp David com o objetivo de tentar encontrar uma forma de encerrar a guerra contra o Irã e reduzir os preços da gasolina, cuja alta ameaça os republicanos nas eleições legislativas de novembro.

Na quarta-feira, as trocas de hostilidades trouxeram outros países para o centro do conflito e tiveram início com o ataque conjunto dos EUA e da Arábia Saudita contra milícias aliadas do Irã no Iraque, que os países aliados acusaram de atacar forças americanas na região, bem como instalações de petróleo sauditas. Desde o início da guerra em 28 de fevereiro, Riad evitava participar diretamente dos combates, embora tenha realizado alguns ataques secretos de retaliação contra o Irã, segundo altos funcionários americanos.

As Forças de Mobilização Popular, coalizão de milícias xiitas criada em 2014 para combater o Estado Islâmico no Iraque, confirmaram que ao menos 20 de seus combatentes foram mortos. O primeiro-ministro iraquiano classificou a ação como “uma agressão inaceitável”.

As Forças Armadas da Jordânia, por sua vez, informaram ter interceptado cinco mísseis que, segundo a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês), foram lançados em resposta à “agressão americana”.

O Egito também foi atingido pela primeira vez. Dois navios, entre eles um navio-tanque americano de armazenamento de gás, pegaram fogo após uma explosão em um terminal portuário, segundo a empresa de monitoramento marítimo Kpler. Outra empresa do setor, a Ambrey, informou que a explosão foi provocada por um ataque com drone – o que foi confirmado nesta quarta-feira pelo governo egipcio.

O novo ataque sobre o território egipcio aumentou os temores acerca de outra rota que vem sendo crucial para o transporte de petróleo saudita: o Canal de Suez, no Mediterrâneo.

Além disso, embarcações que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz na quinta-feira continuavam enfrentando riscos significativos, uma vez que a Guarda Revolucionária informou ontem que um incêndio atingiu um navio-tanque que tentava cruzar a hidrovia por uma rota não autorizada. O comunicado, divulgado pela imprensa estatal iraniana, não especificou se o incêndio foi provocado por um ataque.

No Mar Vermelho, as ameaças dos houthis, grupo do Iêmen apoiado por Teerã, contra embarcações também aumentaram os temores em relação a mais um gargalo para o transporte marítimo de energia. Depois que o grupo iemenita afirmou ter atacado com mísseis outro petroleiro saudita nesta semana, seguradoras alertaram empresas de navegação que operam na região para o aumento do risco de ataques.

As ações recentes também levaram a Arábia Saudita a anunciar a criação de uma coalizão militar com mais de uma dezena de países para proteger as rotas marítimas. Segundo Riad, meses de ataques já reduziram significativamente as exportações de petróleo da região.

Bandeiras dos EUA e do Irã , barris de petróleo impressos em 3D e um gráfico de ações em alta são vistos nesta ilustração tirada em 23 de março de 2026 — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de Arquivo
Bandeiras dos EUA e do Irã , barris de petróleo impressos em 3D e um gráfico de ações em alta são vistos nesta ilustração tirada em 23 de março de 2026 — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de Arquivo

Maioria dos americanos é contra continuidade dos conflitos

Pesquisa AP-NORC divulgada na quinta-feira mostrou que Cerca de dois terços dos adultos americanos afirmam que a guerra contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, não valeu a pena. Essa avaliação é compartilhada pela ampla maioria de democratas e independentes, além de cerca de 37% dos republicanos.

Além disso, apenas 28% dos adultos americanos aprovam agora a forma como Trump lida com o Irã, ligeiramente abaixo dos 34% registrados no mês passado. Os resultados também indicam que as prioridades da maioria dos americanos para o conflito podem não estar alinhadas às do presidente: apesar de cerca de dois terços dos adultos americanos considerem “extremamente” ou “muito” importante impedir que Teerã desenvolva armas nucleares, uma parcela ainda maior considera altamente importante manter os preços da gasolina sob controle ou negociar um cessar-fogo permanente com a República Islâmica.

O levantamento reforça o quanto o conflito se tornou impopular dentro dos EUA, o que pode representar um problema para parlamentares republicanos que disputarão a reeleição em novembro e colocarão à prova o seu controle do Congresso.

Informações divulgadas pela Reuters nesta semana sobre o recebimento do Irã do primeiro lote de até 400 lançadores portáteis de mísseis antiaéreos fabricados na China indicam, porém, que a guerra deve se prolongar. A compra representa um dos maiores esforços conhecidos de Teerã para reconstruir suas defesas antiaéreas de curto alcance e ocorre enquanto Trump alerta China e Rússia para que não interfiram no conflito com apoio militar ao Irã.

Em outra frente, o Departamento do Tesouro americano anunciou também nesta semana uma nova rodada de sanções relacionadas ao Irã, mirando os esforços de Teerã para “monetizar o Estreito de Ormuz” com a inclusão de 10 entidades e mais oito petroleiros na lista de sanções. Seis das entidades sancionadas têm sede na China, segundo o governo americano.

Um outdoor com a imagem do presidente dos EUA, Donald Trump, em um prédio em Teerã, Irã , em 18 de julho de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
Um outdoor com a imagem do presidente dos EUA, Donald Trump, em um prédio em Teerã, Irã , em 18 de julho de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS



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