Exército dos EUA anuncia aliança com 18 países contra crime organizado


O Exército norte‑americano lançou na terça‑feira uma nova aliança de 18 países para combater o crime organizado, numa “transição” da operação militar “Lança do Sul” contra o narcotráfico.

O Comando Sul do Exército norte‑americano (Southcom), sediado em Miami, anunciou em comunicado que o novo Grupo de Trabalho Conjunto do Hemisfério Ocidental pretende “incrementar a eficácia operacional contra as ameaças que minam a segurança regional e afetam os Estados Unidos” e os seus aliados, além de “reforçar” a resposta a emergências e crises humanitárias.

A nova aliança inclui os mesmos 18 países que integravam a Coligação Contra os Cartéis das Américas, iniciada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, em março de 2026, com o objetivo de usar força letal para erradicar cartéis do narcotráfico e redes de narcoterrorismo no hemisfério ocidental.

O general Francis Donovan, comandante do Southcom, declarou que o novo grupo de trabalho será “o braço executor (…) para enfrentar as ameaças em todo o hemisfério”.

“Esta sede reúne capacidades militares ajustadas e alianças de confiança para aumentar a fricção sistémica total, o ritmo operacional, exercer pressão sustentada sobre as organizações criminosas e reforçar a segurança dos Estados Unidos e dos nossos parceiros”, afirmou Donovan.

O comandante apresentou o novo grupo como uma “transição” da operação Lança do Sul, lançada em setembro de 2025 pela Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, e que implicou bombardeamentos contra supostas lanchas do narcotráfico nas águas nas Caraíbas e no Pacífico.

Até agora, os EUA atacaram mais de 60 embarcações, causando a morte de 221 pessoas, segundo um balanço do Escritório de Washington para Assuntos Latino‑americanos.

As Nações Unidas e organizações de defesa dos direitos humanos classificaram estes ataques como “execuções extrajudiciais” e denunciaram que entre as vítimas se encontram pescadores e contrabandistas de combustível.

A operação também procurou aumentar a pressão sobre o então Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, antes deste ser detido numa intervenção norte‑americana em Caracas, e transferido para um centro de detenção em Nova Iorque no início de janeiro, para enfrentar acusações de narcoterrorismo.

O novo grupo de trabalho vai ser formado pelos EUA e pelos países que assinaram a aliança Escudo das Américas em março deste ano, em Miami: Argentina, Bolívia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trinidad e Tobago.

Posteriormente, juntaram‑se também Bahamas, Belize, Chile, Guatemala, Jamaica e Peru, além do presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella.

O chefe do Southcom indicou que o líder do novo grupo será o general Kevin Jarrard, que coordenou a resposta do Departamento de Estado após os sismos de junho na Venezuela.

Segundo Donovan esta coligação será a “sede operacional para a execução de missões em toda a região”, integrando “inteligência, vigilância e reconhecimento, planeamento operacional e coordenação multinacional para aumentar a pressão sobre as organizações nefastas que operam em todo o hemisfério”.





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