O número de migrantes detidos pelas autoridades norte-americanas durante o mandato do Presidente Donald Trump atingiu em julho o nível mais elevado, com mais de 50.000 detenções, confirmou o Departamento de Segurança Interna (DHS, em inglês).
O aumento ocorre no meio de pressões da Administração republicana para aumentar as detenções de migrantes, com o objetivo de alcançar as 2.000 detenções diárias, e de uma expansão das operações do Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE, em inglês), incluindo detenções em aeroportos.
Em junho, o Governo comunicou, por sua vez, cerca de 43.000 detenções, um número também recorde durante este Governo, acrescentou um alto funcionário do DHS, que pediu para não ser identificado.
Estes dados, indicados pelo funcionário à agência EFE e que ainda não foram publicados oficialmente, revelam um aumento das operações do ICE, apesar das críticas da oposição e de organizações de direitos humanos às táticas do Governo, especialmente depois de duas pessoas terem morrido baleadas por agentes de imigração em julho.
Em declarações aos jornalistas após as mortes de Lorenzo Salgado, no Texas, e de Joan Sebastián Guerrero, no Maine, o secretário do DHS, Markwayne Mullin, assinalou que a sua agência “intensificará a pressão nas ruas”.
“Eu não escolho que leis aplicar; cumpro e faço cumprir as leis do nosso país. Isso significa que as farei cumprir tanto dentro da nossa própria agência como entre os criminosos nas ruas. Essa é a minha garantia”, acrescentou o secretário.
No entanto, a maioria das pessoas detidas pelas autoridades migratórias nos EUA durante o Governo republicano não tem antecedentes criminais, segundo estudos, o que contradiz a narrativa da Administração de que as autoridades perseguem “criminosos” e “o pior do pior”.
De acordo com um estudo publicado na semana passada pela Universidade do Colorado em Boulder, apenas 34% das pessoas detidas pelo ICE desde janeiro de 2025, quando Trump tomou posse, tinham sido condenadas por algum crime.
Desde que Trump se tornou Presidente, registaram-se também pelo menos 30 incidentes em que agentes do ICE dispararam contra civis, resultando em oito mortos, de acordo com dados do portal The Trace.
Nos centros de detenção, cerca de 55 pessoas morreram sob custódia do ICE, 22 das quais no decorrer de 2026.
Neste contexto, o alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu em junho uma investigação “independente” sobre as mortes às mãos do ICE e criticou o que considera ser uma “falta de transparência” por parte dos EUA em relação a estes incidentes.











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