Portugal registou, até ao momento, 680 óbitos acima do esperado, divididos por três períodos de excesso de mortalidade por todas as causas durante este Verão. As estimativas do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) e da Direcção-Geral da Saúde (DGS) indicam que o primeiro período ocorreu a 16 de Junho, “com um excesso estimado de 62 óbitos (+22,4% em relação ao esperado)”, coincidindo com um episódio de temperaturas elevadas.
O segundo período, “de maior magnitude”, verificou-se entre 2 e 8 de Julho, com mais 29% de mortalidade do que o estimado, o que se traduziu em 555 óbitos em excesso. “Este período coincidiu com um episódio de calor extremo e prolongado, sendo igualmente de considerar a possível influência das temperaturas elevadas nos dias imediatamente subsequentes”, explicam o INSA e a DGS, em declarações à agência Lusa.
O terceiro período terá sido identificado a 23 de Julho, com 63 mortes em excesso (+23,5% do que o esperado), sobretudo em maiores de 75 anos. “Trata-se de um único dia e os dados mais recentes podem ainda sofrer ajustes à medida que os registos são actualizados, pelo que só com informação consolidada será possível avaliar o significado deste aumento”, esclarecem ainda.
Segundo o INSA e a DGS, estas estimativas correspondem a excesso de mortalidade por todas as causas, sendo obtidas “através de modelos estatísticos que comparam a mortalidade observada com a mortalidade esperada para a época do ano”.
A análise revela que a maioria dos óbitos ocorreu em pessoas com 75 ou mais anos, “verificando-se um predomínio de causas circulatórias, respiratórias e neoplásicas”, indicam. As entidades salientam ainda que as mortes cuja causa básica foi codificada como “exposição a calor excessivo” representam apenas “uma pequena parte do impacto do calor na mortalidade, uma vez que, na maioria das situações, o calor funciona como factor desencadeante ou agravante de outras patologias e não como causa básica de morte registada no certificado de óbito”.
Por sua vez, nas faixas etárias mais jovens, a mortalidade verificada deveu-se, sobretudo, a causas externas, não havendo um padrão directamente compatível “com uma associação ao calor”.
Com base nos dados expostos, o INSA e a DGS concluem que o calor actua, frequentemente, como “factor precipitante ou agravante de doenças pré-existentes, sobretudo cardiovasculares e respiratórias, aumentando o risco de eventos agudos e de morte, especialmente em pessoas idosas, frágeis ou com múltiplas comorbilidades”.











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