O Governo sírio argumentou que o reconhecimento colombiano, anunciado na véspera, se baseia em pretextos de segurança “incompatíveis com as disposições do direito internacional”.
Num longo comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Síria manifestou “rejeição e condenação categóricas desta posição” e afirmou que os Montes Golã são “parte inseparável” do seu território.
“A declaração do Governo colombiano constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas”, acrescentou o comunicado.
A Colômbia reconheceu a soberania de Israel nos Montes Golã, território sírio ocupado desde 1967, anunciou na segunda-feira o Governo do novo Presidente, Abelardo de la Espriella.
“Considerando a persistente instabilidade regional no Médio Oriente e a importância estratégica dos Montes Golã para a segurança de Israel, o Governo colombiano reconhece a soberania israelita sobre este território, bem como o direito deste Estado de se proteger contra ameaças externas”, justificou a diplomacia de Bogotá.
Em reação, a Liga Árabe instou o Governo colombiano a “retirar esta declaração e retificar a sua posição”, em conformidade com as resoluções internacionais e das Nações Unidas.
O secretário-geral da organização, Nabil Fahmy, declarou em comunicado que o reconhecimento de Bogotá “não tem qualquer efeito jurídico” para determinar o estatuto dos Montes Golã ou a soberania sobre a região.
“Os Montes Golã continuarão a ser território sírio ocupado, em conformidade com o Direito internacional e as resoluções internacionalmente reconhecidas”, frisou Fahmy, advertindo que o estatuto jurídico da região “está firmemente estabelecido” para prevenir “mudanças de governo ou orientações políticas”.
A decisão insere-se na aproximação a Israel promovida por Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo há apenas quatro dias, e inclui o reatamento das relações diplomáticas cortadas em maio de 2024 pelo então Presidente colombiano, Gustavo Petro, em resposta à guerra na Faixa de Gaza.
O Egito e a Arábia Saudita também condenaram a Colômbia e alertaram que a declaração “viola os direitos legítimos e estabelecidos da República Árabe da Síria em todo o seu território”, segundo comunicados dos respetivos Ministérios dos Negócios Estrangeiros.
A diplomacia do Cairo insistiu ainda na “necessidade de Israel se retirar dos Montes Golã ocupados”.
Israel capturou e ocupou a maior parte da região durante a Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967.
Durante a operação militar de uma coligação rebelde que depôs, em dezembro de 2024, o regime do Presidente sírio Bashar al-Assad, Israel realizou centenas de bombardeamentos na Síria e destacou posições militares para o sul do país, junto dos Montes Golã, que ainda mantém, apesar da oposição de Damasco.
Leia Também: Governo colombiano reconhece soberania israelita sobre Montes Golã











Leave a Reply