Bolsas da Europa fecham perto da estabilidade. Tensão no Oriente Médio e petróleo no radar


As bolsas europeias encerraram a terça-feira (11) sem grandes oscilações, com os investidores divididos entre expectativas de acordo no Estreito de Ormuz e o temor de que as negociações desandem a qualquer momento. Enquanto isso, o petróleo segue na faixa dos US$ 85 a US$ 90 por barril, alimentado por manchetes que mudam o humor do mercado num piscar de olhos.

Em Londres, o FTSE 100 (LSE:UKX) caiu 0,17%, aos 10.844,19 pontos. Frankfurt viu o DAX (DBI:DAX) subir 0,26%, para 26.391,42 pontos, enquanto Paris registrou queda de 0,13% no CAC 40 (EU:PX1), fechando em 8.714,94 pontos. Milão acompanhou o viés positivo: o FTSE MIB (BITI:FTSEMIB) avançou 0,08%, a 53.706,21 pontos. Madri teve alta modesta de 0,15% no Ibex 35, a 20.213,89 pontos, e Lisboa foi o destaque de alta, com o PSI 20 (EU:PSI20) subindo 0,61%, para 9.210,84 pontos. O índice pan-europeu Stoxx 600 praticamente zerou, com alta de 0,01% aos 660,51 pontos, puxado pelo subíndice de petróleo e gás, que disparou 1,69% em meio às tensões geopolíticas.

O noticiário segue ditado pelo Oriente Médio. Autoridades paquistanesas disseram à Bloomberg que EUA e Irã estão próximos de um acordo, enquanto o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, afirmou que as negociações entre Omã e Irã sobre Ormuz já alcançaram um estágio avançado. Só que, no mesmo dia, Washington e Teerã trocaram novas ameaças, o que jogou um balde de água fria no otimismo.

“O padrão continua se repetindo: entusiasmo inicial quando as negociações parecem promissoras, apenas para esse otimismo se dissipar rapidamente”, resume o ING, destacando que o petróleo segue refém das manchetes – e os preços oscilam conforme o humor muda.

No front corporativo, a Alcon disparou 5,28% após entregar resultados do segundo trimestre bem acima do esperado. Já a Spirax Group amargou queda de quase 6% em Londres ao não elevar seu guidance, frustrando as expectativas do mercado. A Frontline, quinta maior transportadora marítima de petróleo bruto do mundo, recuou cerca de 4% em Oslo, refletindo a incerteza sobre o destino do Estreito de Ormuz.

O que esperar das ações e ativos?

O impacto direto sobre empresas listadas na Europa é claro: petroleiras como BP (LSE:BP) e Shell (LSE:SHEL) tendem a se beneficiar da manutenção dos preços elevados do barril, especialmente se o cenário de tensão no Oriente Médio persistir. Por outro lado, companhias aéreas e transportadoras, que sofrem com custos de combustível mais altos, podem ver suas margens comprimidas. 

O cenário geral mantém os mercados de ações europeus reféns da geopolítica. Um acordo em Ormuz abriria caminho para uma queda nos preços do petróleo, o que seria positivo para importadores e para a atividade econômica como um todo, mas negativo para as petroleiras. A falta de acordo, por sua vez, mantém a pressão inflacionária e os juros no radar. Por ora, o que se vê é um mercado cauteloso, com investidores operando no “vai e vem” das negociações.

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