Blockchain deve avançar para aplicações reais, diz DSEC Labs


O blockchain deve deixar de ser percebido principalmente como uma tecnologia ligada às criptomoedas e avançar para aplicações práticas na economia real.

Essa é a avaliação de Leonardo Maximiliano, CEO e cofundador da DSEC Labs, em entrevista exclusiva ao BP Money durante o Blockchain.RIO 2026, evento que contou com o portal como mídia parceira.

Para Maximiliano, a evolução da tecnologia passa justamente por tirar o blockchain dos holofotes e fazer com que ele funcione nos bastidores. Assim, o usuário poderia utilizar serviços mais rápidos e seguros sem necessariamente precisar entender conceitos como blockchain, tokenização ou oráculos.

“Agora a gente inicia, e provavelmente esse vai ser o primeiro ciclo que a gente vai ver a aplicação na prática”, afirmou.

Blockchain deve ficar nos bastidores

Segundo o executivo, a adoção do blockchain pode seguir um caminho semelhante ao da internet. No início, conceitos técnicos faziam parte da experiência dos usuários, mas, com a evolução da tecnologia, deixaram de ser necessários para o uso cotidiano.

Nesse sentido, Maximiliano defende que o blockchain siga a mesma trajetória. “A gente defende em relação à blockchain trazer essa simplicidade para que o usuário utilize como um flow mesmo, no dia a dia, sem comparações mirabolantes ou complexidade”, disse.

Além disso, ele avalia que a tecnologia precisa ser percebida pelos benefícios que entrega. Entre eles estão maior velocidade, segurança e praticidade nas operações.

Domini busca conectar blockchain ao sistema financeiro

A DSEC Labs também aposta nesse modelo por meio da Domini, plataforma que conecta Bitcoin e stablecoins em uma experiência voltada ao usuário.

Para Maximiliano, a proposta não é substituir o sistema financeiro tradicional, mas criar uma conexão entre as estruturas existentes e a infraestrutura blockchain.

“A própria opção da Domini já dá para responder que é uma forma de conectar, não de combater”, afirmou.

Segundo o executivo, a estrutura busca ampliar o controle do usuário sobre seus próprios ativos. Nesse modelo, os recursos ficam vinculados à chave privada do usuário, reduzindo a dependência de terceiros.

“É como se ele realmente tivesse a posse daquele ativo”, explicou.

Portanto, a proposta da empresa é usar a blockchain como uma camada de infraestrutura para oferecer maior controle sobre o dinheiro sem exigir que o usuário lide diretamente com toda a complexidade tecnológica.

Próximo ciclo deve priorizar aplicações reais

Na avaliação de Maximiliano, o mercado de blockchain passou por uma primeira fase concentrada na valorização das criptomoedas e na construção de narrativas sobre o potencial futuro da tecnologia.

Agora, contudo, a tendência é que a indústria avance para aplicações capazes de gerar impactos concretos no cotidiano.

“A blockchain, basicamente, na minha visão, é uma revolução na confiança”, afirmou.

Para ele, a tecnologia permite criar regras que podem ser verificadas e auditadas, reduzindo a necessidade de confiança em intermediários para determinadas operações.

Além disso, o executivo vê os trilhos de pagamento como uma das aplicações que podem ganhar espaço nesse novo ciclo. Nesse cenário, o usuário deverá conseguir perceber na prática os benefícios prometidos pela tecnologia.

“Está na hora de mãos à obra e aplicações reais”, disse.

Privacidade ganha espaço no debate sobre blockchain

A discussão sobre aplicações reais também se relaciona à privacidade e à segurança, temas abordados por Maximiliano em um painel do Blockchain.RIO 2026.

Segundo o executivo, a preocupação com privacidade voltou ao debate público à medida que diferentes grupos passaram a enxergar a proteção de dados e o controle sobre os próprios recursos como questões relevantes.

Nesse contexto, ele considera que a blockchain pode oferecer mecanismos para ampliar o controle individual sobre os ativos e os dados.

“A blockchain vai permitir que a tecnologia consiga trazer esse grau de abstração que ele consiga fazer da prática de uma maneira muito menos complexa do que antigamente”, afirmou.

Para a DSEC Labs, entretanto, a responsabilidade também está nas empresas que desenvolvem essas soluções. Maximiliano defende que as plataformas não devem se colocar como intermediárias em quem o usuário precisa confiar integralmente.

Por isso, a companhia busca separar a identificação do usuário dos demais componentes da operação e entregar a chave privada ao próprio cliente.

“Eu não posso surfar uma onda de omissões, eu quero surfar uma onda de transparência”, afirmou.

Assim, a visão da DSEC Labs é que a próxima etapa do mercado de blockchain dependerá menos da capacidade de explicar a tecnologia e mais de sua capacidade de funcionar de maneira simples, segura e transparente no cotidiano.



Source link

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *