Dos quase 11 mil milhões de euros atribuídos pela União Europeia nos últimos dois meses, 4,3 mil milhões de euros tiveram como destino a ajuda militar e 6,7 mil milhões de euros o apoio financeiro e humanitário. A maior parte destes recursos foi disponibilizada através do recém-criado Empréstimo de Apoio à Ucrânia, mecanismo comunitário no valor de 90 mil milhões de euros que se destina a satisfazer as necessidades orçamentais e de defesa da Ucrânia em 2026 e 2027.
Segundo os dados mais recentes do Ukraine Support Tracker, elaborado pelo Instituto Kiel para a Economia Mundial, para além deste empréstimo, os doadores europeus foram também responsáveis pela maior parte da ajuda atribuída recentemente à Ucrânia, encabeçados pela Alemanha, com 700 milhões de euros em ajuda militar, seguida da Dinamarca, com 600 milhões de euros, e dos Países Baixos, com 500 milhões de euros. Em termos de ajuda financeira e humanitária, o Reino Unido alocou o montante mais elevado entre os doadores bilaterais – cerca de 1,5 mil milhões de euros -, seguido pela Suécia, com 360 milhões de euros, e pela Noruega, com 140 milhões de euros.
Mas, embora as alocações de ajuda militar no primeiro semestre de 2026 tenham quase atingido o nível do ano anterior, o apoio financeiro e humanitário manteve-se muito abaixo – em termos de média mensal, a ajuda financeira e humanitária foi 41% inferior à de 2025.
“O rápido lançamento do Empréstimo de Apoio à Ucrânia envia um sinal positivo ao país”, afirma Taro Nishikawa, líder do Ukraine Support Tracker. “Dos 16,7 mil milhões de euros de apoio orçamental previstos para 2026, metade será atribuída como Assistência Macrofinanceira, enquanto a outra metade será atribuída através do Mecanismo para a Ucrânia à medida que as etapas de reforma acordadas forem cumpridas. Por conseguinte, manter o progresso nestas etapas será importante para garantir que o montante total é alocado como planeado.”
Armamento dos EUA sustenta o apoio militar da Europa
A Europa continua a ser o maior doador de ajuda militar, mas o armamento dos Estados Unidos desempenha um papel importante na manutenção do apoio europeu à Ucrânia. No primeiro semestre deste ano, a participação de Washington na ajuda militar europeia aumentou, tanto em aquisições junto de empresas de defesa norte-americanas como em entregas provenientes de stocks militares existentes dos EUA, sinalizando uma procura crescente de Kiev por sistemas de defesa específicos fabricados nos Estados Unidos.
Entre janeiro e junho, os doadores europeus adquiriram ajuda militar no valor de, pelo menos, 3 mil milhões de euros a empresas de defesa dos EUA, o que corresponde a cerca de 30% da ajuda militar europeia prestada através de aquisições à indústria de defesa. Os stocks norte-americanos desempenharam um papel particularmente importante no âmbito da iniciativa PURL da NATO, representando mais de 90% da ajuda militar prestada através deste mecanismo.
“A Europa continua a depender do acesso aos sistemas de armas dos EUA para manter o seu apoio militar à Ucrânia”, afirma Federico Mellace, analista-chefe do Ukraine Support Tracker. “Os Estados Unidos permanecem como um fornecedor fundamental de sistemas como o Patriot, para os quais a Europa dispõe de poucas alternativas no momento. A longo prazo, a questão central será se a Europa conseguirá desenvolver e produzir substitutos fiáveis para os principais sistemas de defesa dos EUA, a fim de reduzir gradualmente essa dependência.”
Os sistemas Patriot, em particular, são vitais para a Ucrânia fazer frente aos ataques de mísseis russos, como Volodymyr Zelensky tem notado sempre que Moscovo faz incursões sobre Kiev e outras cidades ucranianas. Um dos problemas é que os Estados Unidos estão com a sua reserva destes sistemas (e outros mísseis) em baixa devido ao conflito com o Irão.
Numa entrevista dada à CNN na quinta-feira, 13 de agosto, o presidente ucraniano assinalou que o seu país possui apenas um décimo dos mísseis intercetores de que necessita urgentemente dos Estados Unidos para conter a crescente onda de ataques russos com mísseis balísticos, admitindo ainda que passa os dias envolvido em “milhões” de telefonemas e em negociações discretas com os aliados para obter mais deste armamento.
“Este ano, temos duas vezes e meia menos intercetores do que tínhamos em 2025”, disse Zelensky na mesma entrevista à CNN. “A Rússia tem duas vezes mais mísseis balísticos por mês do que tinha antes.”
Neste sentido, o líder ucraniano referiu que se os Estados Unidos “nos venderem 5%, passaremos pelo inverno e salvaremos vidas. Se nos puderem vender 10%, destruiremos todos os mísseis balísticos dos russos. Eu tenho 1%”.










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