Incêndios avançam pela Europa, deixam três mortos e forçam retirada de moradores


Onda de calor na Europa afeta quase 100 milhões de pessoas

França e Espanha estão entre os países mais castigados. Crédito: AFP

Os incêndios florestais que atingem diferentes regiões da Europa deixaram ao menos três mortos e provocaram novas retiradas de moradores neste domingo, 16. Duas pessoas morreram na Grécia e um militar morreu na Espanha, enquanto centenas de bombeiros tentam conter focos que se espalham também por Portugal, Bélgica e França. Na Alemanha, moradores de uma pequena cidade próxima à fronteira belga tiveram de deixar suas casas devido ao avanço das chamas.

Na Grécia, duas pessoas foram encontradas mortas na ilha de Salamina, próxima a Atenas, onde dois incêndios começaram quase simultaneamente neste domingo e provocaram a retirada de centenas de moradores. (Photo by Aris Oikonomou / AFP) Foto: ARIS OIKONOMOU

Na Espanha, a região de Aragão, no nordeste do país, mobilizou neste domingo a maior operação de combate a incêndios de sua história para enfrentar o fogo iniciado na segunda-feira. Alimentadas pelo vento, as chamas já consumiram 16,6 mil hectares e se aproximaram dos históricos mosteiros de San Juan de la Peña.

Mais de mil pessoas tiveram de deixar suas casas. Um militar da Unidade Militar de Emergências (UME) que participava do combate ao incêndio morreu, segundo o presidente regional, Jorge Azcón. De acordo com a imprensa espanhola, o veículo no qual ele estava teria capotado.

O governo regional informou que as equipes conseguiram consolidar boa parte do perímetro do incêndio durante a noite e avançaram na contenção das chamas.

No sul da Espanha, a situação é mais favorável. Na província de Huelva, na Andaluzia, o presidente regional, Juanma Moreno, informou que o incêndio foi estabilizado depois de 36 horas sem a identificação de novos focos dentro do perímetro atingido.

Segundo a emissora pública Canal Sur, o incêndio, iniciado há dez dias, queimou cerca de 38 mil hectares.

Incêndio na Bélgica provoca retirada de moradores na Alemanha

Na fronteira entre Bélgica e Alemanha, o avanço de outro grande incêndio levou a cidade alemã de Monschau, de cerca de 12 mil habitantes, a determinar a retirada de moradores de duas ruas neste domingo.

A decisão foi tomada devido à propagação das chamas e da fumaça do lado belga da fronteira e diante das condições meteorológicas previstas para a região.

Na Bélgica, cerca de 3 mil hectares foram queimados no parque natural de Hautes Fagnes, no leste do país. Segundo as autoridades locais, o incêndio já está entre os piores da história belga.

Mais de cem bombeiros trabalham desde sexta-feira para controlar as chamas. O terreno acidentado dificulta a operação e, até este domingo, as equipes ainda não haviam conseguido chegar ao local onde o fogo teria começado.

Helicópteros da polícia federal belga e dos Países Baixos participam do combate, usando um lago próximo para captar água. Também são esperados meios aéreos enviados pela República Checa e pela Suécia, além de possíveis reforços da Alemanha e da Noruega.

Apesar da dimensão do incêndio, alguns dos principais focos já estão sob controle, segundo o ministro do Interior da Bélgica, Bernard Quintin.

Portugal mobiliza centenas de bombeiros

Em Portugal, centenas de bombeiros foram mobilizados para combater diferentes focos no norte do país, especialmente em regiões próximas à fronteira com a Espanha.

As principais áreas atingidas são Torre de Moncorvo, Boticas, Chaves e Dine. Cinco bombeiros ficaram feridos no sábado durante as operações.

Dois mortos em ilha grega

Na Grécia, duas pessoas foram encontradas mortas na ilha de Salamina, próxima a Atenas, onde dois incêndios começaram quase simultaneamente neste domingo e provocaram a retirada de centenas de moradores.

Os dois corpos foram localizados perto da praia de Peristeria, no sul da ilha, segundo um integrante dos serviços de emergência ouvido pela AFP.

Em outra frente, um incêndio iniciado no sábado na ilha de Esciros estava praticamente controlado neste domingo, de acordo com os bombeiros.

Situação melhora na França

Na França, as condições melhoraram neste domingo no departamento de Landes, no sudoeste do país, onde cerca de 1,7 mil hectares de uma floresta de pinheiros foram queimados desde quinta-feira.

A queda das temperaturas ajudou no combate. A previsão era de máxima de 28°C neste domingo, bem abaixo dos 40°C registrados quando o incêndio começou. Cerca de 550 bombeiros trabalham na região.

Nas Ardenas, no nordeste francês, aproximadamente cem hectares foram atingidos pelas chamas desde a manhã de sábado. O incêndio é considerado um episódio sem precedentes na história recente da região, segundo David Gouzou, vice-diretor local do Corpo de Bombeiros.

As autoridades francesas afirmaram, porém, que a situação também evoluía de forma mais favorável neste domingo./AFP



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