Já se tornou uma tradição brasileira: candidatos comprometem-se a dar prioridade total à educação, mas, uma vez empossados, não só esquecem a promessa como às vezes adotam medidas que a prejudicam. É o caso de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na campanha de 2022, seu plano de governo afirmava que o investimento em educação seria o pilar central do desenvolvimento, mensagem reforçada em comícios e na propaganda eleitoral.
No poder, não fez muito para efetivar tal discurso. Sua principal iniciativa, o Pé-de-Meia, é um programa de transferência de renda, não propriamente pedagógico. O PT parece acreditar que os problemas do país podem ser resolvidos com a concessão de algum tipo de bolsa.
Agora, incapaz de resistir ao populismo em questões de gênero, afeta a organização escolar.
Em maio, o Congresso Nacional aprovou a lei 15.421 de 2026, uma proposta do governo federal relativa à Copa do Mundo Feminina da Fifa.
Seu artigo 67 determina que todas as escolas do país, públicas e privadas, decretem recesso durante o evento, que ocorrerá entre junho e julho de 2027. A ideia é mostrar que o Brasil atribui importância tanto ao futebol feminino quanto ao masculino —ainda que, na Copa de 2014, o dispositivo que estabelecia as férias obrigatórias tenha caído.
Não se trata de questão menor. Estruturar o calendário escolar é tarefa complexa. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) exige um mínimo de 200 dias letivos com 800 horas-aula anuais. Escolas também precisam se adequar aos acordos coletivos de professores e funcionários, sem mencionar demandas específicas de alunos e pais. Em 2027, haverá dez feriados nacionais, além dos locais.
A resposta das redes de ensino a tantas condicionantes tem sido reduzir as férias de julho, que, por vezes, não ultrapassam dez dias. São os gestores, e não legisladores ou burocratas, os mais qualificados para decidir sobre o tema.
Se o sucesso da Copa feminina dependesse só da paralisação compulsória, ainda seria possível discutir sua oportunidade. Esse, porém, está longe de ser o caso.
Há décadas, brasileiros e outros povos não têm nenhuma dificuldade em produzir arranjos informais de horários que permitem a todos torcer por suas seleções, masculinas ou femininas —as pessoas não precisaram estar em férias para assistir ao 7 a 1 da Alemanha contra o Brasil em 2014.
É lamentável constatar que governantes, quando submetidos a testes reais, não hesitam em sacrificar o alegado apreço pela educação em prol do populismo.









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