Argentina fica atrás do placar em uma Copa pela primeira vez após 10 jogos e mais de 1.000 minutos


A Argentina voltou a ficar atrás do placar em uma partida de Copa do Mundo nesta terça-feira, nas oitavas de final contra o Egito, pela primeira vez desde a derrota para a Arábia Saudita, ainda na estreia do Mundial de 2022. O gol de Yasser Ibrahim, no primeiro tempo, encerrou uma sequência de 10 jogos completos sem que a seleção argentina estivesse em desvantagem no marcador.

A última vez havia sido em 22 de novembro de 2022, no 2 a 1 sofrido para os sauditas, quando Salem Al-Dawsari virou o jogo no início do segundo tempo. Daquele momento em diante, a Argentina atravessou toda a campanha do tricampeonato mundial sem voltar a ficar atrás: venceu México, Polônia, Austrália, Croácia, empatou com Holanda e França, foi levada aos pênaltis nas duas partidas, mas jamais chegou a ver um adversário abrir vantagem.

Há ainda um recorte mais antigo e simbólico. Esta foi a primeira vez desde a eliminação para a França, nas oitavas da Copa de 2018, que a Argentina saiu atrás do placar em um Mundial, com o adversário marcando o primeiro gol do jogo. Em 2022, mesmo na derrota para a Arábia Saudita, os argentinos abriram o placar com Messi antes de sofrerem a virada. Ou seja: a seleção não começava uma partida de Copa tendo que buscar o resultado desde aquele 4 a 3 em Kazan, quando Griezmann fez 1 a 0 de pênalti para os franceses.

A série atravessou também o início da Copa de 2026. Na fase de grupos, a equipe de Lionel Scaloni voltou a se classificar sem sustos maiores e, na primeira rodada eliminatória, superou Cabo Verde por 3 a 2, em uma partida em que chegou a ser empatada duas vezes, mas nunca esteve em desvantagem. Contando os 10 jogos completos desde a Arábia Saudita, incluindo prorrogações contra Holanda, França e Cabo Verde, e os minutos iniciais contra o Egito, a invencibilidade contra placares adversos passou de 1.000 minutos.

O dado não fala apenas de domínio, mas também de uma espécie de conforto competitivo que virou marca da Argentina desde o susto que abriu o caminho do título no Catar. Mesmo quando foi pressionada, empatada ou levada ao limite, a seleção campeã do mundo conseguiu passar mais de três anos de Copa sem precisar jogar contra o relógio e contra o placar. Contra o Egito, pela primeira vez desde aquela tarde improvável contra a Arábia Saudita, a Argentina se viu obrigada a correr atrás.



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