Artilheiro da Copa de 1978: Mario Kempes, da Argentina


A glória de Mario Kempes, o grande artilheiro da Copa do Mundo de 1978.

A décima primeira edição da Copa do Mundo, realizada na Argentina em 1978, ocorreu em um dos cenários mais complexos e tensos da história do esporte. Debaixo de uma ditadura militar severa, o país respirava a pressão de organizar um torneio impecável e, sobretudo, de conquistar a taça diante de sua fanática torcida. Os estádios lotados, marcados pela tradicional e ensurdecedora chuva de papel picado, criavam uma atmosfera hostil para os adversários e exigiam nervos de aço dos donos da casa. O Lance! relembra o artilheiro da Copa de 1978: Mario Kempes, da Argentina.

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A seleção anfitriã, comandada pelo técnico César Luis Menotti, foi construída com base em um futebol ofensivo, dinâmico e de muita posse de bola. O treinador tomou decisões ousadas e polêmicas antes do torneio, como a de cortar do elenco final um então jovem promissor chamado Diego Armando Maradona. A aposta era na experiência e na força coletiva de um grupo que precisava lidar diariamente com a obrigação quase institucional de vencer o Mundial a qualquer custo.

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Para liderar o ataque nessa espinhosa missão, Menotti convocou apenas um jogador que atuava fora do futebol argentino na época. Ele era a grande estrela do Valencia, da Espanha, e desembarcou em Buenos Aires com a missão de ser o homem-gol da equipe. Dono de uma cabeleira longa inconfundível, passadas largas e uma força física impressionante, ele não era um centroavante fixo, mas sim um atacante de muita movimentação que partia de trás para fuzilar as defesas adversárias com sua temida perna canhota.

Artilheiro da Copa de 1978: Mario Kempes, da Argentina

Curiosamente, a relação desse grande craque com as redes começou de forma extremamente frustrante no torneio. Durante toda a primeira fase de grupos, enfrentando Hungria, França e Itália, o atacante titular não conseguiu marcar sequer um gol e a equipe amargou a segunda colocação da chave. O jejum gerou desconfiança, a ponto de o treinador lhe sugerir, por pura superstição, que raspasse o espesso bigode que ostentava desde o início da competição para tentar afastar a má sorte.

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Esse jogador de físico imponente e finalização letal era Mario Kempes, que entrou para a eternidade como o indiscutível Artilheiro da Copa de 1978. Sem o bigode e com a pontaria afiada, ele ressurgiu de forma avassaladora nas fases decisivas, ganhando definitivamente o apelido de “El Matador”. Com seis gols marcados nos momentos mais cruciais do torneio, Kempes não apenas faturou a Chuteira de Ouro, mas foi o herói absoluto do primeiro e sonhado título mundial da Argentina.

O despertar de ‘El Matador’ Kempes na segunda fase

A segunda fase do Mundial de 1978 consistia em um novo formato de grupos, em que apenas o primeiro colocado avançaria diretamente para a grande final. Foi exatamente na estreia dessa etapa que Kempes iniciou o seu show particular. Contra a dura seleção da Polônia, ele usou sua incrível capacidade de infiltração e marcou os dois gols da importante vitória argentina por 2 a 0. Para completar a atuação heroica, ele ainda salvou um gol polonês cortando a bola com a mão em cima da linha; no pênalti resultante, o goleiro Fillol fez a defesa.

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Após passar em branco no tenso e violento empate sem gols contra o Brasil, a Argentina chegou à última rodada precisando golear o Peru por uma margem de pelo menos quatro gols para superar os brasileiros no saldo e ir à final. Em uma partida cercada de polêmicas históricas, os argentinos golearam por 6 a 0. Implacável, Mario Kempes foi o grande maestro da goleada, marcando dois belos gols e pavimentando o caminho da sua seleção rumo ao jogo decisivo.

A final dramática e a consagração contra a Holanda

A grande final, disputada no pulsante estádio Monumental de Núñez, colocou a Argentina frente a frente com a Holanda, que chegava à sua segunda decisão consecutiva de Copa do Mundo, mesmo sem o genial Johan Cruyff. Em um gramado pesado e sob extrema pressão de mais de 70 mil torcedores, Kempes provou o motivo de ser o dono do torneio. Aos 38 minutos do primeiro tempo, o camisa 10 se infiltrou na área e tocou por baixo do goleiro Jongbloed para abrir o placar.

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A Holanda buscou o empate na reta final da partida, forçando a exaustiva prorrogação. No tempo extra, a força física e a raça monumental de Kempes fizeram a diferença. Aos 15 minutos, ele arrancou para a grande área, dividiu a bola heroicamente com dois defensores holandeses aos trancos e barrancos e, na insistência, empurrou para o fundo do gol, recolocando a Argentina em vantagem. No apagar das luzes, ele ainda fez uma bela jogada e deu a assistência para Daniel Bertoni fechar o placar em 3 a 1, confirmando o delírio no país sede.

Um legado dourado no futebol mundial

A performance de Mario Kempes na Argentina o colocou em uma prateleira raríssima do futebol internacional. Além de ser o artilheiro isolado da competição com seis gols, ele também foi eleito o melhor jogador de todo o torneio, faturando a prestigiada Bola de Ouro. Essa dobradinha o tornou um dos poucos atletas na história a liderar tanto as estatísticas de gols quanto a de técnica em uma única edição de Mundial. A lenda de El Matador transcendeu as fronteiras de seu país, deixando um legado inesquecível de potência, técnica refinada e um inabalável poder de decisão nos maiores palcos do esporte.

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