Desde a definição da final da Copa do Mundo entre Argentina e Espanha, a foto de então jovem Lionel Messi dando banho no ainda mais jovem Lamine Yamal voltou a circular nas redes sociais e na imprensa. Tirada em 2007 para um calendário beneficente do ano seguinte organizado pela Barcelona e pelo jornal Sport, da Espanha, em prol da Unicef, a imagem desperta curiosidade e dúvidas. Em tempos de inteligência artificial, é preciso reforçar que a foto é, sim, real e foi feita por Joan Monfort. E o contexto do calendário já parece um ponto pacífico depois de alguns dias das semifinais do Mundial. Mas por quê, entre tantos jogadores do clube espanhol que participaram daquela ação, justamente o camisa 10 argentino ficou encarregado da foto com o bebê? E por que aquele recém-nascido estava no vestiário visitante do Camp Nou para o ensaio fotográfico? O GLOBO conta os bastidores que ajudam a responder essas questões.
Então com 17 anos, Sheila Ebana, mãe de Lamine Yamal, era atendida por um projeto social parceiro da Fundação Barça, braço do clube espanhol responsável por ações de inclusão por meio do esporte e educação. Foi através dessas organizações parceiras que o clube selecionou as crianças que participariam do calendário com os jogadores.
— Faz 19 anos, mas lembro bastante. Falamos com organizações sociais que tínhamos projetos juntos, que colaboravam com a gente. Queríamos mostrar a diversidade da sociedade em que vivemos, com crianças de diferentes idades, origens, etnias, cor de pele. Falamos com as entidades e fechamos uma lista com as crianças. A Sheila participava de um projeto de formação de uma organização. Ensinavam mães adolescentes a como cuidar dos bebês, como alimentar, tratar se tivesse alguma doença, emergência — contou a presidente da Fundação Barça, Dra. Marta Segú, ao GLOBO.
Encontro não foi por acaso
Se o destino organizou o reencontro de Messi e Yamal na final da Copa, a participação dos dois naquela foto não foi tão por acaso. De acordo com Marta, a personalidade e o momento de cada jogador foi levado em consideração para formar as duplas ou grupos de cada fotografia. Aos 20 anos, o argentino já se consolidava no clube, mas era um coadjuvante de luxo num elenco que tinha nomes como Ronaldinho Gaúcho, Deco, Thierry Henry, Samuel Eto’o, Xavi e Iniesta. Além disso, sua timidez, que persiste até hoje, também fez com que ele ficasse com o bebê, enquanto outros jogadores fizeram poses divertidas com crianças mais velhas.
— Tínhamos outros jogadores “maiores” que o Messi naquela época, Henry, Puyol, Xavi, Ronaldinho, que já eram super famosos. O mais jovem era o Messi. E ele era muito tímido. Não tinha muito jeito para falar com um adolescente ou outras crianças um pouco maiores. Então um dia antes já tínhamos decidido que ele iria fazer a foto com o bebê — revelou Marta.
— Mas ele também não sabia muito bem como pegar o bebê, como colocar no braço. E o bebê estava nervoso, queria ficar com a mãe. Então pegamos a banheira com água morna para poder dar o banho e tentar acalmar. Mas ele estava um pouco incômodo. Por isso colocamos a mãe também na foto. Ele só ficou tranquilo com a mãe.
Quase 20 anos depois, o reencontro entre Messi e Yamal na final da Copa do Mundo tornou aquela foto ainda mais especial.
— É uma casualidade da vida, dessas que nunca espera. Nesse calendário, cada mês tinha uma palavra relacionada com o trabalho da Fundação, com temáticas diferentes. Na do Messi e do Yamal era “infância”. Foi bonito. Nunca sabemos da vida. Os dois saíram de La Masia, jogaram no Barcelona e agora se enfrentam na final do Mundial. É maravilhoso. O destino quis assim.









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