CBF entende que renovação do elenco da seleção já vinha ocorrendo e descarta ‘caça às bruxas’ no ciclo para 2030


Assim como o comando da seleção iniciará o próximo ciclo sem mudanças, com Carlo Ancelotti e sua comissão assegurados, no que diz respeito ao elenco a palavra de ordem também é continuidade. A eliminação nas oitavas de final não será acompanhada de uma “caça às bruxas” — normalmente pedida pela opinião pública após fracassos.

A avaliação da CBF é de que a seleção já estava com a porta aberta para jogadores mais jovens antes mesmo da Copa. Ou seja:o processo de renovação vinha ocorrendo normalmente e não por pressão de resultados ruins.

— Nós tivemos muitos jogadores jovens. Inclusive os que, em muitos momentos, tiveram oportunidade de iniciar (as partidas). Quando se fez a convocação, o Rayan não estava entre os cotados para iniciar, mas terminou (como titular) — defendeu o coordenador executivo das seleções masculinas Rodrigo Caetano.

A seleção brasileira tem a quinta maior média de idade desta Copa: 29,5 anos. O elenco só é mais jovem que os de Panamá, Irã, Colômbia, Cabo Verde e Catar. Dos 26 atletas, apenas dois têm abaixo de 25 anos: Endrick e Rayan, ambos com 19.

Vale lembrar que, às vésperas da estreia na Copa, o grupo ainda contava com Wesley, de 22 anos, cortado por lesão. Isso sem contar Estêvão, que só não foi convocado por ter se contundido em abril, sem tempo hábil para se recuperar.

— Olha o número de jogadores lesionados. Mas aí, se eu falar disso, nós vamos ficar na justificativa. E acho que não é essa a pauta no momento — defendeu Caetano, que prometeu uma revisão no começo do ciclo.

— Refletir sobre os erros é normal. Mesmo quando se ganha acho que é obrigação nossa fazer isso. Imagina quando você fica nas oitavas de final, como a gente, sabendo que tinha condição de ir mais além? Então é natural que nós vamos avaliar tudo. Mas não por conta da média de idade. Senão, se você for observar, várias outras seleções tem jogadores com idade mais elevada até inclusive do que a nossa. E jogadores protagonistas.

Outros atletas mais jovens orbitaram a seleção e brigaram por vagas em algum momento. São os casos de Andrey Santos (22 anos), João Pedro (22), Vitor Roque (21) e Savinho (22).

A história de alguns jogadores com a Amarelinha, por outro lado, naturalmente chegou ao fim pelo momento da carreira em que se encontram. São os casos de Neymar, que falou em tom de adeus logo depois do jogo (o que não o impede de participar de alguns jogos no começo do próximo ciclo), Alisson, Casemiro, Marquinhos, Alex Sandro, Fabinho e Danilo Luiz.

— É natural pela idade e pela demanda do futebol. Eu completo 35 anos e obviamente agora vou estar sempre na primeira fila como mais um torcedor por aqueles que continuam — comentou Danilo: — Só gratidão e um olhar de tentar colher coisas boas. Para mim, acreditar no que poderia fazer me deu estas oportunidades. Que as pessoas também possam se permitir sonhar, serem resilientes e trabalhadoras em suas vidas, porque isso dá frutos para a gente.

Já aqueles que estavam numa idade intermediária agora passarão por um momento de transição para se tornarem os experientes que liderarão os mais novos. São os casos, principalmente, de Bruno Guimarães, Gabriel Magalhães, Rodrygo, Raphinha, Lucas Paquetá e Vinicius Junior.

—Eu não vou desistir de tentar botar o Brasil de volta no topo — prometeu Vini.

O camisa 7 foi um dos que conseguiu fazer uma boa Copa. Apesar da atuação apagada na eliminação, teve sua primeira sequência de grandes performances. Assim como Bruno Guimarães, outro destaque, Matheus Cunha e Paquetá. Já Douglas Santos pode ser considerado a surpresa positiva. Entre os mais jovens, Rayan foi quem aproveitou o Mundial. Já Endrick, que chegou badalado, decepcionou. Para ele, Raphinha, Luiz Henrique, Casemiro, Neymar, Igor Thiago e Danilo Santos, o Mundial não vai deixar saudades.



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