Como a Inglaterra pretende parar Messi? O plano de Tuchel para chegar à final da Copa


Apesar de mais de 200 jogos pela Argentina e do status de maior artilheiro da história da seleção com 125 gols, Lionel Messi nunca enfrentou a Inglaterra em partidas oficiais. Isso vai mudar na quarta-feira (15), quando o English Team de Thomas Tuchel duela com a albiceleste, em uma semifinal de Copa do Mundo que já é histórica antes mesmo de começar.

Um aspecto a ser observado na partida da próxima quarta é: as duas equipes foram levadas à prorrogação nas quartas de final. A Inglaterra superou a Noruega por dois a um, enquanto a Argentina venceu a Suíça por três a um.

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Ao longo da história da Copa do Mundo, a Inglaterra já enfrentou alguns dos maiores jogadores de todos os tempos, mas o desafio que se avizinha pode ser o maior de todos.

Os jogadores ingleses que já enfrentaram Lionel Messi

Infelizmente para a Inglaterra, apenas um pequeno número de jogadores do elenco de Tuchel tem experiência prévia de dividir o campo com Messi no futebol de clubes.

Harry Kane

Harry Kane se deparou com Messi durante seus anos no Tottenham Hotspur, quando o clube foi sorteado no mesmo grupo do Barcelona na fase de grupos da Champions League de 2018-19.

No primeiro encontro, em Wembley, os dois atacantes marcaram, mas Messi foi o protagonista ao fazer dois gols na vitória catalã por quatro a dois.

As equipes se reencontraram no Camp Nou mais tarde naquele ano, com o Tottenham precisando de um resultado para avançar às oitavas. Apesar de Messi entrar no segundo tempo, os ingleses garantiram o ponto crucial com o gol de empate tardio de Lucas Moura, avançando ao mata-mata antes de chegar à final.

Kane conhece, portanto, em primeira mão, o desafio de enfrentar Messi, mas também tem experiência de sair com um resultado positivo diante do ídolo argentino.

Kane e Bellingham celebram gol da Inglaterra
Kane e Bellingham celebram gol da Inglaterra (Foto: Steven Dinberg / GEPA pictures / IMAGO)

John Stones

John Stones enfrentou Messi em diversas ocasiões durante sua passagem pelo Manchester City, tendo participado de dois confrontos da Champions League contra o Barcelona na temporada 2016-17.

O primeiro duelo foi uma noite de pesadelo para a equipe de Pep Guardiola, com o Barcelona vencendo por quatro a zero no Camp Nou após uma atuação magistral de Messi, que fez um hat-trick.

No entanto, Stones e o City responderam no confronto de volta no Etihad Stadium, vencendo por três a um, apesar de Messi ter aberto o placar para os visitantes.

O argentino causou uma impressão tão marcante em Stones que, quando questionado sobre o adversário mais difícil que já enfrentou, o zagueiro inglês apontou Messi como o maior desafio de sua carreira.

Jordan Henderson

Jordan Henderson guarda provavelmente as melhores memórias de qualquer jogador inglês que já enfrentou Messi.

Durante seus anos como capitão do Liverpool, Henderson fez parte do time que protagonizou uma das maiores remontadas da história da Champions League, revertendo uma desvantagem de três a zero do jogo de ida contra o Barcelona com uma histórica vitória por quatro a zero em Anfield em 2019.

Messi havia marcado dois gols na partida de ida, incluindo uma cobrança de falta espetacular, mas Henderson ajudou o Liverpool a anular completamente a ameaça ofensiva do Barcelona no duelo de volta, garantindo a classificação para a final.

O meia ergueu o troféu da Champions League semanas depois, o que faz dele um dos poucos jogadores ingleses que entram na semifinal de quarta-feira com boas memórias de ter enfrentado Messi.

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O que a Inglaterra pode aprender com a abordagem da Suíça diante de Messi

Não surpreende que pouquíssimas equipes tenham encontrado uma maneira de parar Lionel Messi completamente na Copa do Mundo 2026.

O capitão argentino está empatado com Kylian Mbappé, da França, na artilharia do torneio, com oito gols em seis partidas, em uma média de um gol a cada 66 minutos.

No entanto, a Suíça deu à Inglaterra um vislumbre de um possível modelo ao se tornar a primeira seleção a impedir Messi de marcar neste torneio.

Os suíços levaram a Argentina à prorrogação nas quartas de final, segurando a seleção de Lionel Scaloni no empate por um a um nos 90 minutos antes de Julián Álvarez e Lautaro Martínez decidirem com gols tardios.

Messi ainda deixou sua marca, assistindo para o gol da abertura do placar logo aos 10 minutos com sua décima assistência no torneio, mas a Suíça fez um trabalho impressionante para limitar sua influência no restante do jogo.

Lionel Messi, capitão da seleção argentina
Lionel Messi, capitão da seleção argentina (Foto: DeFodi Images / Icon Sport)

O jogador de 39 anos completou os 120 minutos, mas finalizou apenas uma vez no alvo em toda a partida, enquanto Gregor Kobel se tornou o primeiro goleiro do torneio a impedir Messi de marcar.

O sucesso suíço veio da recusa em dar espaço a Messi para dominar o jogo, com a equipe de Murat Yakin mantendo seu posicionamento compacto e dificultando ao máximo que o capitão argentino operasse consistentemente em áreas perigosas.

A Argentina teve dificuldades para encontrar seu ritmo por longos períodos, o que permitiu à Suíça crescer no jogo e empatar com o ponta do Nottingham Forest Dan Ndoye.

Como a Inglaterra pode replicar o plano da Suíça?

A Inglaterra também terá alento no fato de que Messi já disputou duas partidas que foram à prorrogação no mata-mata, tendo completado 120 minutos contra a Suíça poucos dias após outro confronto de 90 minutos na rodada anterior.

Outro fator que Tuchel pode levar em conta é o trabalho de Messi sem a bola. Embora continue sendo um dos maiores atacantes da história, os adversários da Argentina têm frequentemente buscado explorar os espaços deixados quando ele não recua para marcar.

Para a Inglaterra, o desafio será encontrar o equilíbrio entre respeitar a capacidade de Messi e ao mesmo tempo atacar as áreas onde ele pode ser exposto.

As decisões táticas que podem decidir a semifinal da Inglaterra

Apesar de todo o foco em conter Messi, a Inglaterra não pode se tornar completamente obcecada com um único jogador e permitir que as outras ameaças ofensivas da Argentina prosperem.

Thomas Tuchel conversa com Jude Bellingham em Inglaterra x México (Foto: Imago/Mark Pain)
Thomas Tuchel conversa com Jude Bellingham em Inglaterra x México (Foto: Imago/Mark Pain)

A maior decisão de Tuchel será o nível de agressividade que quer de sua equipe sem a bola. A Suíça mostrou que manter um bloco compacto e limitar o espaço de Messi pode frustrar a Argentina, com os suíços raramente permitindo que ele recebesse a bola em áreas centrais perigosas.

A Inglaterra pode tentar replicar essa abordagem com uma estrutura disciplinada no meio-campo, com Declan Rice, caso jogue, e os demais jogadores ao seu redor encarregados de impedir Messi de se virar e atacar a defesa em velocidade.

No entanto, Tuchel também sabe que ficar muito recuado por 90 minutos convida à pressão de um dos ataques mais perigosos do futebol mundial.

Embora Messi continue sendo um dos maiores atacantes da história, sua pouca contribuição defensiva pode abrir oportunidades para os ingleses explorarem os espaços deixados por ele quando a Argentina perde a posse.

Os pontas ingleses podem ser fundamentais nesse aspecto, com a capacidade de segurar Messi em seu próprio campo e forçá-lo a contribuir mais defensivamente do que ele gostaria.

Encontrar o equilíbrio certo entre respeitar a qualidade de Messi e ainda impor o próprio jogo pode ser, em última análise, o que vai decidir se a Inglaterra chega à sua primeira final de Copa do Mundo desde 1966.



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