Por Renan Paiva
Entre 11 de junho e 19 de julho, a Copa do Mundo masculina tomou conta das telas. No futebol feminino brasileiro, a bola simplesmente não rolou: o Brasileirão A1 foi interrompido na 12ª rodada e só voltou no dia 24 de julho. Mas a modalidade não ficou parada. Enquanto o campeonato estava em recesso, saíram uma lei, um estudo bilionário, um recorde de transferência e um torneio que bateu sua maior audiência.
O campeonato parou por quase dois meses
A pausa foi decisão da CBF para respeitar o calendário da FIFA. A última rodada antes do recesso terminou em 25 de maio, e o Brasileirão Feminino A1, ampliado para 18 clubes nesta temporada, ficou quase dois meses sem jogos, com cinco rodadas restantes para o fim da primeira fase. A Série A2 seguiu o mesmo cronograma, e a Copa do Brasil Feminina também parou.
O Corinthians entrou no recesso na liderança, apenas um ponto à frente do Palmeiras. O São Paulo era o terceiro colocado.
A lei da Copa de 2027 foi sancionada
Em 2 de junho, o governo federal sancionou a Lei 15.421, que estabelece as regras para a Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil. O texto trata de organização do comércio nas áreas oficiais, concessão de vistos para trabalhadores estrangeiros, ajustes no calendário escolar e autoriza estados e municípios a decretar feriado ou ponto facultativo nos dias de jogo da seleção.
O Mundial de 2027 será disputado entre 24 de junho e 25 de julho, em oito sedes: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Será a primeira Copa Feminina realizada na América do Sul.
A lei também prevê o pagamento de R$ 500 mil a cada jogadora que defendeu o Brasil no torneio experimental da FIFA, na China, em 1988, e na primeira Copa do Mundo Feminina, em 1991. No caso de atletas já falecidas, o valor vai para os herdeiros legais.
O estudo que colocou preço no Mundial
Em meados de julho, durante o Confut, em Nova York, a Embratur apresentou um estudo da FGV Projetos sobre o impacto econômico da Copa de 2027. A projeção é de R$ 8,8 bilhões movimentados na economia brasileira, 73,7 mil empregos, R$ 4,5 bilhões em renda e R$ 928 milhões em arrecadação de tributos.
Para efeito de comparação, o diretor de Gestão e Inovação da Embratur, Roberto Gevaerd, lembrou que os dez maiores eventos esportivos recorrentes do país movimentaram R$ 4,56 bilhões em 2025, pouco mais da metade do que se espera de um único torneio.
A Brasil Ladies Cup rolou no meio da Copa
Entre 9 e 12 de julho, com a Copa ainda em andamento, o Estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, recebeu a sexta edição da Brasil Ladies Cup. O Palmeiras venceu o Flamengo por 3 a 1 na final. Na disputa do terceiro lugar, a seleção paraguaia bateu o Peñarol por 2 a 1.
Fora de campo, o torneio reuniu 11 patrocinadores, número recorde, e alcançou 1,366 milhão de pessoas, a maior audiência da sua história no streaming. A entrada foi gratuita, e a final levou 1.821 torcedores ao estádio.
E Kerolin bateu o recorde de transferência
Nos últimos dias da Copa, uma negociação com valores recordes acontecia e, no dia 22 de julho, o Barcelona fechou acordo com o Manchester City pela atacante Kerolin, por 1,5 milhão de euros (cerca de R$ 8,6 milhões). É a maior transferência já envolvendo uma jogadora brasileira, a maior compra da história do Barcelona feminino e a maior venda do Manchester City na modalidade.
O recorde nacional anterior era de Amanda Gutierres, negociada pelo Palmeiras com o Boston Legacy por US$ 1,1 milhão em 2025. Aos 26 anos, Kerolin é presença constante nas convocações de Arthur Elias para o ciclo da Copa de 2027.
A bola voltou em outro cenário
O Brasileirão Feminino só voltou a rolar em 24 de julho, cinco dias depois da final do Mundial masculino. A diferença é que, quando a bola voltou, o terreno em volta dela já tinha mudado.










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