A expectativa de empresas ligadas ao setor é que o aumento da visibilidade até lá ajude a levar novos públicos aos estádios.
A projeção econômica foi calculada pela FGV Projetos a pedido da Embratur e considera os gastos ligados à preparação e à realização do Mundial, além do consumo de moradores e turistas durante a competição.
Como a Copa do Mundo Feminina 2027 deve movimentar a economia
A maior parcela dos R$ 8,8 bilhões deve vir dos gastos do público. A FGV estima uma movimentação de R$ 4,7 bilhões a partir do fluxo de cerca de 2 milhões de pessoas, entre moradores e turistas, durante o período da competição.
Esse movimento deverá sustentar 45,7 mil postos de trabalho, gerar R$ 2,4 bilhões em renda e resultar em R$ 516 milhões em impostos federais, estaduais e municipais.
A projeção considera o potencial de consumo em setores como hospedagem, alimentação, transporte, comércio e lazer.
Dados incorporados ao levantamento também indicam um público ainda pouco explorado pelo futebol presencial: 72% dos brasileiros que nunca frequentaram um estádio são mulheres, enquanto 73% do público avalia positivamente a Seleção Brasileira Feminina.
Ruskaya Zanini, COO da FSports, vê a Copa do Mundo feminina 2027 como uma oportunidade para transformar o interesse crescente de público, mídia e empresas em novas parcerias e patrocínios.
“O momento é ideal para consolidar parcerias e novos patrocínios, gerando um impacto econômico duradouro e sustentável para o esporte”, afirma Zanini.
LEIA MAIS: Ingressos da Copa do Mundo feminina 2027: veja o que já se sabe sobre vendas e preços
Copa do Mundo Feminina terá orçamento 60% maior que em 2023
Outra parte da movimentação está ligada à própria organização do Mundial. A Fifa prevê um orçamento global de US$ 800 milhões para a edição de 2027.
Desse montante, US$ 344 milhões serão destinados à distribuição de recursos ao futebol feminino. Os US$ 456 milhões restantes, equivalentes a aproximadamente R$ 2,3 bilhões, financiarão a operação da competição, incluindo gastos com pessoal, transporte, segurança, transmissão, tecnologia, serviços às seleções e preparação dos estádios.
Segundo a projeção da FGV, depois de considerados os efeitos desse dinheiro sobre fornecedores e outras atividades econômicas, o impacto associado à organização deverá chegar a R$ 4,1 bilhões.
O orçamento também mostra uma mudança de escala em relação ao último Mundial. Fábio Wolff, integrante do comitê organizador da Brasil Ladies Cup, afirma que o crescimento de audiência, patrocinadores e investimentos como sinais da consolidação comercial do futebol feminino.
“O potencial de a Copa do Mundo Feminina 2027 ser a primeira edição lucrativa da história confirma a evolução comercial do futebol feminino. Para as marcas, é a oportunidade de estar presente em um evento global que oferece alta visibilidade, engajamento e conexão com o público”, explica Wolff.
A Fifa gastou aproximadamente US$ 499 milhões na Copa Feminina de 2023, realizada na Austrália e na Nova Zelândia. Os US$ 800 milhões previstos para 2027 representam um aumento de cerca de 60%, apesar de as duas edições terem o mesmo formato, com 32 seleções e 64 partidas.
Ted Lasso pode ampliar a visibilidade
O crescimento dos investimentos ocorre enquanto empresas do setor tentam transformar a maior exposição do futebol feminino em audiência, consumo e receitas capazes de permanecer depois da Copa.
Camila Estefano, gerente-geral do projeto Estrelas, avalia que a competição marca uma mudança de patamar da modalidade ao colocar em evidência não apenas seus efeitos sociais e esportivos, mas sua capacidade de funcionar como um produto economicamente sustentável.
“O Brasil reúne ingredientes únicos para potencializar esse momento. Temos uma das maiores paixões pelo futebol do mundo, uma nova geração de torcedoras e torcedores cada vez mais engajada”, ressalta Estefano.
Essa exposição começa a ultrapassar o próprio mercado esportivo. A quarta temporada de Ted Lasso, lançada pela Apple TV em agosto de 2026, colocou uma equipe feminina de futebol no centro da história da série, levando a modalidade também a espectadores que não necessariamente acompanham campeonatos ou transmissões esportivas.
A expectativa de que essa visibilidade se converta em novos públicos já aparece entre clubes ingleses. O The Telegraph reportou que equipes e treinadores de futebol feminino de Londres esperam um “efeito Ted Lasso” sobre a modalidade, com a série ajudando a despertar interesse por jogadoras e times da modalidade.
A expectativa dos clubes ingleses, porém, reflete com um dos desafios do mercado brasileiro às vésperas da Copa de 2027: transformar a exposição em novos torcedores e consumidores.
Quanto a Copa do Mundo Feminina 2027 deve acrescentar ao PIB
Os R$ 8,8 bilhões projetados pela FGV representam a movimentação econômica total relacionada à competição e não o valor que será incorporado integralmente à economia brasileira.
O estudo estima um acréscimo de R$ 3,8 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB), além da geração de R$ 4,5 bilhões em rendimentos, entre salários e lucros, e arrecadação de R$ 928 milhões em impostos.
Também são projetados 73,7 mil postos de trabalho associados ao aumento da atividade econômica. O número não significa necessariamente 73,7 mil novas contratações permanentes: a estima de ocupações sustentadas pela demanda gerada pelo torneio.
A Copa do Mundo feminina 2027 será realizada em Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
Até agora, o estudo divulgado não apresenta quanto dos R$ 8,8 bilhões deverá circular em cada cidade ou quanto ficará individualmente em setores como turismo, alimentação, transporte e comércio.











Leave a Reply