Copa do Mundo Feminina de 2027 será disputada no Brasil, entre os dias 24 de junho e 25 de julho – Divulgação / Fifa
Assim que terminou a final da Copa do Mundo Masculina entre Espanha e Argentina, uma coisa me chamou a atenção. Antes mesmo de encerrar a transmissão, as emissoras já começaram a falar da próxima Copa do Mundo: a Feminina. A nossa Copa do Mundo.
Naquele momento, senti uma mistura de emoção e preocupação.
Emoção porque, pela primeira vez, tive a sensação de que o futebol feminino ocupará o centro das atenções no Brasil. E preocupação porque me perguntei se estamos realmente preparados para o que vem pela frente.
Não estou falando de estádios, aeroportos ou hotéis. O Brasil sabe fazer grandes eventos. Minha dúvida é outra: será que estamos preparados para enxergar essa Copa como uma oportunidade de transformar o esporte feminino de verdade ou vamos tratá-la como mais um evento que passa, gera boas fotos e depois todo mundo segue a vida?
Porque a verdade é que o futebol feminino ainda está muito longe do espaço que merece. Aliás, o esporte feminino, de maneira geral, ainda ocupa um lugar muito pequeno na nossa cultura. E isso sempre me incomodou.
Esporte transforma pessoas. Ensina disciplina, trabalho em equipe, respeito, superação. Ensina a ganhar e a perder. Ensina que talento ajuda, mas não substitui esforço. E tudo isso vale para qualquer modalidade, para qualquer menino e para qualquer menina.
Só que ninguém vira atleta sozinho.
É preciso ter onde treinar. É preciso ter campeonatos. É preciso ter treinador, incentivo, família, escola, alguém que aponte um caminho e diga: “vai, você consegue”. Antes de colher, a gente precisa plantar. E, no esporte feminino, o Brasil ainda tem muito campo para semear.
Perdi a conta de quantas vezes ouvi alguém dizer que futebol feminino “não é futebol”, que é outro esporte. Talvez você também já tenha ouvido isso.
Durante muito tempo, eu brigava, tentava convencer, mostrava números. Hoje, prefiro gastar minha energia falando com quem já entendeu o tamanho da oportunidade.
Em geral, todo grande negócio é construído porque alguém teve coragem de investir antes do resto do mercado acreditar.
E é exatamente disso que estamos falando. O futebol feminino é uma oportunidade para milhares de meninas encontrarem um futuro. Para clubes construírem novas histórias, novas torcidas e novos modelos de negócio. Para marcas criarem conexões muito mais autênticas com o público. Para inspirar uma geração inteira.
Quem conseguir enxergar essa oportunidade antes dos outros não estará apenas fazendo um bom investimento; estará ajudando a construir um legado.
A Copa do Mundo Feminina de 2027 já começou para quem entendeu a potência que ela representa. E a pergunta que fica é simples: a sua marca já começou a se movimentar para fazer parte dessa história ou vai esperar a festa começar para tentar entrar?
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Roberta Coelho é CEO da equipe de e-Sports MIBR e criadora da WIBR, ecossistema de ações que busca trazer mais mulheres para o universo dos games. Além disso, é cocriadora e ex-CEO da Game XP e ex-head de desenvolvimento de negócios e ex-diretora comercial do Rock in Rio











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