Em 2027, a Seleção Brasileira entra em campo para disputar a Copa do Mundo Feminina em casa pela primeira vez. A última edição do torneio acabou com gosto agridoce para o Brasil. Após a eliminação nas oitavas de final, a lendária Marta se dirigiu às jogadoras mais jovens, com olhos marejados: “Não vai ter uma Marta para sempre. Não vai ter uma Formiga para sempre. O futebol feminino depende de vocês”. Após décadas no esporte, a geração responsável pelo reconhecimento da modalidade no país ensaiava pendurar as chuteiras pela Seleção.
Marta decidiu estrelar mais um capítulo do Mundial, mas será o primeiro sem Formiga desde a segunda edição na história, em 1991. Vestindo a camisa da Seleção desde os 16 anos, ela se tornou a pessoa que mais competiu em Copas na história, entre homens e mulheres, com sete edições. Hoje aos 48, foi nomeada diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte, dando contorno político a sua luta no futebol feminino. “Até minha última Copa, eu fingia que ainda era uma menina jogando nos campos de barro no meu bairro”, diz ela, que acaba de inaugurar a Taça das Formigas, projeto social de torneios de futebol feminino de base em parceria com a Fifa.
Sua história com o futebol começa com outra menina baiana que queria brincar de bola: Dilma Mendes. Aos 10 anos, Dilma já conhecia bem a delegacia de Camaçari, sua cidade natal. Estava acostumada a fugir do camburão – distribuía picolés para outras crianças vigiarem a rua e chegou a cavar um buraco para se esconder dos policiais. “Mas às vezes não dava certo, porque eu estava fazendo algum movimento legal e preferia fazer o gol.” Quando nasceu, em 1963, a lei já proibia mulheres de praticarem esportes “incompatíveis com as condições de sua natureza” há mais de duas décadas.
Mas nem a proibição por lei nem pela mãe foram capazes de conter seus treinos no quintal, improvisados com bolas de meias enroladas. “Eu ser treinadora hoje vai muito dos caminhos que tive que achar para jogar na infância”, diz a tricampeã mundial, tetracampeã americana e Melhor Técnica do Mundo de Fut7 nos últimos três anos. “Chamo isso de estratégia.”











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