Especialistas alertam para físico dos jogadores com maior intervalo na final da Copa do Mundo: ‘Aumenta o risco de lesões’


Não bastasse a polêmica em torno das pausas para hidratação em cada tempo, a final da Copa do Mundo ganhou mais um fator que pode influenciar a condição física dos jogadores: o show do intervalo. Se antes as equipes retornavam ao gramado após 15 minutos de descanso, agora terão de lidar, pela primeira vez, com uma pausa maior (já se falou em 30, 17 e 22 minutos).

— Com um maior intervalo, pode haver redução da temperatura muscular, da frequência cardíaca e da ativação neuromuscular. Isso faz com que os jogadores iniciem o segundo tempo com menor capacidade para sprints, acelerações e mudanças rápidas de direção, além de maior rigidez muscular. Essa alteração pode reduzir o desempenho físico e aumentar o risco de lesões musculares — ressalta Breno Araujo, preparador físico do America-RJ.

— A estratégia é transformar o intervalo em um período ativo, evitando que os jogadores permaneçam em repouso por muito tempo. Protocolos de mobilidade, ativação muscular, hidratação, reposição energética e manutenção da temperatura corporal serão fundamentais. Além disso, um aquecimento semelhante ao pré-jogo antes do retorno ao campo pode ajudar as equipes a recuperar o ritmo e obter uma vantagem competitiva.

O preparador físico Luis Teteo também destaca os efeitos da pausa prolongada na concentração e no comportamento dos atletas:

— No início da partida, alguns atletas já entram em estado de alerta e foco, mas muitos ainda precisam ativá-lo, o que pode levar de 10 a 20 minutos. Com a ampliação por causa dos shows, esse estado é prejudicado, dificultando o início do segundo tempo. Como consequência, aumentam a desatenção, os erros de passe, de coordenação, de posicionamento e as falhas táticas, impactando negativamente o desempenho dos atletas durante a Copa.



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