Ao longo deste segundo semestre, escolas em todo o país deveriam começar a planejar o ano letivo de 2027 – uma tarefa que, em condições normais, já teria uma boa dose de previsibilidade, tanto para os educadores quanto para aqueles pais que também têm o hábito de planejar o ano levando em conta o calendário escolar dos filhos. No entanto, uma dose cavalar de populismo identitário do Congresso Nacional e da Presidência da República, tendo como pretexto a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino no Brasil, transformou esse planejamento em uma incógnita total.

O artigo 67 da Lei 15.421/26, aprovada pelo Legislativo em maio e sancionada por Lula em junho, determina que “os sistemas de ensino deverão ajustar os calendários escolares de forma que as férias escolares decorrentes do encerramento das atividades letivas do primeiro semestre de 2027, nos estabelecimentos de ensino das redes pública e privada, abranjam todo o período entre a abertura e o encerramento da Copa do Mundo Feminina da Fifa 2027” – a competição começa em 24 de junho e termina em 25 de julho do próximo ano. Ou seja, todas as escolas, no país inteiro, mesmo longe das cidades-sede, deverão parar durante o campeonato, que dura um mês.

O calendário escolar imposto pela nova lei desorganizará escalas de trabalho e férias – dos professores e funcionários de escolas, mas também de pais de alunos