Fifa Admite Erros em Plano para Vender Fatia da Copa e Apoia Infantino


A Fifa pediu desculpas às suas federações filiadas por “erros” na condução do controverso plano, agora abandonado, de vender participações nos negócios da Copa do Mundo. A entidade afirmou, porém, que seus dirigentes reafirmaram apoio à permanência de Gianni Infantino na presidência, apesar do aumento das críticas e dos pedidos por sua saída feitos por líderes mundiais e lendas do futebol.

Em comunicado divulgado depois de uma reunião de crise no Marrocos, a Fifa afirmou que seu secretário-geral, Mattias Grafström, e os integrantes de seu conselho de administração “reafirmaram seu apoio total” a Infantino.

Infantino também reiterou seu apoio à liderança da Fifa e a Grafström, que havia se distanciado publicamente da controversa iniciativa FIFA Forward Enterprise, a FFE.

No comunicado, a entidade reconheceu que erros foram cometidos durante o processo e que “o processo deveria ter sido conduzido de maneira diferente”.

O texto também admitiu que houve “erros” depois que a proposta foi revelada pela imprensa e afirmou que nunca houve a intenção de fazer com que as federações filiadas se sentissem excluídas do processo.

A direção da entidade enviou uma carta de desculpas ao seu órgão executivo, o Conselho da Fifa, e a todas as federações filiadas, “com o compromisso de garantir que isso não volte a acontecer”, além da promessa de uma revisão.

Na manhã de quarta-feira (5), o jornal britânico The Times informou que Infantino estaria oferecendo ao Marrocos o direito de sediar a final da Copa do Mundo de 2030 em troca de apoio à sua reeleição como presidente da Fifa.

Em comunicado enviado à Associated Press, a entidade rejeitou a informação e afirmou que é “falso e enganoso dizer que o presidente da Fifa fez qualquer promessa relacionada à realização da final da Copa do Mundo de 2030”.

O comunicado oficial também rebateu as críticas contínuas à Fifa e a Infantino, aparentando ameaçar a adoção de medidas legais.

“Com a retirada do projeto [FFE], ficou acordado que a Fifa não tolerará mais ataques à sua integridade, boa governança e devido processo, e tomará todas as medidas necessárias para proteger e preservar seu nome e sua reputação.”

Outro ponto

Citando fontes não identificadas, o The Times informou que pessoas próximas a Infantino gostariam que um ex-jogador famoso se manifestasse publicamente em apoio ao pressionado presidente da entidade, mas que “aparentemente ele se tornou tóxico demais depois do plano de venda da Copa do Mundo”.

Também na quarta-feira, o ex-jogador de Portugal e do Real Madrid Luís Figo divulgou um comunicado afirmando:

“Hoje me junto a outras pessoas do nosso esporte e peço que Gianni Infantino renuncie à presidência da Fifa. Ele mentiu, enganou e tentou beneficiar a si próprio às custas do esporte que deveria servir. É tarde demais para salvar sua dignidade, mas não é tarde demais para salvar o futebol. Ele deve sair. Agora.”

O que observar

A União das Associações Europeias de Futebol, a Uefa, que anteriormente afirmou ter perdido a confiança em Infantino, ainda não respondeu aos planos dele de permanecer no poder como presidente.

Não está claro se a entidade conseguirá convencer outros órgãos regionais, como a Confederação Asiática de Futebol, a AFC, e a Concacaf, da América do Norte e Central, a apoiar seu plano para afastar o presidente da Fifa.

Principal crítica

Em comunicado divulgado na quarta-feira, a European Leagues – que representa as principais ligas de futebol do continente, incluindo a Premier League, a La Liga e outras — afirmou que, embora tenha ficado satisfeita com a decisão da Fifa de abandonar o plano da FFE, a falta de transparência no processo “levanta sérias dúvidas sobre a governança, a cultura interna e a tomada de decisões da Fifa”.

A entidade criticou a decisão da Fifa de enviar um documento de consulta sobre uma proposta para ampliar a Copa do Mundo de 2030 para 64 seleções enquanto a controvérsia envolvendo a FFE ainda estava em curso.

“Esta nova proposta envolve um prazo de avaliação impraticavelmente curto, de apenas quatro semanas, e nenhuma consulta às ligas, clubes e jogadores cujo planejamento e meios de subsistência seriam mais afetados.”

O comunicado acrescentou: “A Fifa não pode continuar sendo autorizada a tomar unilateralmente decisões prejudiciais que contrariem os interesses das ligas, clubes, jogadores e torcedores, cujos esforços e investimentos contínuos impulsionam o valor das competições internacionais de futebol.”

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com e editado por Forbes Brasil



Source link

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *