Fifa: Infantino tenta cartada desesperada após perder apoio em polêmica sobre Copa do Mundo


Desde a revelação de uma proposta de venda de participação de direitos comerciais da Copa do Mundo, Gianni Infantino tem enfrentado uma crise sem precedentes na Fifa. E para se manter no poder, o presidente da entidade máxima do futebol agora tenta uma cartada desesperada para responder à perda de apoio internacional.

Segundo o jornal “The Times”, Infantino ofereceu a final do Mundial de 2030 a Marrocos, que será um dos países-sede ao lado de Portugal e Espanha. A Fifa está disposta a colocar a partida decisiva do torneio centenário no futuro Estádio Hassan II, que está em construção na cidade de Casablanca e terá capacidade para aproximadamente 115 mil pessoas.

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Em troca, o mandatário pede o suporte nos bastidores da Federação Marroquina de Futebol, que é uma de suas principais aliadas desde fevereiro de 2016, quando assumiu a gestão da entidade, para que demais federações da região mantenham a fidelidade em sua gestão. Gianni Infantino, aliás, está em Marrocos, onde realizou uma reunião de emergência nesta quarta-feira (5) com dirigentes da Fifa em meio ao crescente apelo por sua renúncia.

No fim da tarde desta quarta-feira, a Fifa divulgou uma nota em seu site oficial, após o término da reunião, alegando que não era a intenção de Infantino deixar o Conselho da entidade e as federações de fora da discussão sobre a venda da participação dos direitos comerciais da Copa. No texto, a entidade também admite que erros foram cometidos antes e depois do vazamento da ideia.

“Em uma carta separada endereçada ao Conselho da FIFA e às associações-membro da FIFA, foi apresentado um pedido de desculpas por esses erros, acompanhado do compromisso de garantir que não voltem a ocorrer. Uma revisão será realizada agora, e um relatório será apresentado ao Conselho da FIFA em sua próxima reunião agendada”, afirma um trecho do texto no site oficial da entidade.

Marrocos pode sediar final da Copa do Mundo 2030 com a bênção de Gianni Infantino, presidente da Fifa (Foto: Imago/HMB-Media)
Marrocos pode sediar final da Copa do Mundo 2030 com a bênção de Gianni Infantino, presidente da Fifa (Foto: Imago/HMB-Media)

Cabe ressaltar que, antes do presidente oferecer a final da Copa ao Estádio Hassan II, a expectativa era que o jogo decisivo acontecesse no Santiago Bernabéu, em Madrid, capital espanhola. Até o momento, a entidade não divulgou oficialmente o local da decisão da próxima edição do torneio. Fato é que, em março de 2027, Rabat, capital marroquina, sediará o Congresso da Fifa que definirá se Infantino será reeleito ou não.

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Apesar dos atritos frequentes com a Uefa, o chefe da Fifa contava com o prestígio das demais confederações continentais e era considerado favorito ao próximo pleito. Entretanto, tudo mudou quando Gianni Infantino liderou, secretamente, a proposta de criação uma nova subsidiária, a Fifa Forward Enterprise (FFE).

A FFE permitiria o órgão a negociar uma participação minoritária dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados por cerca de 20 bilhões de dólares (R$ 102 bilhões). Entre os interessados estava a Thrive Eternal, empresa liderada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cuja relação com o mandatário da Fifa já foi alvo de diversas polêmicas.

Presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)
Presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)

Sem transparência e consulta prévia às demais entidades do futebol, Infantino enfrentou uma reação negativa, sobretudo com o anúncio de boicote dos europeus enquanto o programa continuasse de pé. O presidente da Fifa não teve outra alternativa a não ser abandonar o projeto, mas o movimento não foi suficiente para recuperar a confiança em sua gestão.

Enquanto parte das federações da Uefa retiraram seu endosso à chapa de Gianni Infantino, integrantes do próprio órgão máximo do futebol se distanciaram do comandante. Nomes como Mattias Grafstrom, secretário-geral; Kevin Lamour, diretor de operações; Carlos Cordeiro, assessor especial; e Arsène Wenger, chefe de Desenvolvimento Global do Futebol, vincularam, cada um a sua maneira, o programa vendilhão exclusivamente ao mandatário da Fifa.

Ao mesmo tempo, Infantino tenta mostrar força na entidade ao compartilhar registros antigos com os Legends, ex-jogadores famosos globalmente. Até aqui, apenas as federações de Catar, que sediou a Copa de 2022, Kuwait, Líbano, Sri Lanka, Indonésia e Filipinas expressaram sua lealdade ao atual chefe da Fifa. A Arábia Saudita, escolhida para ser palco do Mundial de 2034, manteve o silêncio.





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