Rizzo: ‘A FIFA está ultrapassando um limite e atrapalhando o jogo’
Marcel Rizzo avalia que os eventos promovidos pela FIFA atrapalham a concentração de técnicos e jogadores.
A gestão de Gianni Infantino como presidente da Fifa está cada vez mais desagradável aos olhos Uefa, a união das federações europeias de futebol. O desgaste cresceu ao longo dos anos, na esteira de algumas discordâncias, e atingiu ponto crítico nesta terça-feira, 28, quando a entidade máxima do futebol anunciou um plano para vender ações de uma nova empresa que será constituída para administrar competições, inclusive a Copa do Mundo.
Em nota oficial, a Uefa, presidida pelo esloveno Aleksander Ceferin, classificou como um “cruzamento de uma linha que nunca deveria ser cruzada” a potencial entrada de acionistas, mesmo que minoritários, na administração dos principais produtos da Fifa. “Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo”, diz o comunicado. Há, inclusive, ameaça de boicote à Copa de 2030.
A Uefa sempre deixou clara, por exemplo, sua insatisfação com a criação do formato expandido do Mundial de Clubes, inaugurado em 2025 com 32 participantes. Na visão do órgão, a nova competição incha o calendário, sobrecarrega os jogadores e gera concorrência com a Liga dos Campeões, o mais lucrativo torneio europeu.
Aleksander Ceferin não esteve presente à final da Copa Mundo Foto: Reprodução Uefa via X
Durante a Copa do Mundo de 2026, novos desentendimentos públicos foram protagonizados pelas duas entidades. O desconforto de Ceferin com a administração de Infantino ficou evidente quando a Uefa publicou uma nota condenando a decisão de anular a suspensão do atacante americano Balogun, após ligação de Donald Trump ao presidente da Fifa.
O jogador, que levou cartão vermelho na segunda fase do Mundial, contra a Bósnia, pôde disputar as oitavas de final, fase na qual os Estados Unidos derrotados por 4 a 1 pela Bélgica e eliminados do torneio. No comunicado condenando a decisão, a Uefa disse que a Fifa “cruzou uma linha vermelha”, frase parecida àquela utilizada nesta terça-feira para condenar a nova empreitada de Infantino.
A Uefa também é frontalmente contrária ao plano de ampliar o número de times da Copa do Mundo para 64 em 2030, outra ideia de Infantino. Em meio a tantas discordâncias, Aleksander Ceferin não foi à final entre Espanha e Argentina em New Jersey para deixar clara sua oposição à atual gestão.
O chefão da Uefa, inclusive, é cotado para desafiar o ítalo-suíço na eleição para a presidência da Fifa, marcada para março de 2027. Há dirigentes que preferem o nome de Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain e da Qatar Sports Investments (QSI), o fundo soberano do Catar, dono do clube francês.
Khelaifi também preside a Associação Europeia de Clubes. Ter o catariano na presidência da Fifa, contudo, é mais um plano de um grupo de cartolas do que uma vontade própria, até porque a relação entre ele e Infantino é boa.
Desafiar a gestão do atual presidente não será uma missão fácil aos opositores. Apesar da oposição da Uefa, ele ainda tem apoio da maioria das federações, além de conexões com figuras poderosas. Destacam-se a relação estreita com Trump e a proximidade com a Arábia Saudita, sede da Copa de 2034, por meio de sua amizade com o príncipe herdeiro e primeiro ministro Mohammed bin Salman.











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