Manu Gutiérrez não calça chuteiras e nem marca gols, mas tem sido um dos personagens desta Copa do Mundo que mais inspiram o público. O jornalista venezuelano que viralizou nas redes sociais após fazer perguntas a Lionel Messi e Jude Bellingham cativou a todos por seu amor pelo futebol e pela profissão. E vê sua vida mudar graças a estas paixões.
Nos últimos dias ele tem tido que conciliar a cobertura do torneio com as entrevistas para veículos de diversos países. A eles, compartilha sua história: a de um fã de futebol que chegou à Copa através do microfone.
Um erro médico pôs em risco a vida de Manu e de sua mãe no parto, há 30 anos. Ambos sobreviveram, mas ele nasceu com paralisia cerebral, que afetou seus movimentos do lado esquerdo:
—Meu sonho era ser jogador de futebol. Obviamente me dei conta cedo que não iria poder e encontrei no microfone uma alternativa para me aproximar dos campos.
Nos Estados Unidos desde os 10 anos, Manu começou a trabalhar em rádios aos 15. Formou-se em jornalismo em 2021 e, dois anos depois, abriu o próprio canal na internet no qual comenta sobre beisebol, esporte mais popular da Venezuela, e futebol, sua paixão de criança.
O jornalista está credenciado para cobrir a Copa no Kansas e em Atlanta. Cadeirante, costuma acompanhar as entrevistas um pouco mais ao lado da área onde ficam os demais repórteres e aguarda pacientemente que os atletas passem por ali. Foi assim que conseguiu parar as estrelas de Inglaterra e Argentina. Ele trabalha com o pai, Jesus.
— Estou desfrutando ao máximo porque não era algo que estava nos meus planos e nem nos meus sonhos. Graças a ele, estou aqui numa Copa do Mundo — conta o pai, orgulhoso. — Mas aqui sou seu assistente. Porque quem sabe fazer o trabalho é ele. Eu somente o apoio.
Manu acabou acolhido pela seleção argentina e criou uma conexão mais forte com seus membros. Por isso, não esconde a torcida pela Albiceleste no jogo de hoje.
Independentemente do resultado, Manu já está garantido na decisão. Esta semana, ele foi comunicado pela Fifa de que poderá cobrir o jogo do próximo domingo, em Nova Jersey. O menino fã de futebol impedido de entrar nos gramados conquistou sua vaga numa final de Copa.
— O microfone me deu esperança — conta.











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