Na Bancada da Copa do Caos – Edição 008: As narrativas da Final


O confronto entre Argentina e Inglaterra, nas semifinais da Copa, é um daqueles jogos que transcende o futebol. Carregado de história e política, o reencontro das duas seleções em uma Copa reacende a memória da Guerra das Malvinas, o gol antológico de Maradona, a “”Mão de Deus””. O que está em jogo, para os argentinos, vai além da vaga na final. É a reedição de uma das partidas mais simbólicas da história das Copas. Nesse emaranhado de símbolos, e por que não dizer também ressentimentos, que o sociólogo argentino Pablo Alabarces escreveu Futebol e pátria. O livro mostra como a Argentina construiu, ao longo de mais de um século, uma narrativa de si mesma a partir do futebol — e como essa narrativa se atualiza a cada partida, ganhando novas camadas políticas quando se trata do confronto contra a Inglaterra, um inimigo histórico dentro e fora de campo. Para Alabarces, quando a seleção nacional vence, os argentinos, enquanto comunidade, vencem; da mesma maneira se dá na derrota. É nessa relação entre “”futebol”” e “”pátria”” que o autor desvenda essa dinâmica: a ideia de nação ajuda a explicar o futebol, enquanto o futebol produz uma ideia de nação. A identidade argentina, como mostra o autor, não é dada, mas sim uma construção permanente, feita de vitórias e derrotas. Sugerir esta leitura na véspera do duelo contra a Inglaterra é entender que, quando os jogadores entram em campo, não estão apenas disputando uma vaga na final, mas sim (re)escrevendo um discurso nacional.



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