Ainda assim, isso vem ganhando força há algum tempo.
A Superliga Europeia é um exemplo bastante bom, ainda que em menor escala. Em 2021, 12 clubes da Inglaterra, da Espanha e da Itália anunciaram planos para formar uma competição dissidente de 20 equipes, que incluiria 15 membros permanentes e faria com que os clubes mais proeminentes jogassem entre si de forma mais regular. Os interesses deles eram em grande parte comerciais, com enormes direitos de transmissão, sem dúvida, em jogo caso conseguissem oferecer confrontos de alto nível semana após semana. O JPMorgan, que está administrando o dinheiro da FFE, atuou como financiador do projeto, comprometendo € 3,25 bilhões para tirá-lo do papel. A liga foi abortada após protestos em massa de torcedores, ligas e federações de futebol. Aquilo foi um tiro de advertência que, em retrospecto, deveria ter sido levado mais a sério.
Infantino já tentou fazer isso antes. Em 2018, ele defendeu uma oferta de US$ 25 bilhões apoiada pelo SoftBank, do Japão, para financiar novas competições, incluindo uma Copa do Mundo de Clubes masculina ampliada. A Uefa resistiu, mas as bases já haviam sido lançadas. Infantino acabou conseguindo o seu torneio, com os Estados Unidos como sede única, embora o acordo de transmissão não tenha se concretizado como originalmente previsto. A Fifa manteve conversas sobre um acordo de US$ 1 bilhão com a Apple TV+, segundo relatos, mas as negociações fracassaram, enquanto Fox Sports e NBC teriam se recusado a apresentar proposta. A DAZN acabou pagando cerca da mesma quantia. Depois veio outro acordo notável de US$ 1 bilhão: a SURJ Sports Investment, uma subsidiária do fundo soberano da Arábia Saudita, adquiriu cerca de 10% da DAZN. A Arábia Saudita, claro, vai sediar a Copa do Mundo de 2034.
Depois, há a relação extraordinariamente próxima de Infantino com o presidente Donald Trump. Ele compareceu à posse de Trump antes de lhe entregar o novo Prêmio da Paz da Fifa no sorteio da Copa do Mundo de 2026, por seus supostos esforços para promover a paz. Trump, por sua vez, supostamente sugeriu Infantino como candidato a, sim, isto é verdade, secretário-geral das Nações Unidas. Nesse contexto, chama a atenção o fato de que a Thrive Eternal, liderada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Trump, está à frente do grupo de investidores proposto para a FFE.










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