Em um golpe duplo que abala as estruturas da Federação Internacional de Futebol, a Concacaf anunciou sua adesão oficial à União Europeia de Futebol na rejeição ao plano de Gianni Infantino de reestruturação comercial, colocando o presidente da Fifa em confronto aberto com os dois maiores continentes do mundo do futebol.
Rejeição por unanimidade: 41 votos contra o império de Infantino
A Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) decidiu, em sessão extraordinária realizada na quinta-feira, rejeitar por unanimidade a proposta “Fifa Forward Enterprise” por parte de suas 41 federações membros.
A Concacaf afirmou, em seu comunicado oficial, que “o futuro do futebol e seus ativos mais valiosos devem permanecer nas mãos da família do futebol”, manifestando profunda preocupação com a ausência de procedimentos legais, o prazo artificial e a falta de qualquer revisão ou aprovação por parte dos órgãos administrativos da Fifa, questionando a necessidade de capital privado após a organização da edição mais lucrativa da história da Copa do Mundo.
O plano de Infantino se baseia na criação de uma empresa subsidiária que administrará os negócios da Copa do Mundo, da Copa do Mundo de Clubes e de outros torneios, além de captar um capital inicial de até 4,2 bilhões de dólares, com um valor de mercado de 20 bilhões de dólares, por meio da venda de 20% a 30% de suas ações a investidores do setor privado como participações minoritárias, sem poder de controle.
A Fifa justifica seu projeto e a Concacaf exige transparência
Em contrapartida, a Fifa negou ter a intenção de vender a Copa do Mundo, afirmando que todos os lucros líquidos da nova empresa serão reinvestidos no desenvolvimento do esporte mundialmente, com o aumento do financiamento das 211 federações membros de 8 milhões de dólares no ciclo 2023-2026 para 20 milhões de dólares no ciclo 2027-2030.
No entanto, a Concacaf encerrou seu comunicado com uma exigência clara por “mais transparência e boa governança”, e por esclarecimentos sobre como serão utilizadas as enormes reservas da Fifa, lembrando a Infantino a necessidade de seguir os canais de governança adequados previstos no estatuto da organização.
Após a ameaça de boicote da Uefa, o projeto de Infantino vai cair?
A iniciativa da Concacaf vem apenas horas depois de a União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) anunciar sua disposição de boicotar todas as competições da Fifa enquanto permanecer de pé a proposta de venda de participações da Copa do Mundo.
Infantino se encontra agora em um impasse real, pois, depois de apostar no apoio das federações das Américas para enfrentar a ira europeia, viu-se perdendo um novo aliado estratégico, em uma batalha que pode definir o futuro de quem será o dono do esporte mais popular do mundo.











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