Como costuma ocorrer nos últimos dias de toda Copa do Mundo, o grupo de estudos técnicos da Fifa (TSG, na sigla em inglês) apresentou o resultado de suas observações dos 102 jogos realizados até agora. Mas o que mais chamou atenção durante, na verdade, foi o que ficou de fora. Em que pese terem sido um dos temas mais debatidos desta edição, as pausas para hidratação não foram contempladas na análise.
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As duas paradas de três minutos por tempo foram a novidade mais comentada do torneio. A medida recebeu grande rejeição do público. Enquanto os patrocinadores ganharam mais tempo para terem suas marcas exibidas nas transmissões, nos estádios tornou-se comum a cena das torcidas vaiando a cada vez que o árbitro paralisava a partida. Houve queixas de que estes intervalos influenciaram demais nas disputas.
— Algumas pessoas não gostaram disso. Eu acho que não mudou os resultados da competição. Mas claro que estamos aqui para servir as pessoas, os fãs, os torcedores — despistou o ex-treinador francês Arsène Wenger, supervisor geral do TSG, que optou por se debruçar sobre o assunto apenas ao fim do torneio.
— Em alguns jogos, isso (a pausa) foi muito necessário. E nós vimos diferenças na forma como cada partida foi gerenciada. Mas fizemos algumas escolhas antes do torneio, e vamos analisar isso depois do fim da Copa — completou.
Incômodo de Wenger: ‘Já respondi’
O tema era um elefante na sala do TSG. Afinal, o grupo se propõe justamente a estudar tendências que a Copa aponta e os impactos das novidades que ela apresenta. Mas justamente a principal delas ficou fora desta primeira análise. A insistência dos jornalistas no tema deixou Wenger incomodado:
— Eu já respondi sobre a pausa para hidratação. Vamos fazer a análise depois da Copa. Em alguns jogos, especialmente quando os estádios eram cobertos, as pessoas não ficaram felizes (com a pausa). Mas a gente decidiu que as pausas iam ser para todos. E, em muitos casos, elas foram necessárias. Mas não chegamos a uma conclusão ainda. Vamos chegar em breve.
Outras novidades deste Mundial, porém, foram analisadas e tiveram seus impactos divulgados. O TSG considerou um sucesso a implementação de regras que buscam diminuir o tempo de bola parada, como o limite de cinco segundos para cobrança de tiro de meta e de lateral, de dez segundos para substituição e de um minuto para atendimento médico.
Um impacto que salta aos olhos foi o da redução no tempo que os goleiros levavam para cobrar o tiro de meta. Se, em 2022, 25% das cobranças demoraram mais de 30 segundos. Agora, este percentual caiu para 12%. Também foi registrada redução nos atendimentos médicos: de 2,3 por partida no Catar para 1,6 na edição atual.
— A avaliação foi positiva porque conseguimos diminuir com que os jogadores fizessem cera em campo. Melhorou a experiência, já não vimos acontecer tanto — celebrou Wenger.
Outras conclusões foram apresentadas pelo grupo. A mais destacada foi o aumento no tempo que as equipes passaram se defendendo em bloco baixo (mais compactadas próximo de sua própria grande área). O salto foi de 21% para 25%.
— Se pensarmos na quantidade de tempo por jogo foram três ou quatro minutos a mais com os times em bloco baixo — explicou Tom Gardner, chefe de insights de desempenho do TSG. — Em relação ao (Mundial do) Catar o que vimos foi a redução do bloco médio e este aumento.
A defesa em bloco baixo não tem a ver apenas com a proteção da área. Mas também com uma opção por atacar em saídas rápidas pelas costas dos meio-campistas adversários. Para os membros do TSG, as ofensivas mais verticalizadas, ao invés da valorização da posse, dominaram as escolhas táticas desta Copa. As finalistas Espanha e Argentina, além da França, foram apontadas como exemplos bem-sucedidos.
— Quando você tem laterais rápidos que atraem o time (adversário) para o bloco médio durante a sua fase de defesa, eles estão criando espaços nas laterais para o contra-ataque. E é rápido trocar a bola de um lado para o outro. E os zagueiros têm dificuldade para correr de volta. A França, por exemplo, trabalhou muito bem este aspecto — pontuou o brasileiro Gilberto Silva, membro do grupo.
A tendência por este estilo de jogo impactou a Copa de diversas formas. No aspecto físico, a busca pelos ataques rápidos se refletiu no aumento da velocidade máxima de 30,9km/h para 31,3km/h. Porém, como os times passaram a jogar mais aproximados, os dados de distância percorridas sofreram uma pequena redução.
Para furar estas defesas mais fechadas, os chutes de fora da área foram a solução encontrada. O grupo detectou que os gols marcados à distância dobraram. De 8% do total no Catar, passaram para 16% este ano. Um contraponto às jogadas de bola parada, o ponto negativo na opinião dos especialistas.
— É surpreendente ver que os técnicos não tiveram tempo de estudar os jogos de bola parada. Algumas até aconteceram, mas você percebia que não havia tempo entre os treinamentos para estudarem isso. Foi um pouco decepcionante do meu ponto de vista. Não vimos novidades nas cobranças de faltas e escanteios — lamentou o alemão Jurgen Klinsmann.











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