A decisão da Copa do Mundo de 2026 colocou frente a frente Lionel Scaloni e Luis de la Fuente, responsáveis por conduzir Argentina e Espanha até a final. Fora das quatro linhas, porém, os dois treinadores ficaram bem atrás de Carlo Ancelotti. O técnico da seleção brasileira recebe sozinho mais do que o dobro da soma dos salários dos comandantes das duas equipes que disputaram o título.
Contratado pela CBF para tentar recolocar o Brasil no topo do futebol mundial, Ancelotti tem vencimentos estimados em € 10 milhões (cerca de R$ 58,2 milhões) por ano. O valor é compatível com o recebido pelos principais treinadores do futebol europeu e reflete o currículo do italiano, único técnico a conquistar as cinco principais ligas nacionais da Europa e dono de cinco títulos da Liga dos Campeões.
Já Lionel Scaloni recebe aproximadamente € 2,3 milhões anuais (R$ 13,5 milhões). Mesmo depois de conquistar a Copa do Mundo de 2022, duas edições da Copa América e liderar uma das campanhas mais consistentes das Eliminatórias Sul-Americanas, o argentino ganha menos de um quarto do salário pago ao treinador da seleção brasileira.
O vencimento de Luis de la Fuente é ainda menor: cerca de € 2 milhões (R$ 11,7 milhões) por temporada. O técnico espanhol teve aumento salarial após conduzir a Espanha ao título da Eurocopa de 2024. Antes da conquista continental, recebia aproximadamente um terço do valor atual.
A diferença nos salários também reflete trajetórias bastante distintas. Ancelotti chegou à seleção brasileira após construir uma das carreiras mais vitoriosas da história do futebol de clubes. A contratação foi tratada como um investimento estratégico da CBF para tentar encerrar o jejum de títulos mundiais do Brasil, que acabou eliminado nas oitavas de final da Copa de 2026 pela Noruega.
Scaloni e De la Fuente seguiram o caminho oposto. Ambos cresceram dentro das estruturas de suas federações nacionais e foram promovidos após anos de trabalho nas seleções.
Ex-lateral da Argentina, Scaloni integrou a comissão técnica de Jorge Sampaoli na Copa do Mundo de 2018 e assumiu o comando da equipe de forma interina. Inicialmente visto como uma solução provisória, ganhou respaldo ao renovar o elenco e conduzir a seleção ao ciclo mais vencedor de sua história recente, culminando no título mundial no Catar.
Na Espanha, De la Fuente construiu praticamente toda a carreira como treinador das categorias de base da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF). Campeão europeu pelas seleções sub-19 e sub-21 e medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio, foi promovido ao time principal após a saída de Luis Enrique, no fim de 2022.
A aposta em um profissional formado dentro da própria estrutura deu resultado rapidamente. De la Fuente conquistou a Eurocopa de 2024 e, dois anos depois, levou a Espanha ao bicampeonato mundial ao derrotar justamente a Argentina na final da Copa do Mundo de 2026.











Leave a Reply