Scaloni enfrenta ex-tutor De la Fuente na final da Copa – 16/07/2026 – Esporte


A Espanha passou por cima da França, a Argentina superou a Inglaterra com dificuldade e a final da Copa do Mundo ganhou um roteiro de cinema: campeões europeus contra campeões mundiais e sul-americanos, com um professor e seu antigo aluno em áreas técnicas opostas.

A Espanha de Luis de la Fuente tentará conquistar a segunda Copa do Mundo do país, 16 anos após a primeira, na África do Sul, enquanto a Argentina de Lionel Scaloni busca se tornar a primeira seleção desde o Brasil (1958 e 1962) a vencer duas Copas do Mundo consecutivas.

Mas além do confronto clássico entre potências, a final de domingo carrega um toque mais pessoal.

Após a vitória da Espanha por 2 a 0 sobre a França na terça-feira, e antes de a Argentina completar sua virada por 2 a 1 contra a Inglaterra na segunda semifinal no dia seguinte, De la Fuente surpreendeu ao dizer que ficaria “encantado” em enfrentar a Argentina.

Não foi porque o técnico de 65 anos via os argentinos como um caminho mais fácil para a glória. Muito pelo contrário. Sua resposta estava enraizada na amizade e em uma relação construída anos atrás na academia de treinadores da RFEF (Federação Espanhola de Futebol) em Las Rozas, onde De la Fuente era tutor e Scaloni, um de seus alunos.

Isso aconteceu em 2017, dois anos após Scaloni encerrar sua carreira como jogador. De la Fuente, então responsável pelas seleções de base da Espanha, estava entre as figuras que ajudaram a guiar um jogador recém-aposentado dando seus primeiros passos rumo à carreira de técnico.

Nenhum dos dois poderia imaginar que as lições de Las Rozas um dia ecoariam até uma final de Copa do Mundo.

Scaloni falou com carinho sobre esse período e seu vínculo com De la Fuente na Copa América de 2024.

“Luis foi uma ajuda enorme para nós que fizemos o curso de treinadores em Las Rozas. Já conversei com ele e desejo a ele tudo de bom”, disse Scaloni antes da vitória da Argentina sobre o Equador nas quartas de final da Copa América.

A admiração era recíproca. De la Fuente descreveu Scaloni como um mestre, um título improvável para um ex-aluno, mas adequado para o homem que conduziu a Argentina ao sucesso mundial e continental.

“Quero que a Espanha vá bem [na Eurocopa] e ele nos ajudou muito, a nós que fizemos o curso [de treinadores] em Las Rozas. Gosto da forma como ele conduz as coisas e de como os jogadores dão tudo por ele”, disse Scaloni durante o torneio, que coincidiu com a Eurocopa 2024.

Ambos os técnicos acabaram erguendo os respectivos troféus continentais. Agora se encontram novamente, não em uma sala de aula, mas com o maior prêmio do futebol em jogo.

A conexão de Scaloni com a Espanha vai além de diplomas de treinador. Sua esposa, Elisa Montero, que ele conheceu em 2008, é espanhola, seus filhos nasceram na Espanha e eles moram em Mallorca.

Scaloni, 48, também passou várias temporadas jogando na Espanha por Deportivo La Coruña, Racing Santander e Mallorca.

“Parte da minha família é espanhola e, naturalmente, estou torcendo pela Espanha [na Eurocopa]”, disse Scaloni em 2024.

Falando na terça (14), após a Espanha chegar à final e na véspera da semifinal da Argentina, Scaloni deu uma prévia do carinho —e da competitividade— que agora moldam a final.

“Estou feliz por ele [De la Fuente]. Ele merece. É um cara ótimo. Tudo o que vemos na seleção dele é o que esperamos ver na nossa”, disse Scaloni em Atlanta.

“Se as coisas não derem certo para nós, vou ligar para ele. Se jogarmos contra ele na final… não. Tomara que não haja ligação até depois da final…”

Agora provavelmente não haverá telefonema até domingo, então o sentimentalismo terá que esperar. Mestre e aprendiz primeiro precisam descobrir quem guardou as melhores anotações enquanto se preparam para a final.



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