Corinthians perde para ‘mistão’ do Cruzeiro e Fiel manda recado para os jogadores: ‘É quinta-feira!’


Domingo de frustração em Itaquera — e de um certo temor de que o melhor da temporada pode acabar na quinta-feira, dia de decisão na Libertadores. A derrota do Corinthians para o Cruzeiro, por 2 a 1, na Neo Química Arena, expôs uma diferença que vai muito além dos 90 minutos: quando o jogo apertou, as pernas pesaram e os treinadores precisaram mexer nas peças, o Cruzeiro tinha mais material humano para recorrer. O Corinthians lutou, correu, tentou, mas de novo sentiu a falta de um elenco com mais possibilidades.

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Foi um jogo de alta intensidade, aberto, daqueles em que os dois lados aceitaram o risco de jogar para ganhar. O Corinthians precisava da vitória para se aproximar do G4 e, por isso, mesmo tendo pela frente a decisão de quinta-feira contra o Rosário Central, em Itaquera, Fernando Diniz não poupou ninguém. O Cruzeiro, ao contrário, começou sem alguns de seus principais jogadores, preservados para o compromisso contra o Flamengo na quarta-feira, no Maracanã. Ainda assim, terminou comemorando uma vitória que o mantém forte na briga pelas primeiras posições.

Corinthians Rodrigo Garro e os cruzeirenses Lucas Villalba e Jonathan Jesus
Rodrigo Garro, que mandou uma bola na trave no primeiro tempo, é cercado por Villalba e Jonathan Jesus / Corinthians

Corinthians limitado

A diferença apareceu quando o jogo entrou na fase em que o talento individual e a qualidade das opções no banco começaram a pesar. No primeiro tempo, o Corinthians teve mais posse de bola, 60% contra 40%, e procurou as laterais, tentando encontrar Pedro Raul pelo alto. Logo no começo, o centroavante cabeceou com perigo, mas parou em boa defesa de Otávio. Quando percebeu que o caminho pelo alto não estava funcionando, o Corinthians tentou encontrar espaço pelo meio. E poderia ter começado a escrever outra história aos 28 minutos, quando Bidon acionou Garro, que invadiu a área com o gol à sua disposição, mas acertou a trave.

O castigo não demorou. Aos 35, João Costa cabeceou e obrigou Hugo a uma boa defesa. No rebote, porém, Bruno Rodrigues apareceu livre para empurrar para o gol vazio e colocar o Cruzeiro na frente.

O Corinthians voltou para o segundo tempo disposto a buscar o empate e encontrou um Cruzeiro igualmente interessado em continuar jogando. Foi aí que Artur Jorge mostrou a qualidade que tinha à disposição. Aos 15 minutos, colocou de uma vez Gerson, Matheus Pereira e Arroyo. Três jogadores capazes de mudar o nível técnico de uma equipe. Talvez de um campeonato.

Alegria durou pouco

Mas, antes que as mudanças pudessem fazer efeito, o Corinthians empatou e voltou para o jogo. E de uma maneira que já virou quase uma especialidade da equipe: na bola parada e com Gustavo Henrique. Só que, dessa vez, o zagueiro não marcou de cabeça, como de hábito. Ele concluiu o lance com voleio digno de um camisa 10. Garro cobrou falta na segunda trave, Otávio saiu mal e afastou de soco. A bola ficou viva na área e Gustavo Henrique acertou um sem-pulo à la Bebeto. Um golaço de zagueiro para devolver ao Corinthians a esperança de transformar a noite numa vitória.

Depois disso, o jogo virou uma troca franca de golpes. Houve bola na trave de Hugo, chances de gol de ambos os lados e a sensação permanente de que qualquer detalhe poderia decidir a partida. Os dois times jogaram para ganhar. O Cruzeiro acabou encontrando o golpe decisivo aos 34 minutos. Wanderson estava em campo havia apenas dois minutos quando aproveitou uma falha de marcação no miolo da defesa corintiana e completou de cabeça um cruzamento vindo da direita. Não foi uma cabeçada qualquer.

Ali apareceu o problema que acompanha o Corinthians há algum tempo. Diniz precisava de alternativas para buscar o resultado, mas as opções eram limitadas. Com Yuri Alberto fora e Memphis Depay sem contrato, o time terminou o jogo com Dieguinho e Gui Negão formando a dupla de ataque. São garotos que podem ter futuro, mas que ainda estão longe de representar, no presente, aquilo que jogadores mais experientes e decisivos entregam.

No tudo ou nada

O desespero levou até Gustavo Henrique para a posição de centroavante nos minutos finais. O zagueiro que havia marcado um golaço passou a tentar resolver também na frente. O Corinthians foi para o abafa, enquanto o Cruzeiro, com um banco recheado de jogadores capazes de controlar a bola, tratou de fazer o relógio andar. Troca de passes, posse de bola, experiência e qualidade. O Cruzeiro soube administrar a vantagem.

Corinthians Kaio César e Felipe Morais
Na arrancada para o ataque pela lateral direita, Kaio César encara o duelo corpo a corpo com Felipe Morais / Corinthians

E a derrota deixou uma constatação incômoda para o Corinthians: mais uma vez, faltou elenco. E talvez por isso a reação da Fiel, depois do apito final, tenha sido tão significativa. Em vez de vaias, veio o velho grito em tom de cobrança que antecede as grandes decisões: ‘É quinta-feira! É quinta-feira!’ A torcida sabe que o campeonato nacional virou um exercício de sobrevivência. E que a Libertadores ainda pode salvar um ano cheio de turbulências. O jogo contra o Rosário representa a possibilidade de levar o clube às quartas de final. Depois do empate suado na Argentina, basta uma vitória simples sobre o Rosário Central para avançar.

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Garro entendeu o recado; resumiu o sentimento na saída do gramado. “Sabemos que esse é o jogo do ano para nós. Por isso, agora é descansar e se preparar para essa decisão. Sabemos que a torcida cobra, mas ela vai estar ao nosso lado.” E completou, com a frustração de quem sabia o tamanho da oportunidade perdida contra o Cruzeiro: “Era um jogo vital para os dois times subirem na tabela e não queríamos ter perdido.”





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